Fechar
Buscar no Site
O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Cientistas descobrem novo tipo de HIV

Pela primeira vez em quase vinte anos, uma nova cepa do vírus HIV, causador da AIDS, foi descoberto por cientistas

Representação artística do vírus HIV, conhecido por ser altamente mutante e, logo, difícil de estudar. (Foto: © Darwin Laganzon/Pixabay)

Pela primeira vez em quase vinte anos, uma nova cepa do vírus HIV, causador da AIDS, foi descoberto por cientistas. A mando da gigante americana da área de saúde Abbott, pesquisadores encontraram um subtipo até então desconhecido do vírus que pode ajudar a conter futuros surtos e planejar novas formas de tratamento. No Brasil, quase 870 mil pessoas convivem com o vírus da imunodeficiência humana, enquanto o número global ultrapassa a casa dos 37 milhões.

O estudo que disseca a descoberta foi publicado nesta quarta-feira, 6, no periódico científico JAIDS (Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes). O novo subtipo encontrado pertence ao grupo M do HIV. Este é apenas um dos quatro grupos em que se subdivide o vírus. A nova cepa foi apelidada de “L” e se junta a outras dez cepas já catalogados pela comunidade científica.

A primeira amostra do subtipo L foi coletada ainda na década de 80. Na época, no entanto, ainda era praticamente impossível sequenciar genomas. Além disso, a pequena quantidade de material reunida dificultava ainda mais a análise.

Atualmente, contudo, a tecnologia para esse processo é muitíssimo avançada, permitindo que cientistas realizem sequenciamentos completos de forma rápida e barata. Assim, em 2019, o subtipo L pôde finalmente ser estudado a fundo.

Agora identificada, a cepa será acompanhada de perto por médicos e especialistas do mundo todo, o que pode ajudar a conter novas pandemias virais. Além disso, abre-se a possibilidade de, no futuro, criar novos medicamentos e até mesmo vacinas com base no estudo da estirpe.

A descoberta é fruto de um programa da Abbott que já dura 25 anos e que tem como objetivo monitorar o HIV e o vírus da hepatite. Desde o começo da empreitada, a empresa coletou mais de 78 mil amostras de vírus e identificou mais de 5 mil subtipos distintos.

Conforme afirmou Mary Rodgers, bióloga chefe do Programa Global de Vigilância Viral da Abbott e cientista principal do estudo, a VEJA: “Graças aos esforços da comunidade global da área da saúde nas últimas décadas, a meta de acabar com a pandemia de HIV está se tornando atingível”.

Apesar dos avanços, no entanto, Mary ressalta a importância de nos mantermos vigilantes. “A nossa descoberta foi só o primeiro passo. Agora, podemos focar em novos tratamentos e vacinas para esse subtipo, o que já representa uma melhoria”, concluiu.

Carregando