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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

‘La Casa de Papel’: fãs devem se preparar para sofrer

A quarta sequência da série chegará à Netflix no dia 3 de abril de 2020

Da esquerda à direita, os atores de ‘La Casa de Papel: Pedro Alonso, Rodrigo de la Serna, Esther Acebo, Darko Peric e Alba Flores. (Foto: © Helena Yoshioka / Netflix)

Um coro de 3.300 vozes recebeu dezenas de mascarados com o rosto de Salvador Dalí e vestidos com macacões vermelhos ao som de Bella Ciao no maior auditório da Comic Con Experience (CCXP) neste domingo, último dia do evento que começou na quinta-feira (05/12). Do meio dos mascarados, surgiram no palco os intérpretes Alba Flores, Pedro Alonso, Esther Acebo, Darko Peric e Rodrigo de la Serna, que dão vida, respectivamente, a Nairóbi, Berlim, Estocolmo, Helsinque e Palermo na série espanhola La Casa de Papel, da Netflix. A trama, que conquistou milhões de fãs em todo o mundo, conta os assaltos realizados pelo grupo liderado pelo Professor (Álvaro Morte) primeiro à Casa da Moeda da Espanha (partes um e dois) e depois ao Banco de Espanha (parte três). A quarta sequência da série chegará à Netflix no dia 3 de abril de 2020, conforme o elenco anunciou neste domingo, em primeira mão, aos fãs brasileiros.

A parte três deixou muitas pontas soltas, com os assaltantes encurralados na Casa da Moeda, o Professor fugindo da polícia depois de acreditar que sua amada, Lisboa (Itziar Ituño), tenha sido assassinada pelos agentes e, quiçá a situação mais grave, Nairóbi agonizando nos braços dos companheiros depois de receber um disparo. Ela continuará na próxima temporada? É a própria Alba Flores quem responde: “É complicado, mas os roteiristas vão surpreender as expectativas dos espectadores. Até agora, eles fizeram muitas concessões aos fãs, mas, desta vez, vão em direção contrária. Só posso dizer que quem ama Nairóbi vai sofrer”.

No teaser exibido também com exclusividade na CCXP, em que os membros do grupo de assaltantes aparecem primeiro com suas máscaras e depois de cara limpa, Nairóbi é a última a surgir na tela, o que deu esperança aos fãs e fez o auditório explodir em gritos. A reação se repetia cada vez que um dos atores falava ao microfone. Na vez de Esther Acebo, ou Estocolmo, a refém do assalto que se apaixona por um dos assaltantes e soma-se à família (como se autodenomina o grupo de ladrões), a ovação foi tamanha que levou a atriz às lágrimas.

Acebo falou sobre o que mais gosta da série que, ao estrear na TVE (a televisão pública espanhola), em 2017, não marcou o público, mas que se tornou um fenômeno mundial na plataforma de streaming. “É uma série na qual as mulheres não estamos apenas acompanhando os personagens masculinos e sendo apenas mães e esposas. Assim como na vida, as mulheres fazem suas próprias coisas. Estocolmo é mulher, mãe e está trabalhando pelo assalto como qualquer outro no grupo”, disse. “El matriarcado está aqui”, completou Darko Peric, que, fã confesso de rock, compareceu vestido com uma camiseta do álbum Brasil, da banda Ratos de Porão. O ator referia-se à icônica frase de Nairóbi em um episódio em que ela toma as rédeas do assalto: “Empieza el matriarcado (começa o matriarcado”, que converteu-se em um dos lemas de La Casa de Papel, estampando camisetas, xícaras, cartazes e demais objetos das fãs feministas da série.

Foi esse momento que também alçou a personagem ao posto de uma das favoritas dos espectadores. “Ela vinha de uma classe desfavorecida e estava lutando para ter uma vida melhor. Apesar de ser ladra, tem muitos valores e uma entrega total à comunidade à qual pertence. Essa generosidade é algo que o público admira”, comenta Flores. Assim, conjugando verbos no pretérito ao referir-se à sua personagem.

Sem spoilers

O elenco da série, como era de se esperar, não pode dar muitos detalhes sobre o que os espectadores encontrarão no dia 3 de abril. Em uma cena inédita exibida aos fãs, vê-se o Professor ainda em sua fuga solitária, correndo dos policiais em meio a árvores. Ele consegue saltar o muro de um terreno para esconder-se, mas dá de cara com o equivalente espanhol de um cão bravo: um touro com grandes chifres. Na nova tentativa de fuga, agora do animal, acaba caindo dentro de um caixote de feno. E, então, a tela fica preta. Foi o suficiente para uma nova explosão de gritos e aplausos.

“Estaremos concentrados em salvar a vida de Nairóbi. Basicamente, a quarta parte estará centrada nisso, em sobreviver. Como disse o Professor, já não se trata de um assalto, mas de uma guerra contra o sistema”, diz Pedro Alonso, que, durante o painel, ensaiou algumas palavras em português e falou, principalmente, em portuñol. Seu personagem, Berlim, um homem esnobe, misógino e um tanto quanto sádico, continua sendo um dos mais queridos pelos espectadores, apesar do seu trágico final na segunda parte da série. Alonso tem uma hipótese para justificar o carisma de alguém tão odioso: “Berlim vive a vida como um sonho fantástico. Vive com muita honestidade, sem ater-se às convenções e à moral, algo com o qual muitos sonhamos fazer em algum momento das nossas vidas. Acho que é essa intensidade que cativou o público”.

Foi Alonso que, antes de despedir-se do auditório lotado, fez questão de dirigir-se ao público pelo esforço de comparecer a um evento de exaustivas filas e cujos ingressos podem ultrapassar mil reais. “Sabemos que muita gente ficou sem dormir, gente que madrugou na fila, gente que fez um esforço econômico para estar aqui hoje. Só podemos agradecer e prometer que continuaremos fazendo o melhor trabalho que podemos para vocês. Muito obrigado!”. Foi também ele quem resumiu o tom da quarta parte de La Casa de Papel, num momento em que o mais carismático grupo de assaltantes do mundo parece estar desmoronando: “Em meio à destruição, a família continuará caminhando em direção ao amor”, afirma Alonso.

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