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Cerveja contaminada é apontada como causa para doença misteriosa em Belo Horizonte

De acordo com a Cervejaria Backer, produtos dos lotes L1 1348 e L2 1348 foram retirados de circulação por precaução

Foto: Reprodução

A cerveja artesanal Belorizontina, da cervejaria Backer, é apontada pela Polícia Civil como a causa da doença misteriosa que atingiu oito pessoas e levou a morte de uma delas em Belo Horizonte. Laudos apontam que amostras da cerveja continham o composto orgânico dietilenoglicol, também conhecido como éter de glicol, usado em serpentinas no processo de refrigeração de cervejas. O composto é altamente tóxico.

Dois lotes (L11348 e L21348), foram retirados do mercado. Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), informou que, diante do laudo “que comprova a presença de substância tóxica em cerveja consumida por pacientes internados em estado grave, em Belo Horizonte” convocou a força-tarefa envolvida na investigação “para definição dos encaminhamentos médicos, epidemiológicos e da Vigilância Sanitária”.

Antes de divulgar o laudo, peritos da corporação vistoriaram a sede da empresa de bebidas artesanais, também localizada no Oeste de BH, no Bairro Olhos D’Água. “Nas duas amostras de cerveja encaminhadas lacradas pela vigilância sanitária do município de Belo Horizonte foi identificada a presença da substância dietilenoglicol em exames preliminares”, diz o laudo.

Apesar de a substância tóxica ter sido encontrada em garrafas do produto, as autoridades ainda não cravam que a contaminação tenha ocorrido na cervejaria. “Não há, em hipótese alguma, afirmação de que a empresa seja responsável pela contaminação”, ressaltou o promotor do Procon Amauri da Matta. Isso porque as garrafas em que o éter de glicol foi rastreado foram recolhidas pelas autoridades fora da indústria. Contudo, uma das medidas já tomadas pelas autoridades é recolher todas as Belohorizontinas ainda comercializadas nas três unidades de supermercado onde as cervejas contaminadas teriam sido compradas pelos pacientes. Os estabelecimentos estão localizados nos bairros Cidade Nova e Buritis, ambos na capital mineira, e em Nova Lima, na Grande BH.

Outro ponto que incomodou a Polícia Civil durante a operação foi o fato de um refrigerador usado pela Backer no processo de produção estar localizado em um local em obras. Contudo, não há ligação efetiva do fato com a contaminação por dietilenoglicol. Ainda na vistoria da força-tarefa realizada hoje, conforme fontes ouvidas pela reportagem, a corporação recolheu amostras de outros rótulos da Backer. A perícia pretende, com isso, verificar se outras cervejas da marca estão próprias para consumo.

O Caso

Pacientes começaram a apresentar os sintomas da doença misteriosa em dezembro. No início, problemas gastrointestinais (náusea e/ou vômito e/ou dor abdominal). Depois, insuficiência renal aguda de evolução rápida (em até 72 horas) somada a alterações neurológicas, como paralisia facial e descendente, borramento visual, amaurose (perda da visão parcial ou totalmente) e alteração sensorial.

A cerveja Belohorizontina foi alvo de suspeita de moradores do Buritis desde que as primeiras informações começaram a circular, no fim de semana. Depois da entrevista da Polícia Civil, a fabricante disse que o éter de glicol “não faz parte do processo de produção” do rótulo.

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