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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Comércio da Rua Grande já registra queda de 40% nas vendas

Lojas seguem com o horário normal, mas empresários não descartam até concessão de férias coletivas

Lojistas da Rua Grande dizem estar sentindo os reflexos do coronavírus em suas vendas (Foto: Gilson Ferreira)

O mais popular centro comercial de São Luís está um tanto diferente. A Rua Grande está mais vazia, e os lojistas dizem estar preocupados, mas confessam que ainda não alteraram o cotidiano nas vendas.

De acordo com o gerente de uma das maiores lojas de departamento de calçados da Rua Grande – ele pediu para não ter o seu nome e o da empresa divulgados – informou ao Jornal Pequeno que a venda de segunda-feira (16) teve queda de 40%. Ele também disse ter realizado uma reunião com os vendedores, antes do início do expediente de ontem (17), para conversar sobre o coronavírus.

“Continuamos abrindo e fechando a loja nos mesmos horários de sempre. Mas já sofremos o impacto nas vendas. Por que as pessoas estariam comprando sapatos, se a tendência é que elas fiquem cada vez mais parte do seu tempo em casa? Quem quer sapatos novos é quem vai ao trabalho, a uma entrevista de emprego, a uma viagem, a um aniversário, casamento, festas e shows, bares, praias, shoppings e casas de entretenimento. Existem diversos motivos para se comprar um sapato, mas ficar em casa de quarentena não é um deles. Vamos acompanhar os acontecimentos nas próximas duas semanas, e depois, dependendo do que esteja acontecendo até lá, vamos decidir pela mudança no horário em que a loja se mantém aberta; e, quem sabe, possa existir até férias coletivas”, informou o gerente.

Na loja de roupas Contrato, instalada em uma via transversal à Rua Grande, o proprietário do estabelecimento, empresário Luís Marcelo Mota, opinou sobre o alarme que está sendo feito por autoridades e a imprensa. “Não temos casos confirmados de coronavírus no Maranhão, mas as pessoas estão amedrontadas. Minhas vendas caíram. Eu sei da necessidade de suspender eventos, e evitar ir a locais com grande aglomeração, mas isso tem deixado minha loja quase sem movimento”, informou Luís Marcelo.

Já a promotora de vendas Liliane dos Santos disse que nunca viu a Rua Grande tão vazia quanto nestes últimos dias. “Não sei se é somente devido ao coronavírus, mas percebi menos pessoas circulando pela rua, e menos ainda nas lojas, inclusive nesta em que trabalho”, disse Liliane.

A recomendação é de que a população busque alternativas para ficar em casa, evitando deslocamentos e contatos em massa. Desde ontem, as aulas estão suspensas em escolas das redes municipal, estadual e privada, e nas universidades Ufma e Uema, além de algumas faculdades particulares.

FECOMÉRCIO ORIENTA COMERCIANTES

Por meio de nota, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e Fecomércio do Maranhão alertam que os comerciantes devem acompanhar ainda mais de perto a rotatividade dos estoques e o ritmo das vendas.

“No cenário de preços mais baixos, mas com possível queda na confiança dos consumidores, deve-se evitar estoques elevados. A renegociação de prazos com fornecedores é recomendável para melhorar os fluxos de caixa. Além de cortes temporários de despesas consideradas supérfluas, o esforço maior para aproximar os vencimentos de despesas com as receitas também auxiliará no caixa das empresas. No dia-dia dos estabelecimentos, lojas e empresas, os funcionários e colaboradores devem ser orientados a observarem com atenção o movimento de pessoas, utilizarem álcool em gel após contato e atendimento aos clientes. Também é importante observar o movimento de consumidores nas lojas e estabelecimentos. Caso necessário, recomenda-se ajustar a jornada de trabalho dos funcionários. Os custos com a mão de obra também podem ser reduzidos”, informou a nota da CNC e Fecomércio.

CDL DIZ QUE SETOR JÁ SENTE RETRAÇÃO

Também por meio de nota, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Luís informou que “embora o setor varejista da capital maranhense já sinta uma retração na movimentação de consumidores, ainda não é possível prever numericamente o impacto econômico da atual situação no comércio”.

A CDL, na nota, disse que a orientação aos estabelecimentos comerciais é a de que eles disponibilizem álcool em gel ao público cliente e funcionários. E que os ambientes sejam higienizados com álcool 70% ou solução de água sanitária, especialmente pisos, corrimãos, maçanetas e banheiros; além de equipamentos de uso público. Disse ainda que “em atendimentos presenciais deve ser adotado o distanciamento obrigatório de, pelo menos, um metro entre as pessoas. Nos casos em que for possível, deve-se priorizar a comunicação e o atendimento por meios digitais. Deve-se manter todos os ambientes arejados. E recomenda aos colaboradores a utilização de utensílios individuais (copos, xícaras, talheres, etc.), além da disseminação de informações internas relativas às medidas preventivas”.

De acordo com a CDL, com o atendimento destas recomendações será possível colaborar com o enfrentamento do coronavírus, sem a necessidade de interrupção das atividades comerciais. Para a CDL, o funcionamento das empresas varejistas é de fundamental importância para a economia da cidade.

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