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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Funai admite que morte de guajajara não teve como motivação disputa por terra

Segundo Funai, um não-índio também foi morto na mesma ocasião.

O índio guajajara foi morto a facadas (Foto: Divulgação)

Foi registra na madrugada desta sexta-feira (13), a morte do quarto índio no Maranhão em menos de dois meses. Erisvan Soares Guajajara, de 15 anos, foi morto a facadas numa festa na cidade de Amarante do Maranhão, na região tocantina, localizada a cerca de 680 quilômetros da capital São Luís.

No dia 7 de dezembro, dois Guajajara foram mortos no município maranhense de Jenipapo dos Vieira. Segundo testemunhas, os tiros partiram de um carro e mataram Raimundo Benício Guajajara, de 38 anos, e Firmino Prexede Guajajara, de 45 anos. No começo de novembro, o líder Paulino Guajajara, de 26 anos, também foi assassinado na Terra Indígena Arariboia, a 100 quilômetros do município Amarante, enquanto caçava.

Segundo a Polícia Civil, os corpos de Erisvan Guajajara e de outra vítima, José Roberto do Nascimento Silva, 23 anos, foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Imperatriz, para perícia. A suspeita é que as mortes tenham se originado de uma briga entre eles.

A Polícia Civil não trabalha, neste primeiro momento, com a hipótese de que haja ligação entre os crimes anteriores, que estão sendo investigados pela Polícia Federal, com o caso mais recente.

Polícia Militar informou que o assassinato ocorreu durante uma festa no bairro Vila Industrial, na quinta-feira, por suposto envolvimento das vítimas com o tráfico de drogas. Segundo a assessoria de comunicação da polícia do Maranhão, as mortes de Erisvan Guajajara e José Roberto Silva serão investigadas pela polícia local por que não têm relação com a “condição indígena”, o que obrigaria a Polícia Federal assumir o caso.

Pelo Twitter, a líder indígena Sonia Guajajara lamentou a morte do adolescente. “Todas as pessoas que não gostam de nós estão se sentindo autorizadas a matar porque sabem que a impunidade impera. É hora de dar um Basta!”, publicou, sem mencionar o suposto envolvimento do indígena com tráfico de drogas.

Viagem – De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Erisvan Guajajara saiu da Terra Indígena Arariboia há cerca de duas semanas para acompanhar o pai, Luizinho Guajajara, a Amarante, onde comprariam mantimentos e roupas. “A viagem acabou de forma trágica nesta sexta-feira quando o corpo do jovem indígena foi encontrado esquartejado em um campo de futebol localizado em Amarante”, informou a entidade.

Fundação Nacional do Índio (Funai) também teria confirmado a versão da polícia de que “estão descartadas todas motivações de crime de ódio, disputa por madeira ou por terras”.

Gilderlan Rodrigues, coordenador do Cimi Regional Maranhão, porém, criticou a conduta da polícia e da Funai de tentar antecipar os resultados da investigação. “Há uma sequência de violência afligindo o povo Guajajara e a Funai deveria olhar para isso”, disse.

A escalada de violência contra índigenas no Maranhão fez com que o ministro da Justiça, Sergio Moro, assinasse uma portaria para o envio de agentes da Força Nacional “para garantir a integridade física e moral dos povos indígenas, dos servidores da Funai e dos não índios, na Terra Indígena Cana Brava Guajajara, no estado do Maranhão”.

A medida terá duração de 90 dias. O documento, no entanto, exclui a Terra Indígena Arariboia, onde viviam Erisvan e Paulino Guajajara.

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