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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Iniciada retirada do minério do navio encalhado na costa maranhense

A embarcação encalhou no litoral do Maranhão na noite do dia 24 de fevereiro, deste ano, após sofrer uma avaria na proa

Registro da retirada do óleo de dentro do Stellar Banner, feito pelo fotógrafo do JP em sobrevoo ao local onde o navio está encalhado, no começo do mês de março (Foto: Gilson Ferreira)

A operação de descarga do minério de ferro do porão nº 4 do navio chamado de MV Stellar Banner teve início nessa semana. A informação foi repassada pela empresa sul-coreana Polaris, responsável por operar a embarcação contratada pela Vale, e que está encalhada no litoral do Maranhão desde o dia 24 de fevereiro.

Ontem (17), foi realizada uma reunião do Gabinete de Crise por videoconferência, que atualizou as ações executadas, os meios empregados, e as atividades futuras. O Stellar Banner sofreu avaria na proa após deixar o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (porto privado da Vale), em São Luís, há quase dois meses.

O problema ocorreu no canal de acesso ao porto, a cem quilômetros do litoral. O destino da embarcação era a China. O navio é um mineraleiro do tipo Vale Max, chamado de super navio; ele tem capacidade para transportar até 300 mil toneladas de carga, segundo o site da Polaris.

Conforme informações do relatório da reunião de ontem, do Gabinete de Crise, foram iniciados os preparativos para acesso do minério de ferro nos demais porões do Stellar Banner. Serviços de revisão de guinchos estão sendo feitos. A operação de alívio de carga do MV Stellar Banner segue em curso, sendo conduzida pelas empresas Ardent e Smit.

Na nota de quinta-feira, a Marinha informou que as operações seguem as orientações da análise técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). E acrescentou que “os órgãos e empresas envolvidos permanecem em estreita coordenação com a Autoridade Marítima, no intuito de solucionar o ocorrido com a brevidade possível, obedecendo normas e procedimentos de segurança, priorizando a mitigação de riscos à poluição e à navegação”.

RETIRADA DO ÓLEO

Sobre o óleo, a retirada dele do Stellar Banner foi finalidade já faz mais de duas semanas. Na terça-feira (13), também por meio de nota à imprensa, a Marinha do Brasil informou que no domingo (12) terminou a transferência desse óleo das embarcações que receberam o produto do Stellar Banner para o navio Stellar Iris, que também pertence à empresa Polaris. Ou seja, quinze dias atrás o óleo já tinha sido bombeado do Stellar Banner para outras embarcações provisórias, sendo uma delas o HOS Brass Ring.

No domingo (12), foi finalizado o bombeio do óleo destas embarcações para o Stellar Iris, que o levou para o exterior.

COMO OCORREU O INCIDENTE

Na noite do dia 24 de fevereiro, houve dois vazamentos na frente do Stellar Banner. O comandante do navio optou por encalhar o navio num banco de areia. Nos momentos seguintes, quatro rebocadores se deslocaram em direção ao navio para coletar mais informações.

A Marinha instaurou inquérito administrativo para apurar causas e responsabilidades do incidente. A partir de então, um rebocador com material para conter possíveis danos ambientais teria prevenido as possibilidades de vazamento. Outra medida tomada imediatamente foi a retirada dos 20 tripulantes do Stellar Banner.

No início de março, uma equipe de mergulhadores começou a avaliar a extensão dos rasgos no casco do navio. A área afetada foi de 25 metros. A embarcação transportava 294,8 mil toneladas de minério de ferro que seriam transportadas para a China, e 3,8 milhões de litros de óleo combustível.

Um gabinete de crise foi montado entre a Vale, a Marinha, a Polaris, e o Ibama para a retirada do óleo para estabilizar o navio com flutuadores e, depois, retirada do minério. A Petrobras chegou a ceder duas embarcações de contenção em caso de eventuais derramamentos de óleo ou minério, que chegaram ao local ainda em fevereiro.

MANCHA DE ÓLEO

Chegou a se falar em mancha de óleo de 333 litros. Mas, Marcelo Amorim, coordenador de Atendimento a Emergências Tecnológicas e Naturais do Ibama, explicou à imprensa que a mancha de óleo encontrada no primeiro sobrevoo feito pelo Ibama dois dias depois do incidente, era do óleo residual na parte superior do navio e em vários equipamentos. Ainda assim, a mancha se espalhou no entorno da embarcação, numa área de 800 metros. Mas o Ibama garantiu que os tanques com 3,8 milhões de litros de combustível estavam intactos.

Ministro do Meio Ambiente sobrevoou área em que navio Stellar Banner está encalhado

Outro episódio foi o sobrevoou do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, na manhã do dia 4 de março, na área em que está encalhado o navio Stellar Banner. Antes do sobrevoou, durante entrevista coletiva à imprensa de São Luís, na capital maranhense, Salles falou da preocupação do governo federal na retirada do óleo de forma correta, para que não houvesse vazamento. E fez elogios ao Gabinete de Crise.

“O trabalho está sendo muito bem feito. Ele é técnico e detalhado, que deve obedecer a todo um procedimento, e daqui por diante existe uma data prevista para que se inicie eventualmente o processo de retirada de óleo do local, desde que aprovado o plano retirada de óleo. Isso tudo segue um planejamento técnico”, declarou à época o ministro.

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