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Associação Maranhense de Arte e Educadores homenageia Luiz Pazzine

Associação Maranhense de Arte e Educadores (AMAE) homenageia o artista após a sua partida prematura.

Luiz Pazzine, educador, ator, encenador, dramaturgo, é descrito como “uma pessoa incrível” pela Associação Maranhense de Arte e Educadores (AMAE), que o homenageia após a sua partida prematura.

Luiz Pazzine, educador, ator, encenador, dramaturgo (Foto: Divulgação)

Um entusiasta da encenação por meio de fragmentos de textos, sobretudo textos fortes, que modificam pessoas, que faz pensar, que transformam pessoas. ‘Dramaturgia do Fragmento’ assim, falaremos dele, sobre ele. Um dos nossos mestres do Teatro Maranhense, que deixou viva a chama do fazer teatral na cena contemporânea.

Foi um dos fundadores do curso de Teatro da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e também criou, coletivamente, o Grupo de Teatro Cena Aberta – espaço de experimentação, encenação e pesquisa teatral.

Luiz Pazzine em cena (Foto: Divulgação)

Em vida, recebeu inúmeras homenagens, incluindo a “Mostra Luiz Pazzini”, na Semana Maranhense de Teatro – 2016, no Teatro Artur Azevedo, ocasião alguns de seus espetáculos, como: “Pigmalião”, “Negro Cosme”, “Meu Primeiro Amor”, “Cofo de Histórias” e “Lulu”, fizeram parte da programação.

Pazzine, era defensor de um teatro que faz a plateia pensar, reagir, refletir, conforme, dizia: Bertolt Brecht “Quero fazer um teatro com funções sociais bem definidas. O palco deve refletir a vida real. O público deve ser confrontado com o que se passa lá fora para refletir como administrar melhor sua vida” (1927 – A Òpera dos Três Vinténs).

Luiz Pazzine no palco (Foto: Divulgação)

“Luiz Roberto de Souza (Pazzini), paulista radicado no Maranhão desde 1992, dedicado ao seu trabalho de educação teatral, sendo o teatro fonte histórica de saberes e atitudes, Pazzini, foi definido pela sua irmã Cidinha e sua mãe dona Elza (92 anos), “ele é uma incondicional, um ser maravilhoso, sem maldades nenhuma”,  tomadas de tristezas pela ausência da família nesse momento ritualístico – da despedida, essência do teatro e muito praticado pelo mestre Pazzini, que: “os agradecimentos são grandiosos, eternos, pela rede de ajuda nesse momento tão necessário e que as circunstância impedem, continua a irmã “ o que consola dona Elza é saber que ele tem vocês ai no Maranhão, nesse momento difícil, a quem somos eternamente gratos”, na ocasião, eu repassei alguns nomes essenciais nesse rede de ajuda, ao modo de cada um, em especial ao Wagner Heineck, ao Arisson (ex. integrante do Cena Aberta), ao professor Paulo Cesar, entre vários outros e outras – professores da universidade, artistas, amigos e ex alunos – profissionais/pessoas que foram contagiados pela atuação engajada do profissional de Luiz Pazzini, na Universidade Federal do Maranhão, nas ruas e na vida social. A exemplo da sua constante presença nos eventos e movimentos sociais, por último com sua  presença e participação no engajado espaço de lazer e luta “Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis”, escritora maranhense a quem tinha admiração pela sua obra e atitude social”.

 Arão Paranaguá ( profº aposentado UFMA)

 Amor pelas aves.

Poderia ser uma história ou um poema,

Mas hoje vou falar do que eu sinto desse mundo.

Que poderia também ser chamando de segundo,

Mas não vou me alongar por esses temas.

Existem pássaros incríveis.

Existe uma espécie de pássaro que cuida do seu

E de outros ninhos

E se pudesse cuidaria inteiramente de todos os ninhos

Não porque gosta de seres com asas ou que voam

E não falam, só cantam, cantam…

Faz isso por amor a existência das aves.

E a humanidade talvez seja uma metáfora que não canta.

POESIA: In memória ao Luiz Pazzini e todos os amigos da mesma espécie de pássaro.

Daniel Falcão Bertholdo (profº de Arte – SEDUC)

  “Eu olhava para Pazzini e via Brecht. Antes mesmo de ter visto uma foto de Brecht. sempre achei a referência que ele fazia a Brecht, nas leituras dramáticas, era uma admiração a Bertold Brecht.  Aí, cheguei em casa, pesquisei e fiquei estarrecida com a semelhança (a meus olhos), imprimi a foto e entreguei para ele, Pazzine –  era uma homenagem. Ele perguntou: “Vc acha?” (…), assim foi marcada nossa relação.

Martha Brasil ( Profª de Arte / SEDUC).

“Amado mestre Luiz Pazzini, (…) Tu és o próprio Teatro em pessoa, o Ritual, a energia pulsante das bacantes… Tua intensidade nos é fonte de inspiração e todos nós seremos eternamente gratos pelo teu legado. Tu nunca se encerrarás, continuará em nós, em cada aluno, aluna, ator, atriz, amigo, amiga, pois por onde tu passaste, tu deixaste um pouco de ti. (…) vóa grande mestre, o céu com certeza se abrirá com Dioniso à porta com sua túnica Vermelha, cachos de uvas e um cálice de vinho pra te receber. Evoé Baco!!! Evoé PAZZINI!!! “

Cássia Pires (Chefe depart. de Artes Cênicas/UFMA)

 A fala a seguir, diz muito da preocupação do nosso mestre do Teatro, Luiz Pazzine, com o fazer teatral:

NEGRO COSME – Já dão coisas demais para o público ver, que tal darmos algo para ele pensar?

(fala do personagem Negro Cosme, da Obra Caras Pretas – de Igor Nascimento, um dos trabalhos realizados por Luiz Pazzini, “DIÁLOGO DOS MORTOS” no grupo Cena Aberta).

“(…) meu queridíssimo amigo Luiz Pazini, uma dessas pessoas que você jamais esquece, por sua alegria dionisíaca. (…) um grande artista da performance e do teatro contemporâneo e político, no Maranhão”.

Marcos Bulhões

“Luiz Pazzini, um nome que revolucionou a cena contemporânea do teatro maranhense com a performatividade, escritos de Walter Benjamin, Heiner Müller e principalmente com a pesquisa da Balaiada, Negro Cosme. A história dos vencidos importava.”

Dayana Roberta (amiga, aprendiz e ex-integrante do Cena Aberta)

“Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;

Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;

Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;

Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.”

Bertolt Brecht

“foi com Luiz Pazzini, que conheci Brecht, em suas aulas e para além delas, em sua postura, como educador e cidadão, (…).

Meire Assunção (discente de Arte).

“Comecei a gostar dos grandes mestres do teatro graças a Luiz Pazzini. Me identifiquei com os trabalhos de Jerzy Grotowski, nos tempos de acadêmico da UFMA, lí, “Em Busca de um Teatro Pobre” fato que reafirmou minha prática de yoga quando Grotowski afirma “A arte é um amadurecimento, uma evolução, uma ascensão que nos torna capazes de emergir da escuridão para uma luz fantástica” – então, como não gostar do mestre Pazzini?

José Miranda (profº Arte)

“(…) lembro quando o conheci, (…) no início dos anos 90, um rapaz ‘franzino’, (…) e em nada indicava que seria o professor, que nos anos seguintes me ensinou a amar Garcia Lorca, Lope de Vega, Molière, Brecht, dentre tantos outros. Me fez ler Mestres do Teatro I e II sem ‘arredar’ diante dos meus argumentos cheios de resistências.  (…) ele foi fundamental para minha progressão acadêmica, emprestando-me os livros de sua biblioteca. Primeiro quando prestei concurso pra UFMA e depois na seleção de doutorado, quando encontrei, no seu acervo, da sua biblioteca, um livro da Ileana Dieguez, com dedicatória a ele! (…), Luiz Pazzini, foi o professor, mestre, que ensina, conduz, apoia e orienta. É inesquecível para mim e para várias gerações de atores, atrizes e professores de teatro. Que Baco te acolha em um grande bacanal igual aqueles rituais que conduzias no CCH e resultaram na boa fama que aquele prédio tem como lugar de resistência e acolhimento de outras existências possíveis. Évoe, Baco!!!!”

Ana Socorro Ramos (profª de Teatro/UFMA)

“Com Pazzini, Aprendi muito sobre o teatro, com ele realizamos inúmeras encenações e leituras dramáticas de inúmeros fragmentos de textos teatral, sempre com o apoio irrestrito, era um ‘discípulo’ de Brecht, adorava  Antonin Artaud, Federico Garcia Lorca, entre outros grandes mestres do Teatro mundial. Lembro que, por ocasião do ensaio de “Bodas de Sangue” de Garcia Lorca, eu muito tímida, interpretava a mãe – uma mulher de aproximadamente 50 anos, possessiva, submissa, cheia de ódio (quando lembrava da morte do marido). Diante da situação do ensaio, Pazzini, como sempre empenhado para eu compreender a complexidade da personagem, conduzia o processo com jeito que era próprio com seu tom de voz gritava: “a NAVALHA…., a NAVALHA…., Navalha. Malditas sejam todas as navalhas e o canalha que as inventou!”. Com sua forma criativa, de fazer teatro, Pazzini, fará muita falta ao teatro maranhense.

Um amigo, um mestre, um ser humano bondoso – Pazzini presente sempre!!!”

Deuzenir Szekeresh (profª de Arte)

  “Pazzine é para mim um dos grandes mestres do teatro maranhense. Ele tinha a sensibilidade de reconhecer a força dramática nas ações mais simples. Seu teatro era de um engajamento, sem pudor de sê-lo. Isso é raro! Creio realmente que tivemos o privilégio de ter um encenador dos melhores, pela forma que dava a cena e pela capacidade de formar atores e atrizes questionadores. O teatro dele era uma arma, fez falta quando se aposentou da universidade, não há substituição para Pazzine, na cena do teatro maranhense”.

Fernanda Areias (Depart. de Artes Cênicas UFMA/Núcleo de Pesquisas Teatrais Rascunho)

“Lembro que, quando eu fiz a cadeira Teatro de Animação – na UFMA, uma das atividades, foi contação de uma história, utilizando alguns elementos. (…) decidi contar a minha história, utilizando lápis e canetas, para representar os personagens, ele ficou encantado, falou com entusiasmo do meu potencial como contador de histórias, pois havia conseguido prender a atenção de todos. Valorizando o fazer do estudante, função nossa enquanto professores de Arte, trabalhar com a auto-estima do educando”

Jorge Milton Ewerton Santos (Profº – Colun/UFMA)

 “PAZZINI, PRESENTE!

Luiz Pazzini, deixa um legado gigantesco para o campo da Arte no Maranhão. Nos deixa saudades e a lição de que arte precisa ser revolucionária, para arrancar-nos da realidade para, só assim, compreendermos a própria realidade e a condição humana. Os processos de suas produções, artísticas, alcançavam uma função social que humanizava os sentidos por meio de uma intervenção potente, direta, na realidade social”.

Micael Carvalho ( profº Colun/UFMA)

“Pazzini foi uma escola única e verdadeiramente Brechtiniana. O diretor/professor do Heiner Müller… do teatro épico de Anatol Rosenfeld… das discussões dramáticas de Iná Camargo… onde tudo poderia ser negociado, menos a ignorância e o compromisso político”

Waldemir Nascimento (diretor da Cia Cambalhotas / diretor do TAA)

“Luiz Pazzini, é e sempre será um suporte de luta pelo teatro maranhense, da academia aos espaços cenográficos deste Estado”

Tácito Borralho ( profº de Teatro/UFMA)

“Pazzini, continuará em nossas memórias e na memória do teatro, por meio das experiências vivenciadas e pelo afeto do coletivo. Ser humano com aspectos e voz inenarráveis. Uma das poucas pessoas que sabia ouvir com interesse. Com um olhar que nos deixava à vontade pra longos diálogos. (…) ele valorizava a pessoa. Gratidão por ter escolhido o Maranhão pra estar. Ganhamos e aprendemos com ele”.

Betânia Pinheiro (graduada em Artes Visuais/UFMA)

“Foi com ele que aprendemos sobre O Teatro. Que brilhamos os olhos pela primeira vez e todas as vezes que ele entrava em cena, que falava de Teatro. Foi com ele que todas as teorias se materializavam, se tornavam acessíveis e nos tornavam sensíveis. Ele emanava energia, carisma, paixão, conhecimento, força e luz. Que seu palco seja em outra dimensão, o céu e que se acendam os refletores para iluminar todo seu legado sobre todos nós”

Arte/educadores do Sesc MA

“ (…) Em sua forma mais profunda, poesia, o teatro de Pazzine. Nosso escombro espiritual sempre trará em si a marca de tua verdade diretor iluminador, abridor de caminhos!”

Marcelo Antunes (profº de filosofia/ UFMA)

“Pazzini, para mim, foi um herói! Com sua personalidade incrível contribuiu para minha consolidação como arte educador, seu olhar firme na apresentação nos mostrava o quanto é ter responsabilidade e astúcia em interpretar um personagem! Com você aprendi a amar a arte! Obrigado.  Hoje você é luz!”

Luis Félix (professor de arte) 

“com Luiz Pazzini, se estabeleceu entre nós, uma relação de respeito mútuo no âmbito profissional, pelo imenso prazer na busca de um fazer teatral cada vez mais consequente e transformador (…)”

Tourinho  (Ator / prof. de Arte SEDUC)

“Não caminhe detrás de mim, posso não te guiar. Não ande na minha frente, posso não seguir-

  1. Simplesmente caminhe ao meu lado e seja meu amigo”

Albert Camus

“para, assim era definida a relação do mestre Pazzini com os estudantes e amigos, e assim ele caminhava junto com todos”

Aline Barbosa Nascimento (profª de Arte)

Luiz Pazzini, presente!! – o Maranhão será seu eterno palco.

Assim, finalizamos o primeiro capítulo da ‘dramaturgia do fragmento, Luiz Pazzini’, um ser que sabia dizer SIM e sabia dizer NÃO, um ser que ao seu modo nos motivava a construir seu próprio ser consciente, conectado com a realidade, conectado com os ensinamentos da história da humanidade, nos grandes mestres do teatro, local e mundial.

Saudades eternas.

 Edilson Brito (prof de Arte – SEDUC/AMAE)

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