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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Reabertura do comércio não essencial já reflete na demanda das feiras e mercados

A constatação é dos próprios feirantes, que estimaram em 70% o aumento das vendas no período quando só estavam funcionando os serviços essenciais

Corredores de feiras e mercados já estão mais vazios, o que seria reflexo da reabertura do comércio não essencial (Foto: Gilson Ferreira)

Durante o auge da quarentena, as feiras e mercados de São Luís foram visitadas por diversas vezes pelo Jornal Pequeno, e sempre registraram grande movimentação de consumidores. O período de maior isolamento social e o lockdown não foram capazes de manter a população em casa. Sem opções de entretenimento, e com acesso livre às feiras e supermercados, as pessoas “corriam” para esses ambientes, mantendo-os aglomerados.

Feirantes disseram ao JP que aumentou a demanda por produtos alimentícios entre a última semana de março e o início do mês de maio, mesmo com alta nos preços. Mas, com a reabertura do comércio não essencial, esse movimento dificilmente deve ser mantido, e já há sinais de quedas nas vendas; além disso, com a baixa procura, o consumidor já compra mais barato alguns produtos, a exemplo das frutas, legumes e verduras.

De acordo com os feirantes, frutas, carnes e legumes foram os itens mais buscados, em São Luís, nos últimos meses. Eliane Galvão tem, no bairro do Bequimão, um sacolão – tipo de estabelecimento comercial que vende verduras e frutas. Nessa sexta-feira (19), a comerciante estava na Central de Abastecimento do Maranhão(Ceasa), localizada no Cohafuma, comprando mangas, para serem revendidas na sua loja.

Eliane contou que viu “boom de vendas” entre a última semana de março até o fim do mês de abril. A alta foi de 40% no volume de vendas.

“Eu vendi bastante. As pessoas estavam em casa, queriam consumir, queriam gastar, queriam sair de suas residências, e o meu sacolão estava onde sempre esteve, aguardando por elas. O comércio não essencial reabriu; e, praticamente, tudo voltou ao normal, aliás, houve uma ligeira queda nos meus negócios, pois a novidade agora são as lojas de roupas, calçados e eletrônicos, suponho”, disse a comerciante.

Em relação aos preços dos alimentos, o quilo da manga que Eliane escolhia para levá-la para o seu sacolão estava custando, ontem, R$ 4, na barraca de Luana Araújo, a mesma visitada pelo Jornal Pequeno no dia 8 de maio, quando fez pesquisa de preço durante a quarentena.

Luana informou que às sextas-feiras, na Ceasa, há promoções, e que devido a isso o quilo da manga estava por R$ 4, sendo que, em todos os outros dias da semana, o preço é de R$ 4,30. No dia 8 de maio, o quilo da manga era vendido pela feirante Luana por R$ 6.

“Houve uma queda nas vendas, baixamos os preços, com o propósito de que os alimentos não fiquem estagnados nas bancas ao ponto de apodrecerem, o que seria um prejuízo”, disse Luana.

Ainda na barraca de Luana, o saco de menos de meio quilo de acerola é vendido por R$ 2, e o quilo do mamão por R$ 4. Mas, na Ceasa, os feirantes disseram também que as distribuidoras baixaram os custos das mercadorias.

No mês passado, a feirante Maria José Pereira informou que antes da pandemia, a dúzia de laranja da sua barraca era vendida por R$ 5. Durante a quarentena, aumentou para R$ 6, e atualmente está R$ 5, e R$ 4,50 nas sextas-feiras de promoção.

FEIRA DA LIBERDADE

Na feira do bairro da Liberdade, o dono de um ponto de venda de frutas, Mauro da Conceição, disse que, no auge da quarentena, houve aumento de 70% nas vendas, algo que dificilmente deverá se repetir. “Sem dúvida, o alimento é algo essencial, mas acredito que esse aumento foi porque as pessoas não tinham para onde ir, aí vinham parar na feira, como forma de sair um pouco de suas casas. Desde o fim de maio que o volume de compras baixou. Acho que as pessoas estão em outros cantos da cidade, gastando seu dinheiro”, disse Mauro.

Perguntado se ele preferiria o período de quarentena em São Luís, o feirante respondeu que não. “Jamais, quero sair, também. Do que adianta o lucro nos negócios, se não temos como gastar. Ficar preso em casa não é nada fácil, até mesmo para alguém como eu, que saí todos esses dias de isolamento social para abrir meu comércio na feira, algo que ocupa praticamente o meu dia todo”, declarou Mauro.

A loja do feirante tem produtos tanto na parte interna, quanto externa; tendo, inclusive, uma banca gigante de bananas, fruta essa que atualmente pode ser comprada por R$ 3, a dúzia. Em maio, na feira da Cidade Operária, o preço mínimo da dúzia de banana era de R$ 3,50.

Ainda na feira da Liberdade, consumidores disseram que, finalmente, houve um “alívio”, nos preços. “Estava tudo muito caro, mas já houve uma melhorada. O quilo da cebola que chegou a R$ 9, comprei hoje (ontem) por R$ 6. O quilo do tomate há algumas semanas estava R$ 10, comprei por R$ 5”, disse o professor Isaías Costa.

No Mercado da Liberdade, que tem a estrutura fechada, e administrada pela prefeitura de São Luís, na ala de carnes, os comerciantes disseram que os preços se mantiveram, mas houve queda na procura. “Por vários dias, as pessoas faziam fila para comprar. Como se pode notar, não há ninguém no meu boxe, nesta manhã”, disse o comerciante Sérgio Rafael da Silva.

MERCADO CENTRAL

De acordo com o gerente do Mercado Central, Marcos Aurélio Araújo, é a distribuição de mercadorias que determina o preço final dos alimentos, repassado aos consumidores. “Como em qualquer feira da cidade, aqui também teve aumento, mas já ocorrem variações nos preços dos alimentos”, informou Marco Aurélio.

Sobre o movimento de pessoas no Mercado Central, o gerente disse que houve dias de pouca circulação de pessoas, mas somente bem no início da quarentena, devido ao receio da população de sair de casa, e que logo essa situação mudou, havendo o inverso, muitas pessoas procurando o Mercado Central.

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