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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Dependentes químicos têm subvida em barracões de São Luís

Na região, desde 2011, a Polícia Civil, o Caps-AD e a Semcas promovem ações de resgate para pessoas viciadas em entorpecentes

Delegado Joviano Furtado ouve usuários de drogas, na “Cracolândia” do João Paulo, onde muitos dormem dentro de barracos cobertos por plástico (Foto: Francisco Silva)

A permanência de viciados em drogas, na Rua Projetada, faz do João Paulo o bairro mais conhecido da região metropolitana de São Luís como a “cracolândia maranhense”. A quantidade de pessoas consumindo entorpecentes no local não faz jus ao termo, mas a “audácia” dos dependentes químicos, talvez, sim. Eles se utilizam das substâncias alucinógenas durante o dia, em meio ao movimento grande de feirantes e consumidores na via, devido à feira que existe na região. Algumas barracas improvisadas foram feitas pelos usuários na calçada do logradouro. Seriam essas habitações precárias o endereço daqueles que têm uma subvida. Grupos que se reúnem para usar drogas costumam dormir na própria via.

Por conta disso, com pedaços de madeira, sacos, e lonas pretas algo que se assemelha a uma barraca foram construídos na calçada da rua. As estruturas são tão precárias que se julgam serem amontoados de lixos em forma de ‘casa’, mas que pelo menos proporcionam proteção contra o sol, o que gera um pouco de conforto para alguns; outros, ainda disseram dormir ao relento.

Nessa sexta-feira (17), o Jornal Pequeno encontrou, à luz do dia, Edilson Santos, de 49 anos, e a mulher dele, fumando um cachimbo de crack sem serem incomodados, na Rua Projetada do João Paulo. Eles estavam jogados em uma calçada, alheios à pandemia do coronavírus.

“Estou aqui há dez anos. Trabalho ajudando no carregamento de mercadorias na feira. Na verdade, faço qualquer serviço que os feirantes solicitam, são bicos”, informou Edilson.

Ainda na sexta-feira, o JP encontrou Elcilene Aparecida Maia, 46. “Estou tirando cobre desse equipamento para vender, junto a essa sucata e a cadeira branca de plástico que coloquei no carrinho de bebê. Por dia, costumo conseguir R$ 60 ou R$ 70, com a venda desses itens. Estou aqui no João Paulo unicamente devido ao fato de eu ser viciada. Eu saio e volto, saio e volto. Minha atual permanência já completou cinco meses, e antes eu estava em São José de Ribamar, onde tenho casa. Eu quero parar com isso, mas não consigo, o vício me domina”, informou Elcilene.

POLÍCIA CIVIL NA ÁREA

As conversas entre a equipe de reportagem com Edilson e Elcilene foram acompanhadas pelo delegado Joviano Furtado, que desde 2011 incentiva os dependentes químicos da Rua Projetada a procurarem e permanecerem no tratamento médico.

Joviano Furtado estava na área ontem, devido à realização de mais uma ação de resgate da Polícia Civil.

“Este é um trabalho que eu faço desde 2011, quando eu era supervisor de áreas integradas de Segurança Pública. Há nove anos, eu já tinha a consciência de que a situação aqui era uma questão, também, médica e de assistencialismos. Convidei, então, o Centro de Assistência Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps-AD) e a Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas) para fazerem parte do projeto. Uma década atrás, havia na Rua Projetada mais de 100 usuários de droga”, informou o delegado Joviano Furtado.

Não havia, pela manhã de ontem, na Rua Projetada, policiais fazendo ronda, e esse trabalho nem seria de costume. Segundo Joviano Furtado e feirantes, os dependentes químicos não ameaçam a segurança pública na área, pois eles costumam trabalhar para sustentarem o vício. Devido a isso, os viciados circulam e fumam crack tranquilamente, dando a impressão de que o lugar se naturalizou como um espaço próprio para eles.

CONSUMO DURANTE A PANDEMIA

No que pode ser percebido, os usuários de droga não têm higienização constante de mãos e objetos. Para fumar o crack, muitos compartilhariam cachimbos entre si, sem qualquer cuidado, e não existiam nessa sexta-feira locais próximos para higienização.

Por outro lado, a Polícia Civil, o CapsAD e a Semcas realizaram ontem a nona ação de resgate de 2020, tendo sido a quinta no período de pandemia, de acordo com Joviano Furtado.

O diretor do Caps-AD, Marcelo Costa, informou que ontem foram realizados 108 testes para aferição de pressão e glicemia, 45 testes rápidos para HIV, sífilis, hepatite e Covid-19, sendo dado apenas dois positivo ou reagente para sífilis (o resto tudo negativo, não reagente), 55 doses de vacina contra gripe aplicada, e uma internação para dependência química, no Caps-AD.

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