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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Prédio onde funcionava a Maternidade Nazira Assub está abandonado desde 2017

Mulheres do lugar precisam se deslocar para a região central de São Luís, a fim de dar à luz seus filhos.

Desde 2017, a comunidade da Estiva espera reforma na Maternidade Nazira Assub, que segue sem atender às mulheres do bairro (Foto: Gilson Ferreira)

No prédio onde funcionou a tradicional Maternidade Nazira Assub, no bairro da Estiva – zona rural de São Luís, o cenário há três anos é de total abandono. A unidade de saúde foi fechada logo após a primeira visita do Jornal Pequeno ao endereço, ocorrida no dia 1º de agosto de 2017, quando deveria ter sido iniciada uma reforma que nunca aconteceu.

O imóvel está com portas, janelas e telhado quebrados, fora outros danos em sua estrutura. A moradora do bairro Marina Silva, de 48 anos, disse que deu à luz às suas filhas de 20 e 25 anos na Nazira Assub, e que na época a maternidade tinha nota de excelência.

“Mas, isso foi há tempos. A realidade é outra. Hoje, já tenho até neto, que não nasceu na Nazira Assub, porque já estava fechada”, informou Marina Silva.

Mônica Souza tem uma banca de frutas próxima da unidade de saúde abandonada. Ao JP ela contou que trabalhou como vigilante na maternidade durante um ano, de 2014 a 2015, e durante este período a situação já não era das melhores. “Eram os médicos quem traziam máscaras, luvas e até mesmo remédios, mas estes itens faltavam no estoque da Nazira Assub. Houve situação de fazermos ‘vaquinha’ para a compra de mantimentos”, destacou Mônica Souza.

Os moradores da Estiva disseram que, atualmente, os pré-natais de mulheres grávidas do bairro são feitos no Centro de Saúde Laura Vasconcelos, localizado próximo ao prédio Abandonado da Nazira Assub. Já os partos precisam ser feitos em outros bairros de São Luís.

“O Centro de Saúde Laura Vasconcelos não tem ambulância. A família da mulher grávida quando não tem carro, se submete a pagar um frete de aproximadamente R$ 100, ou chama o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que demora muito para vir”, informou Mônica.

OUTRAS VISITAS DO JP

No dia 1º de agosto de 2017, a equipe de reportagem do Jornal Pequeno visitou a maternidade pela primeira vez. A unidade de saúde estava aberta, mas com restrições: somente as grávidas em trabalho de parto eram atendidas. O motivo foi a severa falta de infraestrutura que a Nazira Assub enfrentava, apresentando equipamentos com defeito, infiltração, forro e pintura arrancados, aparelhos de ar condicionado parados e lâmpadas removidas.

No dia 22 de agosto de 2018, o JP fez nova visita, o prédio da maternidade já tinha sido desocupado, mas havia um vigilante tomando de conta do imóvel. Ontem, apenas marimbondos foram vistos na portaria.

OBRA

Em 2017, por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informou que a Maternidade Nazira Assub passaria por obras de recuperação da sua estrutura física e adequação das salas de parto, pré-parto e parto humanizado.

A Semus ressaltou que seria emitida a ordem de serviço para início dos trabalhos ainda no mês de agosto daquele ano. Em 2018, também por meio de nota, a Semus informou que a ordem de serviço para dar início à reforma chegou a ser assinada, mas a empresa não cumpriu o que constava no projeto.

A Semus comunicou, ainda, que estava sendo feita uma nova licitação para dar continuidade aos trabalhos, mas que nunca sequer foram iniciados.

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