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Maranhão e outros 7 estados têm alta de casos graves de Síndrome Respiratória, alerta Fiocruz

Pela primeira no Brasil, a média da idade de internações em geral e em UTIs de todo o país está abaixo dos 60 anos.

Maranhão e outros 7 estados têm alta de casos graves de Síndrome Respiratória (Foto: Divulgação)

O número de casos graves de Síndrome Respiratória voltou a subir em diversos estados, segundo dados da nova edição do Boletim do InfoGripe, da Fiocruz, que monitora a situação no país de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O novo boletim alerta que muitos estados, que tiveram redução de casos nas semanas anteriores, apresentam tendência de reversão ou aumento, incluindo o Maranhão.

A análise é referente ao período de 9 a 15 de maio de 2021. A incidência de doenças respiratórias, que em casos graves demandam hospitalização ou até mesmo óbitos, são atualmente em grande parte devido a infecções por Covid-19.

O estudo mostra ainda que oito dos 27 estados apresentam sinal de crescimento. São os casos de Amazonas, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Tocantins, Distrito Federal e Rio de Janeiro. Entre os demais, observa-se indícios de interrupção da tendência de queda na Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, e São Paulo. Também verificada tendência de estabilização em Minas Gerais, e Piauí, embora nesses dois estados os indícios não sejam tão claros quanto nos anteriores.

“É importante ter redução sustentada de número de casos para uma recomposição do sistema de saúde, inclusive com vistas a reduzir taxa de ocupação de leitos. Como vem sendo aleretado, diversos  estados ainda estão com valores similares ou até mesmo superiores aos picos avaliados ao longo de 2020”, destaca o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.

Segundo Marcelo Gomes,  como os valores atingidos em diversos estados durante a fase de crescimento observada em 2021 foram extremamente elevados (em diversos estados o pico de 2021 foi superior aos picos de 2020), a retomada das atividades de maneira precoce pode levar a um quadro de interrupção da queda ainda em valores muito distantes de um cenário de segurança:

“Tal situação, caso ocorra, não apenas manterá o número de hospitalizações e óbitos em patamares altos como também manterá a taxa de ocupação hospitalar em níveis preocupantes, impactando todos os atendimentos, não apenas aqueles relacionadas à síndromes respiratórias e Covid-19.”

Levantamento  feito a partir do Boletim do Observatório na semana epidemiológica 9 (28 de fevereiro a 6 de março) deste ano – quando o cenário epidemiológico se desenhava à beira do colapso com quase todos os estados em níveis críticos de ocupação de leitos – indica que a incidência média de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) era 15,5 casos por 100 mil habitantes. No momento atual, este indicador encontra-se em 11,4 casos por 100 mil habitantes, que é um valor extremamente elevado.

“Portanto, novos possíveis aumentos, em um cenário de flexibilização das políticas de contenção ou bloqueio da transmissão e da vigilância epidemiológica, poderiam reverter ao quadro crítico observado”, garante o pesquisador.

Média da idade de internações de todo o país está abaixo dos 60 anos

Estudo do Observatório Fiocruz Covid-19 mostra ainda que, pela primeira no Brasil, a média da idade de internações em geral e em UTIs de todo o país esteve abaixo dos 60 anos. Os dados são referentes à análise realizada pelos pesquisadores do Observatório, que comparou às semanas epidemiológicas 1 (03 a 09 de janeiro) e a semana epidemiológica 18 (02 a 08 de maio) de 2021. A media da idade das internações, ou seja, a idade que delimita a concentração de 50% dos casos, foi de 66 anos na Semana Epidemiológica (SE) 1,  e 55 anos na SE 18. Já a média de idade de internações em UTI foi de 68 anos na SE 1, e 58 anos na SE 18.

Aliás, o  ano de 2021 vem, a cada semana, apresentando o rejuvenescimento da pandemia. Diferentemente das últimas semanas, mais da metade dos casos de internação hospitalar e internação em UTI ocorreram entre pessoas não idosas. Em relação aos óbitos, embora a media ainda seja superior a 60 anos, ao longo de 2021 houve uma queda num patamar de 10 anos. Os valores de mediana da idade dos óbitos foram, respectivamente, 73 e 63 anos.

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