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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Policiais militares são investigados por suposto crime de abuso de autoridade em São Luís

Formado por cinco PMs, entre eles um sargento e uma capitã, o grupo foi denunciado por ter invadido um apartamento no bairro do Anil.

PMs investigados tiveram entrada ao condomínio liberada, após dizerem ao porteiro que estavam averiguando uma denúncia de violência doméstica (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil, por meio da Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor), está investigando um suposto caso de abuso de autoridade, envolvendo cinco policiais militares, ocorrido na madrugada do último domingo (11), por volta de 1h30, em São Luís.

Conforme informações obtidas pelo Jornal Pequeno, os PMs teriam invadido um apartamento no condomínio EcoSpace III, no bairro do Anil, sob a alegação de estarem atendendo a uma denúncia de tráfico de drogas, sem apresentar mandado judicial. Porém, ainda conforme narrado ao JP, a ocorrência não era de conhecimento dos superiores dos militares, nem do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops).

Os militares foram identificados como capitã S.J.J.S; sargento R.J.F.M e cabo V.S.L; e os soldados R. e R.

A reportagem apurou que a denúncia foi feita por uma das vítimas, que é proprietária do apartamento supostamente invadido, localizado no primeiro andar de um dos blocos do EcoSpace III.

O dono do imóvel, de acordo com o inquérito aberto na Seccor, ligou para o Ciops, por volta de 1h30 de domingo, e informou que olhou um homem sem farda, usando luvas, abrindo a porta de vidro de sua varanda. E que, pensando serem assaltantes, se trancou no quarto, com sua mulher, e começou a chamar por ajuda. Ele abriu a porta somente depois de as pessoas já terem entrado e se identificarem como policiais militares.

Do lado de fora, ele percebeu que eram quatro pessoas, três homens e uma mulher. O quarteto revistou o apartamento, alegando que estava atrás de drogas e perguntava se a vítima escondia entorpecente em sua casa.

Após concluírem as buscas, sem localizar os entorpecentes, os policiais disseram que foram ao local apurar uma denúncia e que haviam entrado no imóvel errado. Ocasião na qual o proprietário do apartamento disse que iria se deslocar com os militares até a delegacia, mas os PMs teriam dito que isso não iria acontecer, saíram e entraram numa viatura do tipo Duster.

A vítima narrou ainda que a entrada dos militares foi autorizada pelo porteiro do condomínio, pois a guarnição teria dito que havia ido apurar uma denúncia de agressão a mulher. Depois da ação, o comando da Polícia Militar foi informado sobre a ocorrência pelo síndico do condomínio, que liberou as imagens das câmeras de segurança, possibilitando a identificação dos envolvidos.

Por meio das imagens foi possível determinar que a viatura usada era a de uma guarnição do João de Deus, composta pelo sargento R.J.F.M e o cabo V.S. Os outros três militares, que estavam à paisana, eram a capitã S. e os soldados.

O Jornal Pequeno apurou que os dois PMs da viatura do João de Deus não haviam comunicado as supostas denúncias ao Ciops, nem de tráfico de drogas nem de agressão a mulher, e muito menos ao coordenador do policiamento do 6º BPM, naquela data, o segundo tenente Odemar.

Após a identificação, os policiais foram localizados e conduzidos ao Plantão Central da Cidade Operária, pelo major Adonias, supervisor do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM). A capitã S. e o sargento R. foram presos em flagrante por abuso de autoridade e liberados após pagarem fiança de R$ 1.100.

INQUÉRITO NA SECCOR

Na terça-feira (13), o caso foi passado para a Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor), que tem como titular o delegado Ricardo Luiz de Moura e Silva, que está à frente da investigação. Ele explicou que um inquérito foi aberto e deverá ser concluído em até 30 dias.

“Aqui, vamos apurar a materialidade e os demais envolvidos, para se chegar até o final das investigações. Inclusive se pesa contra esses policiais outros fatos, para concluirmos e encaminharmos à Justiça”, frisou.

Ainda de acordo com o superintendente da Seccor, até o momento, o grupo responde apenas pelo crime de abuso de autoridade, devido à invasão sem permissão ao imóvel.

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