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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Especialistas em açaí ensinam manejo e recuperação de açaizais nativos a produtores maranhenses

O potencial de mercado do açaí cresceu de maneira significativa nos últimos anos.

O potencial de mercado do açaí cresceu de maneira significativa nos últimos anos (Foto: Divulgação)

Pesquisadores da Embrapa Cocais, Embrapa Amapá, Embrapa Amazônia Oriental e Embrapa Meio Norte vão se reunir neste mês de fevereiro para difundir as tecnologias de manejo e recuperação de açaizais nativos em municípios do noroeste do Maranhão, região responsável pela maior parte da produção de açaí do estado. No dia 12, no Centro de Referência Educacional Professora Maria Valdionice Pereira da Silva em Carutapera-MA, das 8h às 17h, será realizado seminário técnico sobre potencial do açaí na região do Gurupi-MA e, no dia 13, das 8h às 12:30h, dia de campo sobre manejo de açaizais nativos em Amapá do Maranhão, na Unidade de Referência Tecnológica – URT (MA 206, KM 28) em Amapá do Maranhão-MA.

A URT foi instalada há um ano pela Embrapa Cocais e parceiros com recursos do Fundo Amazônia na região tradicional em produção de açaí. Espera-se cerca de 150 agricultores familiares e técnicos participem de cada um dos eventos.

A iniciativa conta com a parceria da Secretaria de Agricultura Familiar – SAF e das seis secretaria de agricultura dos municípios da região: Amapá do Maranhão, Carutapera, Cândido Mendes, Godofredo Viana, Boa Vista do Gurupi e Luís Domingues. Ao final do seminário, será realizada assinatura de Acordo de Cooperação Técnica entre a Embrapa Cocais e a SAF, respectivamente pela chefe-geral da Embrapa Cocais, Maria de Lourdes Mendonça, e o secretário de Estado da Agricultura Familiar, Júlio César Mendonça Corrêa, no âmbito do Programa da Cadeia Agroextrativista da Juçara/Açaí e entrega simbólica de mudas de açaí, banana e cupuaçu a beneficiários do programa.

O Maranhão é o terceiro estado maior produtor de açaí no País, perdendo somente para o Pará e o Amazonas. A região noroeste do estado, no passado, possuía produção cerca de dez vezes maior que a atual. Segundo o pesquisador da Embrapa Cocais José Mário Frazão, por falta de manejo adequado, a produção vem declinando e perdendo espaço, ano a ano, para as pastagens. A URT ocupa área de 7,5 hectares onde, há 10 anos, produzia-se cerca 1500 latas de açaí. Antes do da aplicação do manejo tecnológico, a produção estava para menos de 200 latas de fruto.

“A previsão é de que, em cinco anos a produção ultrapasse à produção original. Estamos juntos, os especialistas em açaí da Embrapa, investindo em conhecimento e tecnologia para retomar a produção do açaí na região. Na URT, são aplicadas tecnologias simples, como o desbaste dentro das touceiras, assim como eliminação de espécies sem valor econômico”, declarou o pesquisador.

Também estarão presentes aos dois eventos os pesquisadores José Antonio Leite de Queiroz, Silas Mochiutti e José Tomé de Farias Neto, reconhecidos nacionalmente pela excelência de seus conhecimentos no cultivo e manejo de açaí.

Manejo de açaizais nativos – Busca equilibrar a população de açaizeiros que ocorrem naturalmente na floresta de várzea garantido mais alimento e renda às famílias ribeirinhas. Com essa técnica que não exige investimento em infraestrutura, a produtividade do açaizeiro pode dobrar de 4,2 t/ha para 8,4 t/ha de frutos. Ela baseia-se na eliminação das plantas de espécies arbustivas e arbóreas de baixo valor comercial, cujos espaços livres são ocupados por plantas de açaizeiros oriundas de sementes que germinam espontaneamente, de mudas preparadas ou transplantadas das proximidades e por outras espécies de valor econômico, como fruteiras e florestais. O segredo está na relação e no equilíbrio entre as plantas de açaí e outras espécies na mesma área.

Nova Cultivar – Durante o seminário, será apresentada a nova cultivar de açaí em terra firme da Embrapa: BRS Pai D´Égua. Segundo os especialistas, o cultivo de açaí em terra firme com irrigação tem se mostrado mais atraente, pois permite que a maior parte das atividades sejam mecanizadas, inclusive a colheita, além de propiciar a obtenção de produtividades bem mais elevadas que a dos açaizais nativos manejados. Outra vantagem verificada no cultivo de açaí em terra firme com irrigação é a eliminação ou redução da sazonalidade da produção de frutos.

O potencial de mercado do açaí cresceu de maneira significativa nos últimos anos. O fruto deixou de possuir uma dimensão regional para ganhar importância nacional e, mais recentemente, internacional. O crescimento do mercado do açaí está associado aos benefícios à saúde que a ciência vem atribuindo à ingestão desse alimento, que apresenta em suas propriedades vitaminas do complexo B, C, além de sais minerais, como o ferro, cálcio e potássio, e fibras.

Fundo Amazônia – Embrapa participa com o Projeto Integrado para a Produção e Manejo Sustentável do Bioma Amazônia, financiado pelo Fundo Amazônia e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O projeto busca promover a produção e a disseminação de conhecimentos e tecnologias voltadas para a recuperação, conservação e uso sustentável da Amazônia, por meio de apoio a projetos e ações de pesquisa, desenvolvimento, transferência de tecnologia, intercâmbio de conhecimentos e comunicação rural. Trata-se de um projeto de grande escala, que requer esforços sincronizados e orquestração precisa de nove dos quarenta e dois centros de pesquisa da Embrapa em todo o Brasil, que atuam diretamente na região, além de parcerias institucionais de âmbito local e nacional.

Ao todo são dezenove projetos, que compõem quatro arranjos maiores (grupos de projetos afins), cada um composto por projetos de abrangência regional, estadual ou local, selecionados através de chamadas internas e executados por centros de pesquisa que atuam naquele bioma: Monitoramento do Desmatamento e da Degradação Florestal e Serviços Ecossistêmicos; Manejo Florestal e Extrativismo; Tecnologias Sustentáveis para a Amazônia; e Aquicultura e Pesca.

A Embrapa Cocais atua Arranjo 2 – Restauração, manejo florestal e extrativismo, cujas prioridades são: desenvolvimento e transferência de tecnologias de manejo florestal, com ênfase no manejo florestal comunitário e na agricultura familiar; avaliação e monitoramento do manejo de espécies madeireiras nativas da Amazônia; desenvolvimento e transferência de tecnologias para restauração florestal, incluindo manejo, produção e armazenamento de sementes e mudas e sistemas silviculturais para o bioma Amazônia; desenvolvimento e transferência de tecnologias de coleta, armazenamento, beneficiamento e agregação de valor de produtos da sociobiodiversidade; transferência de tecnologias e treinamento em boas práticas para a produção de produtos florestais não-madeireiros; e regularização ambiental e recuperação de Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal.

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