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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Dia mundial da água: soluções contra desperdício se multiplicam, mas perdas e racionamentos ainda são realidade

Situação crítica de cidades no Brasil e no mundo faz com que evitar o desperdício de água seja cada vez mais importante. Mercado oferece cada vez mais soluções nesse sentido

Entre 2014 e 2016, uma das principais cidades do Brasil e do mundo passou por uma situação dramática: um rígido racionamento de água. Durante dois anos, São Paulo viu os níveis de seus reservatórios caírem em baixas históricas. Entre 2017 e 2018, foi a vez da capital federal: os habitantes de Brasília se depararam com torneiras secas durante boa parte do tempo durante um ano e cinco meses. No exterior, metrópoles como a Cidade do Cabo, na África do Sul, também têm se visto com dificuldades para suprir as necessidades de água de seus moradores.

Ao contrário do que muitos pensam, não foram só os hábitos de consumo da população que levaram as metrópoles a essa situação dramática. De acordo com especialistas, fatores como a mudança climática enfrentada pelo planeta, que tem mudado o regime de chuvas, e a própria infraestrutura de distribuição hídrica das cidades, muitas vezes falhas, também têm sua parcela de responsabilidade.

A boa notícia é que os cidadãos, o poder público e o mercado têm se engajado cada vez mais para evitar o desperdício de recursos, seja de água ou de outras fontes energéticas e materiais em geral.

Pequenas atitudes são fundamentais para evitar desperdício de água

Fechar a torneira enquanto se lava a louça ou se escova os dentes, estar atento a vazamentos em casa e preferir chuveiros com vazão mais eficiente. Por mais que todas essas pareçam ser escolhas pessoais, tais hábitos têm muita influência sobre a população como um todo, uma vez que impactam o consumo de água da sociedade. Por conta disso, campanhas de conscientização para a mudança de hábito são o primeiro passo em direção a um mundo com zero desperdício de água.

Vale ressaltar que, além disso, é interessante que as pessoas adotem um estilo de vida que tenha uma pegada ecológica reduzida. Isso é importante pois, além de o consumo de água em si ser reduzido, isso ajuda a retardar os efeitos nocivos trazidos pela mudança climática. Como tais alterações têm uma influência importante sobre o regime de chuvas, hábitos com baixo impacto sobre o ambiente também ajudam a evitar medidas drásticas, como racionamentos.

Poder público também tem papel importante para evitar desperdício de água

Normalmente, a população vê o poder público como o vetor por trás de campanhas de conscientização para a redução do consumo de água. Por mais que isso seja parcialmente verdadeiro, o governo também tem outro papel essencial para evitar racionamentos: a melhora na infraestrutura de distribuição de água nas cidades.

Tal medida é importante pois, de acordo com especialistas, boa parte do líquido tratado se perde em vazamentos ao longo do sistema. Um estudo do Instituto Trata Brasil e da GO Associados aponta que, nacionalmente, essa taxa de desperdício estava próxima aos 40%, sendo que, em alguns municípios, ela supera os 50%.

Para que essa realidade mude, é fundamental investir em melhorias em toda a infraestrutura de tratamento e distribuição de água. Isso inclui desde as estações que tornam o líquido próprio para o consumo até os canos que o transportam para residências e comércios, buscando e arrumando locais onde a água pode vazar e se perder.

Mercado desenvolve cada vez mais soluções contra o desperdício de água

As crises hídricas enfrentadas por cidades no Brasil e no mundo têm feito com que o mercado privado também desenvolva soluções ecológicas e de baixo consumo. Por exemplo: alguns aeroportos do Brasil, como o de Curitiba, já contam com sistemas de captação da água da chuva para uso em locais como as descargas de banheiros. Também existem alternativas de design para chuveiros e torneiras que reduzem a quantidade de água usada, mas sem prejudicar a experiência do usuário.

Mudança climática exige atenção redobrada para evitar desperdício de água

Derretimento do gelo dos pólos, aumento da média da temperatura global e chuvas torrenciais em determinados lugares do globo. Cientistas apontam que todos esses fenômenos são mostras de que existe uma mudança climática em curso no mundo, que, por sua vez, pode trazer consequências catastróficas para a sociedade.

Se, por um lado, esse fenômeno pode gerar chuvas acima da média em certos locais, em outros ele pode trazer secas nunca antes vistas. Além disso, fenômenos extremos, como tempestades, podem prejudicar as redes de tratamento e distribuição de água potável, colocando a continuidade do serviço em risco.

Por esse motivo, é fundamental que a sociedade como um todo esteja atenta às mudanças em curso, e se engaje cada vez mais em sua redução. Do contrário, o atingimento da meta de se ter desperdício zero de água ficará cada vez mais difícil de ser alcançada.

 

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