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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Empresa de telemarketing é denunciada por manter funcionários aglomerados em ambiente de trabalho

Funcionários trabalham lado a lado, realizando serviços de call center, em uma sala totalmente fechada, sem o mínimo de ventilação

No interior da Elo, as pessoas trabalham próximas umas das outras, desrespeitando o básico da prevenção ao coronavírus (Foto: Divulgação)

Denúncias comprovadas por meio de fotos, feitas na manhã de ontem (24) e enviadas à redação do Jornal Pequeno, mostram que funcionários da empresa Elo Contact Center, localizada no bairro do São Cristóvão, trabalham lado a lado, realizando serviços de call center, em uma sala totalmente fechada e sem o mínimo de ventilação.

A Elo Contact Center presta serviços de telemarketing para operadoras de celular, TVs por assinatura e órgãos públicos, funcionando das 8h às 21h50. A situação contraria a recomendação do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais de Saúde, que orienta qualquer pessoa a manter uma distância de no mínimo um metro e meio, quando não há o uso de máscara, ou de um metro, se estiverem usando, para diminuir o risco de contágio do coronavírus.

Uma pessoa que trabalha na Elo Contact Center, que preferiu não se identificar, informou ao JP que é protocolo de a empresa manter todos os computadores ocupados, e que as máquinas não estão instaladas com distância nem de um metro uma das outras, e que o local onde ficam centenas de funcionários aglomerados é um salão grande e fechado, com ar condicionados ligados, e sem nenhum acesso à ventilação externa.

A reportagem ouviu outro trabalhador, que também pediu para não se identificar. De acordo com esta pessoa, no prédio da empresa existem segmentos como plano controle e pós-pago, cada um com determinado número de equipes, sendo que cada equipe é formada por um supervisor e cerca de 22 operadores, que realizam o serviço de call center.

A informação é que várias equipes trabalham em um único salão, causando a aglomeração. Segundo o decreto de nº 35.677, editado pelo governador Flávio Dino no último sábado (21), os serviços de telecomunicações não estão inclusos na suspensão de que trata o artigo 1º do documento. Neste artigo, é dito que, com vistas a resguardar a saúde da coletividade, está suspensa por 15 dias (a partir de sábado, 21) a realização de atividades não essenciais. Porém, o mesmo decreto recomenda a “não aglomeração de pessoas”.

Conforme as denúncias feitas pelas pessoas que trabalham na Elo, em apenas um setor que presta serviços para apenas uma operadora de celular, os funcionários permanecem ocupando um andar inteiro do prédio instalado no São Cristóvão. E estes colaboradores estão “vendendo planos” pelo telefone, algo que, diante do cenário de contaminação do Covid-19, não se conjecturaria serviço “essencial”.

“Há a parte receptiva, de atendimento ao cliente, para soluções de possíveis problemas. Mas, há setores que trabalham 100% com venda. O que pode ser tirado de conclusão é que esta atividade não passa a ser essencial, em meio à pandemia do Covid-19, que estamos enfrentando. A população não precisa hoje de ligações de telemarketing para a oferta de planos de assinatura de telefones”, opinou um dos trabalhadores.

Outra informação é que haveria vários colaboradores da empresa gripados. Segundo as denúncias, os únicos basculantes no prédio da empresa estão nos banheiros, as salas e o salão operacional têm estrutura de uma caixa fechada. Os colaboradores da empresa de telemarketing disseram que esperavam um posicionamento dela, em relação aos trabalhos que podem ser feitos em casa, no sistema “home office”. Eles informaram que os trabalhos remotos seriam permissíveis apenas para grávidas, e para quem estiver gripado.

Foi dito ainda ao JP que, na praça de alimentação da empresa, uma mesa pequena está sendo dividida por duas pessoas, e uma grande, por seis; mas, depois que realizam as refeições, os funcionários ficam juntos, dividindo poltronas, ainda no tempo deles de descanso.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) esclareceu, por meio de nota, que, de acordo com o Decreto Estadual n° 35.677, de 21 de março de 2020, são proibidas as práticas relatadas. Deste modo, o descumprimento do mesmo pode resultar em detenção, de um mês a um ano, e multa, conforme previsto pelo art. 268 do Código Penal.

Em casos como este, a SES orienta que seja realizada denúncia à Polícia Militar, por meio do telefone 190.

De acordo com o último balanço da Secretaria Estadual de Saúde do Maranhão (SES-MA), no estado há oito casos da doença confirmados por diagnóstico laboratorial.

Nesta quarta-feira (25), funcionários da empresa mais uma vez procuraram o JP, para informar que, após as denúncias, policiais militares visitaram hoje a Elo Contact Center. De acordo com funcionários, a alternância dos postos de trabalho, que teria sido feita hoje, ocorreu somente em um dos andares do prédio da empresa, havendo ainda aglomeração no andar superior. Durante a fiscalização, policiais teriam feito fotos de todos os andares da empresa.

A Elo Contact Center se defendeu dizendo que iniciou desde a última semana de fevereiro diversas medidas de prevenção e conscientização. A nota na íntegra da Elo Contact Center será publicada nessa sexta-feira (26), na versão impressa do Jornal Pequeno, e já está disponível no site do jornal.

Confira a nota na íntegra

A empresa Elo Contact Center, em consonância com sua atuação responsável e em conformidade com as diretrizes legais, não está medindo esforços para garantir a segurança de seus colaboradores e a continuidade do atendimento à comunidade em geral, seguindo as diretrizes da Organização Mundial de Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão, adotando medidas de prevenção ao contágio e de combate à propagação do Coronavírus.

Enquanto empresa de Call Center realizamos atividades essenciais, indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, garantindo a cadeia produtiva relativas ao exercício e ao funcionamento de serviços públicos e demais atividades essenciais, incluindo a assistência à saúde, aos serviços de telecomunicação, internet, e afins.

Assim, iniciamos desde a última semana de fevereiro diversas medidas de prevenção e conscientização, sendo referência no mercado de Contact Center de todo o Brasil.

Dentre as ações adotadas, com destaque aquelas visando o distanciamento social, realizamos a alternância entre as posições de atendimento e a reestruturação na escala de horários, pausas e intervalos de nossos colaboradores. As posição de atendimento contém barreiras em suas laterais, garantindo maior distanciamento e isolamento. Adotamos a pratica de trabalho remoto, priorizando as gestantes e grupos de risco, e estamos realizando a migração gradativa de toda a operação e áreas administrativas, encaminhando diariamente cerca de 100 pessoas para realizar trabalho remoto, com o objetivo de que até o próximo sábado estejamos com 65% de nossos colaboradores em home office.

Dimensionamos nossa equipe de limpeza para garantir a higienização periódica de todas as áreas de contato como corrimões, maçanetas, cadeiras, mesas e demais superfícies e disponibilizamos álcool 70% em gel em todas as dependências da empresa. Já disponibilizamos habitualmente para uso dos colaboradores a esponja de proteção e tubo de voz, de uso individual para os headsets, além da garantia de acesso às áreas de higienização, providas de água corrente, sabonete líquido e toalhas descartáveis, e estamos diariamente conscientizando sobre as boas práticas para prevenção ao contágio do COVID-19.

Assim, temos a confiança de que as medidas adotadas vão nos ajudar a enfrentar juntos este momento delicado, mantendo nosso compromisso de atender as necessidades da coletividade sempre com excelência, preservando o bem-estar e a saúde de nossos colaboradores.

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