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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Professora de educação física auxilia amigos e alunos no enfrentamento ao isolamento

Durante a quarentena, Márcia Millena liberou seu plano de aplicativo com vídeos de exercícios para serem feitos em casa

Por meio de um grupo no WhatsApp, a professora Márcia Millena ajuda alunos e amigos a se manter em forma, durante o isolamento social (Foto: Gilson Ferreira)

Quem nunca ouviu a frase “gentileza gera gentileza”? O autor dela é José Datrino (1917 – 1996), nascido em Cafelândia, no interior de São Paulo, que tornou-se o “Poeta Gentileza”, após uma comemoração à véspera do Natal de 1961. Ele teve a visão do que acreditou ser o fim dos tempos, vendeu todos os bens e virou pregador de rua. Foi chamado de louco e tomou eletrochoque, porque repetia que o “mundo é uma escola de amor”.

No bairro do Anjo da Guarda, em São Luís – capital maranhense, Marcia Millena Monteiro de Sousa tem cultivado por meio de atividades físicas em casa, o “senso de comunidade”. Desde o dia 21 de março, as academias de ginástica do Maranhão estão de portas fechadas, seguindo recomendação do governador Flávio Dino, que consta no decreto nº 35.677.

Uma saída encontrada por muitos frequentadores é o uso de aplicativos, visando manter a prática de exercícios. Foi então que a professora de educação física Márcia Millena Monteiro de Sousa começou a enviar para seus amigos e alunos o seu login pessoal de acesso ao aplicativo (que é pago) “FidMentor”, com séries de métodos diferentes para manter o isolamento recomendado pelas autoridades e não perder a rotina de treinos.

“Eu pago o FidMentor mensalmente, para que eu possa ter acesso aos vídeos disponibilizados no app. Há duas semanas, eu comecei a mandar mensagens para amigos, familiares e meus alunos, o meu e-mail e senha de acesso. Foi a forma que encontrei de ajudar”, informou Márcia, cuja formação acadêmica foi realizada na Universidade Federal do Maranhão (Ufma).

Além de licenciatura plena em Educação Física, Márcia é especialista em Gestão Pública, Esporte e Lazer, e tem também graduação e especialização em Odontologia, na Ufma. Desde 2015, a jovem de 32 anos toca a sua própria empresa “MOV Mente”, um projeto que proporciona saúde física, e, a partir disso, gera saúde mental em seus alunos, a maioria mulheres, que costumavam se encontrar na área livre do estacionamento da estação de trem da Vale, no Anjo da Guarda.

“A EPIDEMIA NOS AJUDA A REINVENTAR O NOSSO LUGAR”

Márcia deixou bem claro que é cada um na sua casa, mas ninguém se sentindo sozinho, nem desanimado. Márcia contou também que, além do FidMentor, ela dá aulas ao vivo para os alunos que já tinha antes do Covid-19, por meio de um grupo no WhatsApp.

Os vídeos do FidMentor têm uma duração média de 37 minutos e, por já estarem gravados, podem ser praticados a qualquer momento. Já os ao vivo são programados. “Os alunos vão fazendo as aulas, e em tempo real eu estou assistindo, avaliando a postura deles, saber se estão executando de forma correta. É isso que eu faço nas aulas pagas online”, informou Márcia.

Entretanto, a professora contou que, para amenizar a falta de lazer dos dias de quarentena no combate à propagação do coronavírus, os mais sedentários estão consumindo as aulas on-line divulgadas por ela, por meio do app. A profissional informou que um corpo condicionado é, neste momento, um cuidado para não pegar a doença.

Márcia contou que o coronavírus fez soar o alarme sobre a necessidade de uma boa imunidade. E que se tem imunidade com boa alimentação e prática regular de exercícios. “Houve uma aceitação muito grande dos exercícios em casa. E eu espalhei os dados da minha conta deste aplicativo para pessoas que eu conheço, que eu posso auxiliar, porque eu tenho disposição para, mesmo que distante, dar um suporte, por meio também do grupo de WhatsApp do MOV Mente, ou em conversas privadas nas redes sociais. Estou tendo um ‘feedback’ muito importante. Meus amigos e alunos fazem ‘storys’ dos momentos em que eles estão se exercitando, no Instagram, e me marcam. Há quem diz que já perdeu peso, há quem está suando a camisa, e há também quem está driblando as crises de ansiedade. Recebo retornos cheios de amor e que me dão a certeza que fiz algo legal. A epidemia nos ajuda a reinventar nossos lares, e nossos lugares neste mundo, e que seja tudo em prol do bem”, declarou Márcia Monteiro.

DICAS DE EXERCÍCIOS

Ao Jornal Pequeno, Márcia deu demonstrações de alguns exercícios de casa. O primeiro foi o “polichinelos”. “Em pé, coloque os braços ao lado do corpo e alinhe os joelhos aos pés. Pule e estenda os braços em cima da cabeça, abrindo as pernas esticadas, repetidas vezes, alternadamente”, explicou Márcia, ao informar que pode ser feito uma série de repetições dentro de 30 segundos.

O segundo exercício foi o “agachamento livre”. “Olhando para frente, com peito estufado e costas seladas, estique os dois braços para frente e flexione os joelhos, sem perder o equilíbrio”, informou Márcia.

O terceiro, “elevação de quadril”. “Deite de costas com os joelhos flexionados e braços esticados ao longo do corpo. Eleve o quadril sem desprender pés e braços do chão”, mostrou como se faz, e ainda explicou outros exercícios como o “ponte dorsal”, o “bom dia”, e o “abdominal infra”.

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