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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Infecções e mortes aumentam no Maranhão, mas Rua Grande segue cheia de ambulantes e consumidores

Apesar do decreto, as pessoas estão saindo de suas casas sem preocupação alguma com a proliferação do novo coronavírus

Sem se preocupar com a proliferação do novo coronavírus e em desrespeito aos pedidos de isolamento social, as pessoas estão se aglomerando na Rua Grande (Foto: Gilson Ferreira)

Na manhã de ontem (7), o governador do Maranhão, Flávio Dino, divulgou em seu “Twitter” que o número de mortes e casos confirmados de coronavírus tiveram crescimento. No total, o estado já registrou 11 óbitos e 230 pessoas estão diagnosticadas com Covid-19. Além de informar sobre o crescimento de mortes e infectados, o governador pediu à população que colabore no que se refere ao distanciamento social.

Entretanto, a falta de respeito ao isolamento social se apresenta como uma ameaça ao combate do coronavírus em todo o estado, principalmente em São Luís. Minutos antes das mensagens de Flávio Dino – na conta pessoal do Twitter do governador –, o Jornal Pequeno flagrou milhares de pessoas transitado pela Rua Grande, localizada no centro comercial da capital maranhense.

A Rua Grande estava cheia nessa terça-feira (7), pela manhã. Desde o dia 21 de março, quando o governador editou o primeiro decreto de combate ao Covid-19, e fechou lojas comerciais de serviços não essenciais, o isolamento também é recomendado à população.

Ocorre que, nessas últimas três semanas, as pessoas continuaram circulando pela Rua Grande, e por outros locais públicos da cidade. Mas na via comercial, mesmo com os estabelecimentos fechados, e mesmo que não houvesse “camelôs”, os consumidores passeavam por ela, e muitas das vezes alegavam que tinham saído para irem às farmácias (é serviço essencial), ou até mesmo a uma agência bancária instalada na Rua Grande, conforme matérias anteriores produzidas pelo JP.

Os trabalhadores informais supostamente acompanhavam o movimento na via, nestas últimas semanas. E, com o passar dos dias, timidamente eles foram chegando e se fixando nas calçadas. Ontem, os vendedores ambulantes já estavam por toda a parte, espalhando seus produtos por todos os cantos da Rua Grande. Era carrinho de venda de caldo, telas com itens para celulares, roupas, produtos eletrônicos, e muito mais.

O fluxo de consumidores também cresceu. E de repente a Rua Grande voltou a ter seu ritmo de venda “quase que normal”, pois as lojas permanecem fechadas, com exceção para óticas e a Americanas – esta teria CNPJ de supermercados, logo estaria liberada para continuar a vender.

Pessoas adquiriam roupas, mochilas, circulavam com sacolas de compra. Era um vai e vem. Houve também na manhã de ontem uma fila gigante na porta do Banco do Itaú. Muitos que estavam na fila disseram que realizariam saques, ou fariam movimentações bancárias, como depósito ou empréstimo.

Outro motivo que pode ter levado um número maior de pessoas à Rua Grande foi a reabertura das óticas, em todo o estado. O governo do Maranhão autorizou os serviços de fabricação, distribuição e comercialização de produtos óticos no estado durante a pandemia do Covid-19. Mesmo assim, em todas as óticas em que o JP esteve na manhã dessa terça-feira, na Rua Grande, esses estabelecimentos estavam vazios. Funcionários das óticas disseram que a reabertura aconteceu na segunda-feira (6), e neste dia a Polícia Militar e a Vigilância Sanitária estiveram nos estabelecimentos checando se os trabalhadores estavam utilizando os equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas.

“Estamos seguindo as normas. O movimento está fraco, mesmo a rua estando movimentada”, informou a funcionária de uma das óticas da Rua Grande. Ainda na via, permanece aberta a Lojas Americanas, apesar de o estabelecimento não comercializar produtos considerados essenciais, como alimentos e remédios. Nela, os funcionários também foram vistos pela equipe de reportagem do JP utilizando máscaras e luvas.

Na seção de chocolate, a empresária Fabíola Margareth de Freitas, de 57 anos, enchia o carrinho de ovos de Páscoa. “Vim a esta loja porque, em relação aos supermercados, está vazia. Tenho cinco netos, estou sem vê-los, mas quero arrumar uma forma de que os ovos de Páscoa cheguem até eles”, informou Fabíola.

MORTES E CASOS CONFIRMADOS

Subiu para 11 o número de óbitos pelo novo coronavírus no Maranhão. Até o início da tarde de ontem, não havia informações como idade, sexo, nem se as vítimas tinham alguma comorbidade, em relação aos novos números de mortes e de infectados, informados por Flávio Dino.

GOVERNO INSISTE COM A CONSCIENTIZAÇÃO

Por meio de nota, o governo do Estado informou que a “Vigilância Sanitária Estadual vem realizando, em parceria com a Polícia Militar, as fiscalizações e orientações em estabelecimentos comerciais, cujo objetivo é garantir o cumprimento do Decreto nº 35.714, de 03 de abril de 2020.

O decreto suspende temporariamente as atividades e os serviços considerados não essenciais e, ainda, dispõe sobre outras medidas para enfrentamento da emergência de saúde em razão dos casos confirmados de novo coronavírus (Covid-19) no estado”. Ainda na nota, o governo informou que “ o Corpo de Bombeiros, juntamente com a Polícia Militar e Guardas Municipais, tem orientado a população a permanecer em casa e realizado ações para dispersar pessoas em locais públicos e em áreas onde há grande circulação de pessoas, como as comerciais e de praias”.

MULTAS De acordo com o governo do Estado, em casos de comerciantes que descumprirem o decreto Nº 35.714, os valores das multas a estão estipulados no Art. 2° da Lei Federal N. 6437/1977. O valor será fixado pela Vigilância Sanitária, considerando as características da infração, variando de leve para gravíssima, podendo ser duplicado em caso de reincidência. Caso aplicadas, as multas possuem valor mínimo de R$ 2 mil, para infrações leves, e valor máximo de R$ 1,5 milhão, para as gravíssimas.

Apesar de questionado, o governo do Estado apenas não se pronunciou quanto as providências que serão adotadas em relação ao funcionamento da Lojas Americanas nem se há justificativa para que esse estabelecimento siga de portas abertas, atraindo consumidores à Rua Grande.

BLITZ URBANA

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh) informou que uma equipe da Blitz Urbana seria enviada para averiguar a situação e seriam adotadas as medidas necessárias, de acordo com o determinado no Decreto municipal, no sentido de impedir aglomerações e risco de contágio da Covid-19.

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