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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Longe de casa, caminhoneiros dizem sentir falta de equipamentos de proteção

Para eles, os patrões e os governos deveriam dar mais atenção no quesito prevenção ao novo coronavírus

caminhoneiros, como Lenoaldo Rodrigues, adotam todas as medidas para se proteger do coronavírus (Foto: Gilson Ferreira)

Além de estarem longe de suas famílias, em meio a uma pandemia, muitos caminhoneiros estão receosos em rodar por regiões com muitos casos de coronavírus. Em São Luís, a categoria se mostra preocupada com o Covid-19, e também teme a crise econômica.

Os profissionais disseram que o país não pode parar, mas afirmam que estão colocando a vida deles em risco, pelo fato de seus patrões e os governos não estarem fornecendo máscaras, desinfetantes e outros equipamentos de proteção pessoal.

Os serviços de transporte, armazenamento, entrega e logística de cargas em geral são essenciais, de acordo com o governo federal. A lista de atividades indispensáveis cita ainda o comércio de bens e serviços destinados a assegurar o transporte e as atividades logísticas de carga, com objetivo de atender caminhoneiros.

Lenoaldo Rodrigues trabalha há nove anos no setor de transporte rodoviário de cargas. Ele está há 20 dias em São Luís, e disse que pouca coisa mudou na área, neste período de pandemia. Segundo Lenoaldo, que é pernambucano, mas veio de Balsas, o caminhoneiro tomou vacina contra gripe/H1N1 no Pernambuco, em dias de folga no seu estado natal. Contou também que chegou a ver alguns restaurantes de estrada fechados devido à pandemia, mas que foram poucos; ele não soube dizer em quais estados os restaurantes estavam fechados.

Lenoaldo lamentou a falta de auxílio, tantos dos empregadores, quanto dos governos, na distribuição de máscaras e álcool em gel para a categoria. “Eu transporto soja. Já descarreguei a carga no Porto do Itaqui. Sobre o Covid-19, não é uma ‘gripezinha’, mas o país não tem estrutura para aguentar ficar parado 30, 60 dias. Me preocupo com o Covid-19, mas temo a crise econômica”, declarou Lenoaldo Rodrigues, que estava até ontem com o seu caminhão estacionado no Posto Paizão, na Vila Maranhão.

ESTAR LONGE DA FAMÍLIA É CONSEQUÊNCIA

No mesmo posto estava o caminhoneiro cearense Antônio Morais. Ao Jornal Pequeno, Antônio contou que os estacionamentos nas rodovias para caminhões estão calmos, não aglomerados, e que pelo menos as instalações nos postos da área da Vila Maranhão, em São Luís, há espaços para descanso, chuveiros e sanitários.

“A nossa rotina não mudou. As dificuldades são as mesmas de sempre no setor de transporte de carga, cujo principal problema são os buracos. Estar longe de casa sempre foi uma consequência de quem optou trabalhar viajando. Mas, eu telefono com maior frequência para meus familiares, sempre pergunto se estão todos bens, se permanecem em isolamento social, e se estão colocando em prática as medidas de higienização. Eu tenho água e sabão no meu caminhão. Mas acabou o álcool em gel”, disse Antônio Morais.

O caminhoneiro Sebastião Batista é natural do estado do Goiás. Ele, assim como Lenoaldo e Antônio, veio a São Luís para descarregar soja no Porto do Itaqui. “Cheguei nessa quarta-feira (16), na capital, e após três horas na cidade eu fui chamado para pela administração do porto para realizarmos o descarregamento da soja. Foi rápido, esta é a primeira vez que elogio o sistema de descarregamento. Não há aglomeração, nem no Porto do Itaqui, nem aqui no Posto Valen. E todos respeitam as medidas sanitárias no momento de descarregar as mercadorias”, contou Sebastião Batista.

Sobre os equipamentos de proteção individual, Sebastião reclamou. “Eu tenho máscara e álcool em gel no meu caminhão, porque eu comprei estes itens. Acho um descaso as empresas que contratam os caminhoneiros e os governos não doarem máscaras e álcool em gel”, finalizou o caminhoneiro.

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