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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Bancada do Maranhão alerta para instabilidade política em plena crise sanitária que vive o País

Troca de ministros, posicionamentos do presidente em relação à pandemia e o aumento de casos no País preocupam parlamentares

Bancada maranhense em Brasília (Foto: Divulgação)

A crise política que se instalou no País, nos últimos dias, dentro de uma crise econômica resultando de uma crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) que já dura cerca de três meses, preocupa senadores e deputados que integram a Bancada Federal do Maranhão no Congresso Nacional.

A troca de comando em menos de um mês (Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich) no Ministério da Saúde – pasta que está à frente das ações de enfrentamento da Covid-19 –; os posicionamentos contrários do presidente Jair Bolsonaro ao isolamento social – revelando mais preocupação com a economia e querendo apressar o retorno à normalidade –; a propagação da pandemia no País e a aceleração de casos de infecção/ mortes estão entre os pontos destacados pelos parlamentares.

Na opinião da maioria da bancada, a saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde, por discordâncias com Bolsonaro, principalmente sobre o uso da cloroquina, agrava a situação em todo o País.

Teich e o presidente divergiram sobre o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, sobre o decreto que liberou serviços não essenciais na pandemia, como academias de ginásticas, salões de beleza e barbearias (Teich não foi consultado); e sobre o plano com diretrizes para a saída do isolamento social – Bolsonaro queria uma flexibilização mais imediata e ampla e Teich defendia estudo mais qualificado sobre a situação da pandemia.

NA CONTRAMÃO DO COMBATE

“É inacreditável tudo isto que estamos vivendo e presenciando em plena pandemia”, declarou o líder do PDT no Senado, Weverton Rocha (MA). “Em menos de um mês dois ministros da Saúde passaram pelo governo Bolsonaro. Claro que eles dois, e nenhum outro ministro vai se adaptar a essa política na contramão de enfrentamento da Covid-19 que ele (o presidente) tem feito”, reclamou o parlamentar.

“Uma política que nenhum líder do Planeta tem feito. E isto é muito perigoso, porque enquanto ele incentiva empresários para fazer o enfrentamento para acabar com o isolamento social, o Brasil perde a oportunidade de fazer de forma organizada e centralizada de enfrentar a Covid, e com isso diminuir o número de mortes”, lamentou o senador.

GRAVIDADE DA CRISE NO GOVERNO

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), criticou nas redes sociais a demissão do ministro da Saúde. “A saída do ministro Nelson Teich, menos de um mês depois de ser nomeado, revela a gravidade da crise no governo. Foi forçado a sair porque não concordou com a ideia irresponsável de defender o uso deliberado da cloroquina e do fim do isolamento social. É um governo contra a ciência”, afirmou Gama, no Twitter.

Segundo Eliziane, a saída de Teich “deixa em frangalhos a principal estrutura do governo de combate à pandemia”’. “O Covid-19 deve estar batendo palmas para o governo federal hoje. Com a pandemia em crescimento, o presidente deixa em frangalhos a sua principal estrutura de combate: o Ministério da Saúde. Atitude impensável, incompreensível”, postou a senadora.

Eliziane disse que é difícil entender a insistência do presidente para liberar a cloroquina – medicamento que não tem a aprovação da comunidade científica mundial nem mostra tem eficiência comprovada contra a Covid-19. “Se em romance policial a autora perguntaria: a quem interessa o crime? Não creio que esse medicamento seja um caso de segurança nacional ou de governabilidade”, concluiu.

INSEGURANÇA ATRAPALHA O COMBATE

O deputado federal Juscelino Filho (DEM-MA) lamentou e viu com preocupação a saída de mais um ministro da Saúde durante a pandemia do coronavírus. “Além de mais profissionais de saúde, leitos de UTI, testes, EPIs e medicamentos, precisamos de tranquilidade para salvar vidas e vencer a Covid-19, que segue avançando pelo interior do Maranhão e de todo o país. Essa insegurança só atrapalha”, declarou.

“Espera-se que o novo titular da pasta, seja quem for, atue baseado na ciência e com responsabilidade e planejamento, diretrizes sempre defendidas pelo ex-ministro Henrique Mandetta e por especialistas do Brasil e do mundo”, disse o parlamentar.

Juscelino acrescentou que “o momento requer união de todos e articulação entre os entes federados, o que fica mais difícil com a descontinuidade do trabalho na gestão federal”.

UNIÃO PARA ATACAR A POPULAÇÃO

O vice-líder do PCdoB na Câmara, deputado Márcio Jerry (MA), disse que “Teich vai embora sem entrar, infelizmente”, e destacou que há luta dura no país. “De um lado, a união entre o presidente da República e o coronavírus para atacar a população. Do outro, médicos, profissionais de saúde, estudiosos, cientistas, governadores e prefeitos defendendo o povo”, citou.

“A situação é alarmante, assim como a irresponsabilidade de um presidente que, incapaz de liderar, defende o uso de um medicamento sem respaldo científico e o fim da única medida que mostrou resultados nos países que enfrentaram o mesmo cenário de crise sanitária: o isolamento social”, criticou Jerry.

Para o deputado, “a única coisa que Jair Bolsonaro deveria fazer é proteger o povo, garantir o respeito ao isolamento a partir do pagamento de auxílio aos mais necessitados, apoio às pequenas empresas, aos governos estaduais e municípios, à pesquisa, ao SUS. Bolsonaro ainda não se convenceu de que estas são as únicas medidas para controlarmos a pandemia”, observou.

PRESSÃO PARA NEGAR A CIÊNCIA

O vice-líder da bancada do PSB na Câmara dos Deputados, Bira do Pindaré (MA), disse que “Nelson Teich, em apenas 27 dias no Ministério da Saúde, não aguentou a pressão para negar a ciência em nome da insanidade desumana do seu chefe”. Bira lamentou que a demissão do ministro tenha acontecido “no dia em que ultrapassamos 14 mil mortes em razão da pandemia do coronavírus”.

SEM RUMO PARA O FUTURO

Para o deputado federal Zé Carlos (PT-MA), a exoneração de mais um ministro “mostra que Bolsonaro não tem rumo nenhum para o futuro do país e para a crise sanitária que estamos vivenciando. O presidente deixa claro todos os dias sua inabilidade e incompetência”.

Segundo o parlamentar petista, “a saída de mais um ministro da saúde provoca um agravamento na crise sanitária, e, infelizmente, mais vidas serão perdidas”.

“Sua saída (Nelson Teich) representa uma enorme perda para o Brasil, apesar de Teich não ter sido um ministro atuante, mesmo com toda a gravidade que a pandemia apresenta. Sua demissão mostra que Bolsonaro vai continuar brincando ainda mais com a vida dos brasileiros, como vem fazendo cotidianamente ao atacar o isolamento social e orientações das autoridades de saúde e ciência”, afirmou.

Zé Carlos acrescentou que o Governo Federal precisa sinalizar, com a máxima urgência, um caminho para o país, neste momento tão delicado. “Bolsonaro precisa promover a união entre o governo federal e os municípios, e passar a agir em sintonia com governadores e prefeitos. Além disso, é muito importante que ele passe a agir sob orientação da ciência e da medicina. A última palavra na forma de lidar com essa doença deve ser dada pelos especialistas e não pelo presidente, que não possui formação nem ligação alguma com a área da saúde”, disse.

“O presidente precisa entender que a vida é mais importante que a situação da economia. Em todas as medidas a serem tomadas na área econômica deve-se, prioritariamente, considerar a preservação da vida”, concluiu.

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