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“Ainda levaremos alguns meses para que todos os estudantes do estado estejam novamente em sala de aula”, diz secretário

Secretário Felipe Camarão conversou com o Jornal Pequeno e explicou as regras que deverão ser obedecidas para a retomada gradual das atividades educacionais presenciais

Felipe Camarão falou com exclusividade ao Jornal Pequeno (Foto: Divulgação)

O governador Flávio Dino anunciou, na sexta-feira (29), que as aulas presenciais nas instituições de ensino em todo o Estado estão suspensas até o dia 14 de junho e que, a partir do dia 15, as aulas já poderão voltar de forma gradativa, a depender das condições epidemiológicas.

Sobre esse assunto, o secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, conversou com o Jornal Pequeno e explicou as regras que deverão ser obedecidas para a retomada gradual das atividades educacionais presenciais. “Ainda levaremos alguns meses para que todos os estudantes do Maranhão estejam em sala de aula”, destacou o secretário.

Jornal Pequeno – Secretário, como se dará esse retorno às aulas?

Felipe Camarão – Primeiramente, é necessário esclarecer que as aulas não voltarão completamente a partir do dia 15 de junho, e que a preservação da vida e da saúde das comunidades escolares é a base para todo o planejamento de retorno às aulas. Também é necessário destacar que o plano para a retomada das aulas no Maranhão considerou experiências de outros lugares, tanto daqueles que deram certo, como foi o caso da Alemanha, onde o retorno começou pelos jovens, quanto daqueles que não foram bem sucedidos, como a França, que iniciou a retomada pelas crianças e precisou retroceder.

Mas, sobretudo, reitero, as aulas deverão retornar com todas as medidas necessárias para garantir a saúde e a segurança da comunidade acadêmica, seguindo as diretrizes publicadas no Decreto Estadual nº 35.859, editado pelo governador Flávio Dino.

JP – De que forma será essa retomada gradual das aulas?

FC – O reinício das aulas será diferente para cada etapa de ensino, conforme definido em reunião com os gestores de educação das redes públicas e privadas, reitores de instituições de ensino superior, Conselho Estadual de Educação e Ministério Público do Maranhão. O início deverá ocorrer pelo ensino superior, graduação e pósgraduação; em seguida, o ensino médio, ensino fundamental até a educação infantil. Mas cabe ressaltar que poderá ser feita de forma regionalizada, a depender das condições epidemiológicas de cada localidade do Maranhão. E as datas de início de cada etapa serão divulgadas a partir do cenário da pandemia no estado. Cabe destacar, ainda, que, mesmo que cada passo dado seja exitoso, ainda assim levaremos alguns meses para que todos os estudantes do estado, dos mais variados níveis de ensino, estejam novamente nas salas de aulas.

JP – Quanto à preparação desses espaços educacionais, escolas, universidades e suas salas de aula, quantidade de alunos por turma, enfim, quais as medidas serão tomadas para garantir o distanciamento e diminuir o risco de contágio nesses lugares?

FC – No Decreto Estadual foi determinado que as instituições de ensino devem fazer aquisição de kits contendo produtos mínimos de higiene e desinfecção, necessários para estudantes e funcionários, como: máscaras de proteção; álcool 70%; copo de uso individual ou descartável. Também prevê que as pessoas do grupo de risco estabelecido pelas autoridades sanitárias e de saúde devem permanecer em casa e continuar a realizar suas respectivas atividades de forma remota. No caso das salas de aulas, a diretriz é a redução do quantitativo de estudantes por turma, considerando a capacidade de cada sala, respeitando a distância mínima de 1,5m entre estudantes e profissionais.

Outras medidas também precisam ser seguidas, como o escalonamento de horário de entrada e saída de séries e turmas, para evitar aglomeração; demarcações nas filas das lanchonetes e restaurantes; desinfecção diária dos espaços e superfícies; aferição diária da temperatura de todos que estudam ou trabalham no ambiente escolar, entre outros. São medidas que consideramos mínimas dentro de um protocolo de segurança, mas cada rede e instituição tem sua autonomia para ampliá-las.

JP – O decreto também prevê ensino híbrido (presencial e não presencial). Isso pode interferir na qualidade do ensino?

FC – O ensino híbrido está contemplado em parecer do Conselho Nacional de Educação para reduzir a quantidade de pessoas nos espaços educativos. Além disso, as atividades remotas estão sendo adotadas pelas redes de ensino utilizando as mais diversas plataformas e tecnologias de informação e comunicação, inclusive com critérios de avaliação e monitoramento já definidos em Resolução do Conselho Estadual de Educação. As instituições também poderão estabelecer rodízio em dias da semana, de estudantes e professores, desde que não percam de vista a garantia da qualidade da aprendizagem de seus estudantes, sejam em atividades remotas ou em presenciais.

JP – A propósito, a Seduc já anunciou a realização de uma avaliação diagnóstica após o retorno das aulas. Será somente para os alunos da rede estadual ou se estenderá aos municípios?

FC – A Seduc firmou uma importante parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF) para a avaliação diagnóstica de todos os alunos da rede estadual, em todos os níveis e modalidades de ensino, possibilitando, a partir desses resultados, que nós, gestores, tracemos estratégias para a aprendizagem pós-pandemia. Por determinação do governador Flávio Dino, inclusive isso já consta no decreto, a avaliação também será ofertada às redes municipais que desejarem, sem custo, por intermédio do Regime de Colaboração, para que alcance todos os estudantes maranhenses.

JP – Sabemos que o retorno às atividades será desafiador, uma vez que a pandemia causou impactos nas famílias, muitas vidas foram perdidas para a Covid-19, pessoas ficaram doentes, situações econômicas e sociais difíceis. De que forma a Seduc se prepara para receber esses estudantes e professores?

FC – Nós definimos que as primeiras semanas deverão ser de acolhimento, uma vez que não estamos retornando de um período de férias; portanto, será preciso cuidar do emocional e psicológico das pessoas. Iniciaremos com o acolhimento das equipes gestoras; na semana seguinte, dos nossos professores e, posteriormente dos nossos alunos.

Portanto, não retomaremos logo com aulas, mas com um trabalho voltado aos aspectos socioemocionais. Cabe ressaltar, também, que faremos uma busca ativa dos estudantes que não retornarem e que não tenham participado das atividades a distância, no intuito de mitigar esses impactos da pandemia, finalizou o secretário.

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