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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

É preciso vencer a COVID

Secretário de Estado da Saúde fala dos desafios a serem superados e prega união de todos para vencer a batalha contra o coronavírus

Carlos Lula, secretário de Saúde do Maranhão (Foto: Divulgação)

Politizar o debate sobre o coronavírus. É o que tenho visto desde o começo dessa pandemia. Costuma-se dizer que o Brasil tem milhões de técnicos de futebol. Pois bem, temos milhões de epidemiologistas de internet, virologistas de ocasião, oportunistas aos montes.

Não vou aqui tentar reparar “a verdade”, pois não sou detentor de verdade alguma. Em vez de lidar com “verdades absolutas”, eu vou trazer para vocês OS FATOS. Resta pouquíssimo espaço para malabarismos intelectuais quando colocamos evidências na frente do debate.

Em artigo recente o deputado Adriano Sarney trouxe alguns números, que deixam bem claro o porquê de estarmos tão atrasados em relação ao país. Para se vangloriar do aumento de Unidades de Terapia Intensiva ao fim do governo de sua tia, afirma que o Maranhão possuía 22 leitos de UTI na capital e o mesmo número no interior, em 2009. Isso mesmo. Você não leu errado. 44 leitos de UTI era o que possuía a rede pública do estado, segundo o deputado.

Pois bem, em 2009 já completávamos mais de 40 anos de governo de membros ou aliados da família do deputado, de maneira praticamente ininterrupta. O que ele está a confessar no seu artigo é que, com grande eficiência, seus aliados políticos abriram praticamente um leito de UTI por ano de governo. Uma média impressionante, sem dúvida.

Bom, em 5 anos e 5 meses de Governo Flávio apenas os leitos de UTI adulta da rede estadual tiveram um incremento de 142%. As UTIS pediátricas e neonatais também tiveram expressivo aumento e, acima de tudo, tais leitos de elevada complexidade deixaram de pertencer a apenas duas cidades. Pinheiro, Santa Inês, Bacabal, Chapadinha, Caxias, Balsas são algumas das cidades que ganharam serviços com os quais sonharam durante cinquenta anos.

Bom, mas quero me ater ao Coronavírus. Desde o início da crise sanitária o Maranhão saiu na frente. Seja para retardar a chegada do vírus, com barreiras sanitárias em rodoviárias e aeroportos, seja para criar leitos de Unidade de Terapia Intensiva adicionais à sua rede. Em momento nenhum subestimamos o tamanho dessa crise, como o fizeram diversas lideranças locais. E cada um será julgado pela população de acordo com suas posturas.

O certo é que realizamos, de março até agora, apenas nas unidades de saúde do estado, mais de 15 mil atendimentos, quase 4 mil transferências entre UPAS e temos um número de recuperados de quase 9 mil pessoas. Com relação aos leitos de UTI, já são 416, apenas na rede estadual, exclusivos para o tratamento da COVID-19. Desde o início da pandemia, implantamos, em média, mais de 5 UTIs POR DIA, bem próximo, como se percebe, à média da construção de 1 leito de UTI POR ANO ao qual o deputado fez alusão em seu texto.

Enfrentamos o desafio da interiorização do vírus, e isto, em grande parte, por conta da lógica clientelista de distribuição de serviços, que nunca obedeceu às diretrizes do SUS. Corrigimos isso em favor dos maranhenses e não em nome de um projeto oligárquico de poder.

Em todo caso, fica aqui a sugestão: sentar e dialogar com prefeitos, estudar um pouco mais sobre o impacto do vírus na nossa economia, conhecer as fragilidades históricas do Maranhão. Pensar soluções efetivas. Não é momento de pensar em eleição, não é momento de disputas político-eleitorais. É hora de todas as correntes políticas do estado estarem juntas com o objetivo de vencer a COVID-19. O vírus é nosso verdadeiro inimigo.

Do lado de cá, seguiremos na batalha incansável para salvar vidas. Quem quiser, de fato, contribuir, será bem-vindo.

Por Carlos Lula, secretário de Estado da Saúde do Maranhão

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