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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

A brutalidade, doçura e amargura da minissérie O Dia de Amanhã

Produzida pela Movistar+, a minissérie foi baseada no livro homônimo do escritor espanhol Ignácio Martínez de Pisón. 

Cena da minissérie O Dia de Amanhã (Foto: Divulgação)

Justo Gil tinha um plano; sair do interior e se aventurar na desconhecida Barcelona em busca de um tratamento que devolvesse a saúde da mãe, abatida por uma enfermidade que atrofiou todos os seus movimentos, inclusive a fala.

Ambientada nas trevas da ditadura franquista, durante os anos 60 e 70, a minissérieO Dia de Amanhã” mergulha fundo na personalidade de Justo, interpretado pelo ator Oriol Pla, e seu sentimento autêntico em salvar a mãe.

Ambicioso, convincente, ardiloso, romântico. Justo Gil reúne características ambíguas, despertando aversão e simpatia na mesma proporção, à medida em que a trama avança. Impossível ignorar sua vocação para as desordens do dia a dia, assim como a capacidade de despertar, despretensiosamente, o apoio incondicional pelo seu sucesso. Como dito antes, um misto de sentimentos híbridos.

Para um romântico se completar é necessário um amor, e Justo encontra na ingênua Carme Román o alvo perfeito para o seu intuito; amar e enganar, mesmo que, no fundo, a segunda intenção seja forçada pelas brutais necessidades que a vida lhe impõe. Não se trata de uma justificativa, apenas constatações.

Enquanto vive entre amores e dissabores, Justo também encontra tempo para se envolver com a polícia secreta espanhola, e conhece de perto a realidade assombrosa que se instalou na Espanha por muitos anos, sob a aura tétrica de Francisco Franco. Tortura, perseguição e assassinatos. Um horror que testemunhou com os próprios olhos, capaz de embrutecer e deteriorar a alma.

Produzida pela Movistar+, a minissérie tem direção de Mariano Barroso e roteiro assinado por Alejandro Hernández, baseada no livro homônimo do escritor espanhol Ignácio Martínez de Pisón. A produção está em cartaz no catálogo da HBO.

O Dia de Amanhã pode ser vista como um documento histórico, uma história de amor ou, até mesmo, o conto de um golpista, mas, em seu contexto, há um pouco de tudo da vida que conhecemos, e ainda assim encontra modos de nos surpreender.

Uma aventura gratificante ao fim dos seis episódios, mesmo com toda brutalidade que aquela época ainda é capaz de proporcionar, e o sabor acrimonioso se propaga no ar enquanto os créditos finais vão subindo, vão subindo. Vão subindo.

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