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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Especialistas analisam o ‘novo normal’ para empresas e trabalhador

Dicas de como planejar a retomada dos negócios e se readaptar a este novo cenário

As empreendedoras Kassia Aranha e Tuba Aranha traçaram o objetivo e viram a oportunidade de empreender, mesmo no cenário de pandemia (Foto: Divulgação)

O ano de 2020 trouxe muitas surpresas para os brasileiros. A situação na economia não foi diferente: planejamentos alterados e revisões no orçamento. Por conta da pandemia do novo coronavírus, empresas de todo o país mudaram a sua dinâmica de trabalho. Foi necessário se reinventar e adaptar-se às novas rotinas no serviço, pensando na saúde e segurança dos colaboradores.

O home office, uma das práticas mais estabelecidas para diminuir os riscos de contaminação da Covid-19, se estendeu após estados brasileiros decretarem o isolamento social. Mas agora os estados começam a retirar as restrições e retomam o comércio e os serviços não essenciais. Assim, fábricas, lojas e escritórios iniciam um novo e complexo processo: como planejar a retomada dos negócios em meio à pandemia? Como encarar esse desafio?

A mestre e coordenadora do Curso de Administração do Centro Universitário Estácio São Luís, Midori Oshima, destaca que a pandemia foi um grande aprendizado para o mercado.

“As empresas tiveram que se adequar em todas as frentes: financeiro, comercial, de pessoal, de relacionamento. Não houve só uma frente de atuação, não se tratava apenas de uma modificação de produto ou redução de custos puramente”, ressaltou.

Ela explicou que, sob o ponto de vista externo, a tendência é de recuperação, devido ao desenvolvimento de vacina e avanço das descobertas à respeito da Covid-19. No entanto, esse período de transição até a recuperação do mercado é necessário alguns cuidados. “As empresas devem ser ágeis nas suas decisões bem como prever ações alternativas para diferentes cenários. Impera métodos ágeis e vai se destacar a empresa que sair na frente exatamente nesse período”, detalhou.

Na contramão da crise, algumas pessoas perceberam ainda mais a necessidade de empreender, mesmo diante deste cenário, traçaram o objetivo e viram a oportunidade. É o caso das duas amigas e cunhadas, Kassia Aranha e Tuba Aranha, que foram ágeis em decidir de abrir um negócio próprio no ramo de festas intimistas, decoração e design com a proposta de trazer inovação e leveza na área de eventos para São Luís.

“Mesmo sendo um momento bastante delicado e de incerteza, pensamos em algo mais afetivo e familiar. Pensamos em algo que pudesse acolher as pessoas mais próximas e trazer uma forma de comemoração intimista e econômica”, revelou Kassia Aranha.

Para apresentar este novo segmento do seu negócio as empreendedoras utilizam a internet, sendo a sua grande aliada. Conforme reforçou a especialista Midori Oshima, a tecnologia sendo bem utilizada neste momento de pandemia, por meio de aplicativos e incrementos nas empresas, pode ser o principal canal para as vendas e até mesmo para o relacionamento colaborativo e com os clientes. “As inovações incorporadas pelas empresas, devido à necessidade de adequação à condição imposta pela pandemia, não tem mais volta”, pontuou Midori.

A especialista ressaltou que a Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) foi essencial para a continuidade das operações das empresas, das relações interpessoais e foi incorporado como sendo o usual. “Uma reunião de trabalho realizada de forma remota significa uma redução de custos quando falamos de participantes de diferentes cidades, por exemplo”.

PARA O TRABALHADOR: COMO ENCARAR O NOVO NORMAL?

Para o trabalhador é um processo de readaptação à nova rotina de trabalho. Primeiro o home office e o verdadeiro desafio: conciliar as tarefas domésticas com o próprio laboro. A assistente administrativa Danyara Viana viveu bem esta situação.

“No início, foi difícil estar dentro de casa e administrar o horário do trabalho, o momento de acompanhar a minha filha na aula online e os afazeres domésticos. Alguns dias, fui entrando no ritmo e consegui desempenhar todas as funções, me organizando”, afirmou.

Agora, ela encara o “novo normal”, já voltou para o trabalho presencial. “Para mim, o mais difícil é o distanciamento humano, não ter mais a companhia de algumas pessoas. Você olha para uma mesa e está vazia, pois há colegas que são de grupos de riscos. Antes, almoçávamos todos juntos, hoje não podemos mais. Sinto falta da convivência de antes, mas vamos nos adaptando a este momento”, ponderou.

A psicóloga do Hapvida Saúde, Celiane Lopes, explicou que a volta à realidade de trabalho apresenta reflexões em um cenário de mudanças, que podem ser profundas nas rotinas, algumas que serão permanentes, passageiras ou indispensáveis. “Somos seres adaptativos, será um desafio individual enfrentar a realidade que o ‘novo normal’ está impondo, mudanças internas e externas serão constantes ao longo de nossa trajetória de vida”, sinalizou.

Ela destacou que encarar as transformações e explorar os novos hábitos, fazem que as pessoas exercitem principalmente sua capacidade em resiliência, o que fortalece seu equilíbrio emocional, lembrando que vai depender como cada pessoa vai encarar essa nova realidade. “A busca por um equilíbrio emocional faz parte de um processo em aceitar aquilo que é real e não tentar se esquivar ou até mesmo fugir daquilo que pode ser uma experiência transformadora”, reforçou.

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