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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Pandemia provoca taxa recorde de abstenção em eleições municipais no primeiro turno desde 1996

Levantamento preliminar do TSE revela que 34,2 milhões dos mais de 147 milhões de brasileiros aptos a votar não compareceram às urnas

Primeiro turno teve recorde de abstenções (Foto: Divulgação)

Mesmo com as medidas de segurança sanitária adotadas pela Justiça Eleitoral, a pandemia do novo coronavírus no Brasil foi apontada em parte como responsável pela taxa recorde de abstenção no primeiro turno das eleições municipais realizadas no domingo (15).

Levantamento preliminar do tribunal revela que 34,2 milhões dos mais de 147 milhões de brasileiros aptos a votar não compareceram às urnas, o que corresponde a 23,14%. O índice de abstenção no pleito municipal é o maior desde 1996, ano em que as urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas.

De acordo com o TSE, nas eleições de 1996 a taxa de abstenção foi de 18.3%; em 2000 – 14,9%; em 2004 – 14.2%; em 2008 – 14.5%; em 2012 – 16.4%; em 2016 – 17,5%; e em 2020 – 23.14%.

No Rio de Janeiro e em Porto Alegre um terço dos eleitores não votou; Em São Paulo, o índice de abstenção foi de 29%. E em mais da metade das capitais foi superior a 25%. Na eleição presidencial de 2018, a abstenção no primeiro turno ficou em 20,33%.

O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, chegou a afirmar que a abstenção poderia chegar a 30% em 2020. Ele comemorou a participação dos brasileiros nas eleições deste ano.

“Os níveis de abstenções foram inferiores a 25%, portanto, em plena pandemia, tivemos um índice de abstenção pouca coisa superior a das eleições passadas”, disse Barroso em entrevista coletiva no domingo.

Segundo o TSE, o movimento já era esperado devido à pandemia e a consequente preocupação de eleitores em evitar aglomerações. Mas cientistas políticos avaliam que o crescimento da abstenção é uma tendência desde antes da pandemia. Nas duas eleições municipais anteriores, a abstenção no primeiro turno foi de 17,58% em 2016 e de 16,41% em 2012.

COVID E ABSTENÇÃO/ CAPITAIS

A capital com maior alta absoluta nas abstenções no primeiro turno das eleições municipais é também aquela com menor mortalidade por Covid-19 a cada grupo de 100 mil habitantes, aponta o TSE. E os recordes nas faltas dos eleitores e cuidados com a pandemia marcaram o pleito deste ano.

Florianópolis registrou 28,7% nas abstenções no domingo, ante 12,3% no primeiro turno de 2016 – um aumento de 16,4 pontos percentuais. Na sexta-feira (14), a cidade registrava 26 óbitos por 100 mil habitantes em razão da Covid-19. É a menor taxa entre todas as capitais.

Já o menor aumento absoluto nas abstenções, de 1,8 ponto percentual, ocorreu em Belém. Neste ano, as faltas dos eleitores no primeiro turno representaram 20,8%, ante 19,0% em 2016. A capital registrava 145 óbitos por Covid-19 a cada 100 mil habitantes.

Em termos relativos, a maior alta nas abstenções ocorreu em Vitória, com 136% – a capital capixaba tinha 117 óbitos por Covid-19 a cada 100 mil habitantes. A taxa na cidade mais que dobrou, como em Florianópolis (113%). O menor aumento relativo foi em Belém (9%).

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