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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Com 23 ecopontos em funcionamento, São Luís ainda sofre com o descarte irregular de resíduos

Terreno localizado em frente ao ecoponto existente na Unidade 101, da Cidade Operária, está se transformando em verdadeiro lixão.

Em frente ao ecoponto da Unidade 101, na Cidade Operária, a falta de educação de algumas pessoas está transformando uma área verde em lixão (Foto: Gilson Ferreira)

Na segunda-feira (21), a Prefeitura inaugurou mais dois ecopontos em São Luís, totalizando 23 desses espaços em bairros estratégicos da cidade, com o objetivo de dar fim ao descarte irregular de resíduos sólidos.

Os ecopontos são destinados para receber materiais recicláveis, pneus, restos de construções, de podas e objetos em desuso, como eletroeletrônicos e móveis. Porém, essa parece uma missão muito árdua e que ainda está longe de alcançar seu objetivo pleno, devido à falta de educação e de consciência de uma parte da população, que insiste em descartar os resíduos produzidos em suas residências em locais inadequados; em muitas situações a poucos metros dos ecopontos.

Nesta semana, a reportagem do Jornal Pequeno esteve nos ecopontos dos bairros Cidade Operária e São Francisco, tendo constatado de perto o descarte impróprio de resíduos nos arredores dos espaços.

CIDADE OPERÁRIA

Um terreno localizado em frente ao ecoponto existente na Unidade 101, da Cidade Operária, está se transformando em um verdadeiro lixão. No espaço, com uma pequena área verde, já existem amontoados de resíduos de construção civil, lixo orgânico e até animais mortos. Também foi verificada a presença de sofás velhos e até vasos sanitários no lugar.

Todo esse material poderia ter sido descartado no ecoponto, que é separado do terreno somente pela rua. O amontoado de resíduos tem causado mau cheiro e muita poeira, que geram grandes incômodos e prejuízos aos moradores e comerciantes da região.

A moradora Rosete Marinho, que tem uma loja de roupas no terraço de casa, disse ter perdido vendas por conta do lixo jogado em frente ao seu imóvel. Há quase duas semanas, segundo Rosete, ela tem deixado as portas da loja fechadas.

“Um mau cheiro horrível e muita poeira. Cliente ver fechado e pensa que não estamos funcionando. Estou perdendo vendas, logo perto do Natal e Ano Novo, quando a procura por roupas aumenta consideravelmente. Estamos sendo muito prejudicados. Já ligamos para o Comitê de Limpeza, que se comprometeu em limpar. Mas, nunca apareceu ninguém”, disse a moradora.

O comerciante Edvan Alves dos Santos também reclamou do lixão que tem se formado perto do seu estabelecimento. “É uma pouca vergonha. O incômodo é grande por causa do mau cheiro, principalmente à tarde. Atrapalha demais. Meus clientes também reclamam. Não custa nada os carroceiros colocarem o lixo no ecoponto, que fica bem do outro lado da rua”, reclamou.

Segundo os moradores, o lixão começou a se formar no local há pelo menos dois meses. O espaço, que tem uma área verde, era usado por quem praticava atividade física e também servia de estacionamento para os jogadores que usam o campo de futebol localizado ao lado. Agora, o que se vê é um amontoado de entulho e sujeira, em toda a extensão do terreno.

A moradora Ana Lúcia afirmou que já cogita até a possibilidade de se mudar, caso não haja uma solução para o problema. “O mau cheiro incomoda demais. Antes era limpinho. Servia até de estacionamento para as pessoas que vinham jogar bola no campo. A prefeitura precisa tirar isso daí. Fazer uma praça ou cercar. Ninguém vai aguentar esse lixão”, desabafou.

SÃO FRANCISCO

Próximo ao Ecoponto São Francisco, localizado na Avenida Ferreira Gullar, a situação não é muito diferente. Na região, há também dois contêineres para o depósito de lixo, mas o que a reportagem constatou foi um amontoado de resíduos espalhado pelo chão, e os contêineres vazios.

No espaço é possível ver lixo comum, roupas, pedaços de colchão, cuba de pia, caixa de isopor, papelão e até partes de aparelho de TV. O amontoado ocupa parte da calçada e ainda dificulta a passagem de pedestres no local, que têm de andar na avenida para desviar o lixo.

Moradores da região disseram que o descarte é feito com frequência, até por caminhões de empresas. Animais mortos também costumam ser jogados na área, atraindo muitos urubus.

ECOPONTOS

A Prefeitura de São Luís já entregou 23 ecopontos, desde o início da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Os mais recentes foram entregues na segunda-feira (21), no bairro do Calhau: um na Avenida dos Holandeses e outro na Avenida Borborema. No último dia 17, foi entregue o Ecoponto da Cohab-Anil. Os espaços integram a política municipal de gerenciamento de resíduos sólidos.

Os ecopontos funcionam de segunda-feira a sábado, das 7h às 19h, e recebem materiais eletrônicos, entulho, madeira, óleo de cozinha, pneus, podas de árvore, resto de capina, recicláveis (plástico, papel, isopor, metais, vidros, entre outros) e volumosos (móveis, sofás, colchão, entre outros).

OUTRO LADO

Por meio de nota, o Comitê Gestor de Limpeza Urbana informou que a coleta domiciliar no bairro da Cidade Operária é feita regularmente às segundas, quartas e sextas, no período noturno.

O Comitê destacou ainda que o bairro conta com dois ecopontos em pleno funcionamento, localizados nas unidades 101 e 205, abertos de segunda a sábado, das 7h às 19h. Além disso, são feitas ações frequentes de remoção manual e mecanizada nos pontos de descarte irregular do bairro para evitar o acúmulo de lixo.

Quanto ao local citado na reportagem, o órgão comunicou que já está programada a remoção dos resíduos descartados irregularmente. Sobre o bairro do São Francisco, o Comitê informou que a região recebe coleta domiciliar todos os dias, nos períodos diurno e noturno. E ressaltou que também realiza a remoção mecanizada dos resíduos descartados irregularmente na Avenida Ferreira Gullar, duas vezes por semana. E que na própria avenida existe o Ecoponto São Francisco, ao lado da Estação Elevatória da Caema, também funcionando das 7h às 19h.

O órgão esclareceu, ainda, que os 23 ecopontos já existentes em São Luís recebem materiais recicláveis e resíduos não coletados por meio do serviço de coleta convencional, como resíduos de construção civil, restos de poda e capina, móveis e eletrodomésticos fora de uso. E pede o apoio da população para que faça o descarte ambientalmente adequado do seu resíduo, pois as condutas irregulares são passíveis de multas e outras sanções previstas na Lei Municipal Nº 6.321/2018.

Por fim, o Comitê informou que denúncias ou reclamações podem ser realizadas por meio da Central de Atendimento: 0800 098 1636.

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