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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Empresários temem um novo lockdown e dizem que alguns negócios podem fechar definitivamente

Grande ilha acumula companhias de pequeno porte e microempresas inadimplentes.

Para empresários, o fechamento total dos serviços não essenciaispode ser o fim definitivo para alguns negócios (Foto: Gilson Ferreira)

Desemprego alto, fim do auxílio emergencial e inadimplência. Este combo pode ser a “pá de cal” para empresas de pequeno porte e microempresas da região metropolitana de São Luís, caso seja decretado novo lockdown no Maranhão. Somente na Associação Comercial do Maranhão (ACM), que detém 500 companhias, nestes perfis, associadas, o inadimplemento em instituições financeiras ou com impostos chega a 40%.

Sem dados matemáticos, pesquisa ou estudo econômico, as entidades empresariais de todo o estado estão em uma corrida contra o tempo, a fim de sensibilizar o Poder Judiciário sobre os prováveis impactos que ocorrerão no setor, caso haja, por 14 dias, a restrição completa do trânsito de pessoas nas ruas, consequentemente, o fechamento de lojas.

Este fechamento total já ocorreu na capital maranhense, Paço do Lumiar, Raposa, e São José de Ribamar, de forma pioneira no Brasil, no dia 30 de abril de 2020. Ficaram suspensas as atividades não essenciais à manutenção da vida e da saúde, com exceção de serviços de alimentação, farmácias, portos e indústrias que trabalham em turnos de 24 horas. Também foram proibidas a entrada e a saída de veículos da Ilha de São Luís, com exceção para caminhões, ambulâncias, veículos transportando pessoas para atendimento de saúde e atividades de segurança.

No Maranhão, já são 4.730 óbitos e 7.481 infectados confirmados ativos, conforme o boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), dessa quarta-feira (3). Do mesmo dia, os leitos de UTI da rede estadual para coronavírus estavam 87,39% ocupados.

NOVO LOCKDOWN

O pedido de novo lockdown para todo o Maranhão foi feito por defensores públicos do Estado, na terça-feira (2), ao mesmo juiz que decretou o endurecimento da quarentena em abril do ano passado, Douglas de Melo Martins, titular da Vara de Direitos Difusos e Coletivos de São Luís. Os defensores públicos Clarice Viana Binda, titular do núcleo de Direitos Humanos; Cosmo Sobral da Silva, titular do núcleo de Defesa da Saúde, da Pessoa com Deficiência e da Pessoa Idosa; e Diego Carvalho Bugs, defensor do núcleo regional da Raposa, pedem o lockdown pelo período de 14 dias.

No mesmo dia em que recebeu a petição de Clarice, Cosmo e Diego, o juiz Douglas anunciou que antes de bater o martelo sobre o fechamento total, daria o prazo de 72 horas para o governador do Maranhão, Flávio Dino, e os prefeitos dos 217 municípios, apresentarem medidas que estão sendo tomadas para evitar a disseminação da Covid-19. O prazo da Justiça se expira nesta sexta-feira (5).

EMPRESÁRIOS TEMEM O FECHAMENTO TOTAL

Nessa quinta-feira, o Jornal Pequeno ouviu o presidente da Associação Comercial do Maranhão (ACM), o empresário Cristiano Barroso Fernandes. Durante a entrevista, Cristiano declarou que as entidades empresariais foram pegas de surpresa com o pedido dos defensores públicos pelo isolamento extremo.

Foi o presidente da ACM quem frisou o fim do auxílio emergencial ao brasileiro, e dos incentivos financeiros do governo federal para empresários na adoção da suspensão temporária do contrato de trabalho. “A classe empresarial tem o papel de garantir os protocolos sanitários, e isto é feito. Uma petição será entregue à Vara de Direitos Difusos e Coletivos. No documento, há o apelo pela discussão detalhada da continuidade do comércio, da forma como tem acontecido, tendo todos os protocolos respeitados”, disse Cristiano.

A ACM existe há 167 anos. Sua jurisprudência é a região metropolitana de São Luís. Há hoje na entidade 500 empresas associadas. A entidade funciona com 11 vice-presidência, e atua nos setores de comércio, indústria, serviços e construção.

Hoje, segundo o presidente da ACM, 90% do efetivo da entidade são micro e pequenas empresas. Em 2020, em meio à pandemia, a Associação estava comprometida em ministrar treinamentos capazes de colocar empresas no mundo digital, além de exercer a intermediação no acesso ao crédito. Entretanto, as dificuldades pesaram mais para algumas companhias de pequeno porte e microempresários.

Somente na ACM, segundo Cristiano, das 500 empresas associadas, também devido principalmente à pandemia de Covid-19, cerca de 40% estão inadimplentes. “Há aquelas que hoje ainda existem apenas no papel, pois para que sejam liquidadas, precisam resolver pendências”, informou o presidente da Associação Comercial.

EMPRESAS PODERÃO FECHAR DE VEZ

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de São Luís (CDL), Fábio Ribeiro, declarou que o lockdown impactará negativamente nos micro e pequenos negócios do varejo, que foram duramente afetados com a suspensão das atividades em 2020. “Este público está pagando dívidas adiadas, empréstimos bancários, aluguel pleno e impostos, num cenário econômico totalmente fragilizado. Se houver lockdown, mais empresas do comércio vão fechar e teremos aumento forte do desemprego”, destacou Fábio.

Para o presidente da CDL, o comércio fechar suas portas por alguns dias significa grande perda de faturamento. “Com a pandemia e os prejuízos da paralisação do ano passado, os lojistas tiveram que se adaptar com o mínimo necessário para continuar, e hoje estão trabalhando para conter gastos, com um quadro enxuto de funcionários e estoques menores”, frisou Fábio.

Em relação aos protocolos, que, como já citado por Cristiano Barroso, da ACM, faz parte do papel do empresário na crise do coronavírus, Fábio informou que a CDL tem orientado e incentivado o lojista a administrar o distanciamento para evitar aglomeração, oferecer álcool em gel e controlar a circulação dentro do seu estabelecimento.

A Associação Maranhense de Supermercados (Amasp) divulgou nota-pública se manifestando contra o lockdown, por considerar precipitado o pedido dos defensores públicos. Na nota conjunta, assinada pelas associações empresariais ACM, ACII, Acomac-MA, AJE, pela CDL, e pelas federações Faem, Faema, FCDL, Fecomércio, e Fiema, está escrito que, no entendimento dessas entidades, o lockdown seria um “duro golpe”.

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