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Alergias alimentares na infância: o que você precisa saber

As reações podem ser, desde sintomas na pele (urticária) a inchaço nos olhos e na boca.

Foto: Ilustração

É cada vez mais frequente crianças com reações adversas a alimentos, por vezes apresentando reações graves e necessidade de dietas bastante restritivas, em razão das alergias alimentares que vêm aumentando no mundo todo. Mas o que é alergia alimentar? Alergia a leite e intolerância a lactose são a mesma coisa? Podemos fazer algo para prevenir? Tem cura?

Alergia alimentar é uma reação adversa a um determinado alimento que envolve o sistema imunológico do paciente. Ou seja, o organismo entende que aquele alimento não é benéfico e reage contra ele, como se estivesse em uma “guerra”. As reações podem ser, desde sintomas na pele (urticária) a inchaço nos olhos e na boca, diarreia, vômitos, desconforto respiratório e, em casos mais graves, podem comprometer vários órgãos e levar à morte.

Nas crianças pequenas, os sintomas podem ser diferentes, como irritabilidade, refluxo, perda de sangue nas fezes, retardo no crescimento. Estima-se quealergias alimentares verdadeiras acometam 6% a 8% das crianças com menos de 3 anos de idade, sendo mais comuns em crianças com outras doenças alérgicas, como dermatite atópica e asma.

Crianças com história familiar de alergia têm risco aumentado de alergia alimentar. As alergias alimentares são reações contra as proteínas presentes nos alimentos. Na infância, um dos alimentos que mais provoca alergia é o leite de vaca. Por isso, é muito comum a confusão com o termo intolerância à lactose, mas são condições bastante diferentes.

A intolerância à lactose é uma reação ao açúcar do leite (a lactose). Nesse caso, o corpo não vê o leite como “inimigo”, ele apenas não possui a enzima necessária para digerir o açúcar do leite e, por isso, a pessoa fica com mal estar, dor de barriga, gases, diarreia e vômitos, causados pelo acúmulo do açúcar no intestino, mas sem possibilidade de levar à morte. Quanto maior a quantidade de leite, pior o sintoma.

No entanto, isso não quer dizer que o paciente não possa ingerir a proteína do leite de vaca. Pequenas quantidades de lactose ou produtos sem lactose são opções para esses pacientes. Em geral, as crianças pequenas, até dois anos, digerem bem a lactose. A intolerância à lactose costuma ser uma doença de crianças mais velhas e adultos, pois, à medida em que envelhecemos, a quantidade de enzima no intestino diminui (lactase).

Já a reação alérgica ao leite de vaca pode estar presente desde os primeiros meses de vida. Como as proteínas ingeridas pela mãe passam através do leite materno, isso pode sensibilizar as crianças e fazer com que elas desenvolvam alergias, não só a leite de vaca, mas a muitos outros alimentos.

É importante alertar que qualquer alimento pode desencadear alergia. Os mais comuns são: leite, ovo, soja, trigo, amendoim e castanhas, peixes e crustáceos. No caso de pacientes com alergia a leite de vaca, não é possível consumir alimentos sem lactose. É necessário excluir todos os alimentos que contém proteína do leite e derivados do leite (iogurte, queijo, manteiga, etc.). Mesmo em doses pequenas, esses alimentos “irritam” o organismo e geram as reações indesejadas, que podem ser graves.

O diagnóstico depende de história clínica minuciosa associada a dados de exame físico, que podem ser complementados por testes alérgicos. No caso de crianças pequenas, a história clínica é mais importante ainda, pois nem sempre os exames laboratoriais são positivos.

Até o momento, não existe um medicamento específico para tratar a alergia alimentar. Uma vez diagnosticada, o mais importante é retirar o alimento da dieta da criança. Por vezes, é muito difícil conscientizar a família de que é realmente necessário excluir o alimento e que não adianta ficar dando pequenas quantidades do alimento para “testar”.

Nos casos de alergia, mesmo em pequena quantidade, o organismo entende que está sendo atacado e reage. Importante: o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida e a introdução alimentar adequada, após o sexto mês de vida, são fatores preventivos de alergias alimentares. Não há vantagem em fazer uma dieta específica para a mãe para evitar alergias, mas se a criança for diagnosticada com alergia alimentar, a mãe deve excluir o alimento da sua dieta.

É muito importante que a família aprenda a ler os rótulos dos alimentos, para evitar consumo por engano do alimento que causa alergia. Também é fundamental acompanhamento com nutricionista, evitando deficiências nutricionais por substituições inadequadas.

A boa notícia é que as alergias alimentares têm bom prognóstico na infância, ou seja, a maior parte das crianças vai ficar curada e poder comer todos os alimentos na idade adulta. Mas é necessário acompanhamento médico para introdução desses alimentos no momento adequado, evitando reações graves e prolongamento do quadro.

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