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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Maranhão tem 41 membros das forças de segurança mortos pela Covid-19, desde o início da pandemia

Entre as vítimas, estão 21 policiais militares, 17 integrantes da Polícia Civil e três do Corpo de Bombeiros.

Alguns membros das forças de segurança vítimas da Covid-19 (Foto: Divulgação)

O Maranhão já registrou 41 mortes de membros das forças de segurança, entre bombeiros, policiais civis e militares, por complicações da Covid-19, desde o início da pandemia no estado, em março de 2020, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA).

Os mais atingidos foram membros da Polícia Militar com 21 óbitos, seguidos pelos da Civil com 17 e três do Corpo de Bombeiros. Atualmente, mais de seis mil pessoas já morreram pela doença no Maranhão, que conta com mais de 16 mil casos ativos, conforme a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MA).

A última vítima, no dia 31 de março, foi o cabo Daylon Serejo, do 7º Batalhão da Polícia Militar de Pindaré-Mirim. Ele morreu em um hospital de São Luís, onde estava internado. Um dia antes, a Polícia Civil perdeu o delegado Diogo Antônio Cabral de Melo e o investigador Wladimir Fontenelle Sá Barreto, que estavam lotados na Delegacia de Cantanhede e São Domingos do Maranhão, respectivamente.

Já no Corpo de Bombeiros, o subtenente Luís J. Amorim foi o terceiro da corporação que veio a óbito, no dia 22 de março. Os dados disponibilizados à reportagem pelos órgãos apontaram que 325 bombeiros foram infectados pelo coronavírus. Na Polícia Militar, 1073 atestados foram apresentados, de março de 2020 até o dia 9 do mês passado, relacionados à doença. 207 policiais civis testaram positivo, 179 se recuperaram e 897 suspeitos da Covid-19 foram descartados.

Em entrevista ao Jornal Pequeno, o secretário de Segurança, Jefferson Portela, destacou todos os cuidados que foram tomados para garantir a saúde dos servidores do sistema, que são do grupo de atividades consideradas essenciais e tiveram que seguir trabalhando normalmente.

Segundo o secretário, ocorreram afastamentos por idade, por comorbidade e por contaminação. “Desde o princípio, nós atuamos sobre as regras sanitárias. Elas deram o modo do controle quanto às nossas ações policiais, o que é uma questão médica e que tem que ser tratada do modo mais correto possível”, explicou, ressaltando que foram distribuídas máscaras, álcool em gel e oferecidos orientação de contato e cuidados diários, logo no início, além da higienização das unidades policiais pelo Corpo de Bombeiros.

O titular da pasta lamentou a incompreensão do governo federal sobre a atividade essencial que é a segurança pública, e de não ter incluindo, também, na primeira rodada os policiais do Brasil para a vacinação preferencial, visto que não houve interrupção do serviço à sociedade.

Portela elogiou o intenso trabalho dos profissionais de segurança que, mesmo diante da pandemia, continuaram atuando de forma eficaz no combate a criminalidade.

Conforme o secretário, no ano de 2020, foi cumprida a média de seis mil prisões em todo estado, entre flagrantes e mandados. “Eles cumpriram suas missões aqui na terra como servidores da segurança. Peço que os familiares cultivem tudo de bom que nossos colegas deixaram quando estiveram aqui na terra. Nós vamos honrar tudo que eles representaram e colaboraram. Uma homenagem eterna por tudo de bom que eles fizeram. Todo policial tem duas famílias, e eles serão sempre lembrados”, garantiu o secretário sobre os agentes mortos pelo coronavírus.

VACINAÇÃO

Durante a entrevista concedida ao JP, o secretário Jefferson Portela revelou que já estava sendo tratado com o governador Flávio Dino sobre a prioridade da vacinação aos profissionais de segurança. Na ocasião, ele informou que a nova remessa de vacinas compradas pelo estado já oportunizaria essa possibilidade.

O Maranhão assinou, no dia 17 de março, o contrato que autorizou a aquisição de 4,582 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, para o combate ao coronavírus.

Na sexta-feira (1º), o secretário estadual de Saúde e presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, anunciou que, após sugestão feita por ele ao Ministério da Saúde, finalmente as forças de segurança começarão a ser vacinadas.

“Os trabalhadores envolvidos no enfrentamento à pandemia, no resgate, salvamento e nas ações de vigilância e vacinação, serão imunizados”, disse, por meio de um vídeo postando em uma rede social.

O Ministério da Saúde divulgou que anteciparia, já no envio previsto para última sexta-feira, as doses de vacina, de maneira escalonada e proporcional, exclusivamente para a vacinação das seguintes categorias:

  • trabalhadores envolvidos no atendimento e/ou transporte de pacientes;
  • trabalhadores envolvidos em resgates e atendimento pré-hospitalar;
  • trabalhadores envolvidos diretamente nas ações de vacinação contra a covid-19;
  • trabalhadores envolvidos nas ações de vigilância das medidas de distanciamento social, com contato direto e constante com o público, independente da categoria.

De acordo com a coordenadora geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fontana, o Ministério da Saúde tem conhecimento dos esforços desses profissionais para enfrentamento da pandemia, critério este considerado para antecipar a vacinação de parte do grupo.

“Decidimos antecipar a vacinação de uma parcela desse grupo seguindo critérios que atendam o Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, levando em conta a função que cada agente exerce para o combate à pandemia”, explicou.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, a identificação dos profissionais, conforme linha de atuação, deverá ocorrer em articulação com os gestores locais, bem como com as entidades representativas do grupo-alvo. A orientação é que os agentes apresentem um documento declaratório que comprove a sua atividade para receber a vacinação.

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