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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Hospital Nina Rodrigues completa 80 anos e abre novas frentes de batalha contra os males psiquiátricos

Acupuntura, meditação, reiki, oficinas e atividades físicas são opções de tratamento na unidade de saúde.

A diretora-geral Ana Gabrielle Romanhol e sua equipe em visita ao Núcleo de Apoio à Criança e ao Adolescente, um dos espaços lúdicos do Hospital Nina Rodrigues (Foto: Divulgação)

Sessões de acupuntura, meditação e reiki, oficinas de artesanato, reciclagem e cozinha, além de atividades físicas. Essa é a atual combinação adotada pelo Hospital Nina Rodrigues, localizado na Avenida Getúlio Vargas, no bairro do Monte Castelo, em São Luís.

É como um trabalho de “alta-costura: tudo sob-medida”. Cuidados individualizados e multidisciplinares. A medicação? Apenas mais um recurso terapêutico.

O Nina Rodrigues, que foi fundado em 1941 para ser uma colônia dos psicopatas, um lugar onde as pessoas eram depositadas e ficavam sem tratamento, mudou.

“Hoje, nós vemos a pessoa como um ser biopsicossocial, e, até mesmo, espiritual”, informou a diretorageral do hospital, a psicóloga Ana Gabrielle Romanhol.

A frase de Romanhol se encaixa na visão social da Reforma Psiquiátrica, de 2001, que prioriza o atendimento comunitário em detrimento das internações.

O Hospital Nina Rodrigues completou 80 anos de fundação no dia 25 de março de 2021. Ele funciona como o único serviço de emergência psiquiátrica do estado do Maranhão, e não há nele leitos para internações. Casos de internamento são encaminhados para as clínicas São Francisco e La Ravardière, essa localizada na Avenida São Luís Rei de França, bairro Turu.

Na estrutura do Nina Rodrigues, existe uma unidade médica que oferece serviços para pacientes psiquiátricos, mas com outras questões clínicas, comorbidades ou que precisam de atenção física e espiritual.

“O sujeito não é apenas mente, mas corpo e alma. O vemos na sua totalidade. Por isso, são oferecidas sessões de reiki, acupuntura, meditação. E, também, a fim de proporcionar oportunidades no mercado de trabalho, cursos de artesanato, culinária e reciclagem. A atividade física também é tida como parte do tratamento”, informou Romanhol.

PRONTO ATENDIMENTO

O Serviço de Pronto Atendimento (SPA) funciona 24 horas, e não precisa de nenhum encaminhamento. O perfil de pacientes do SPA são pessoas com surto psicótico. “Precisam estar em surto. Deve apresentar agitação psicomotora, confusão mental, fora do seu juízo crítico”, destacou a psicóloga.

Romanhol informou o que o paciente fica “até” 72 horas em observação no SPA. Depois desse tempo, caso seja necessário, ele é levado para a La Ravardière ou São Francisco.

AMBULATÓRIO

O Nina Rodrigues também conta com um ambulatório, com hora marcada por central telefônica do hospital. No ambulatório, há médicos especializados em neurologia, psicologia, psiquiatria, terapia ocupacional, nutrição e educação física. E Ana Romanhol informou que, em outubro de 2020 foi inaugurado, dentro do ambulatório, o Núcleo de Atenção à Saúde Mental da Criança e do Adolescente (Nasmca).

“No núcleo, oferecemos serviços de saúde mental específico para criança e adolescente, com médicos psiquiatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, e o acompanhamento da residência médica em psiquiatria”, explicou a diretora-geral.

Para adentrar ao hospital, por meio do ambulatório, Ana Romanhol informou que o paciente precisa vir de algum município que não tenha o serviço de saúde mental. “Há uma parceria com o Departamento de Saúde Mental do Maranhão, que nos repassa quantos serviços dispõe cada cidade maranhense”, informou.

ENFERMARIA

Trata-se de uma enfermaria de curta permanência, que se auxilia no manejo da residência médica em psiquiatria do Nina Rodrigues. Vão parar na enfermaria pacientes sem antecedentes de surtos psicopáticos.

A direção-geral do hospital avalia que, neste sentido, o enfermo precisa de uma observação melhor, excedendo o prazo de 72 horas. “É feito o remanejamento do SPA para a enfermaria de curta permanência, onde haverá estudo de caso e clínico pela residência”, disse Romanhol.

Além da estrutura da enfermaria de curta permanência, há outra enfermaria no Nina Rodrigues destinada para pacientes privados de liberdade. São pessoas com transtornos mentais em conflito com a lei. Há também no prédio do hospital um núcleo de perícia psiquiátrica.

FLORECER

À frente da direção do Nina Rodrigues desde 2019, Romanhol informou que instituiu na sua gestão o Projeto Florescer, direcionado para os colaboradores do hospital. “São serviços diários, semanais ou mensais, voltados a práticas integrativas, capazes de cuidar dos nossos colaboradores”, informou a psicóloga.

Segundo a diretora, há o Florescer Itinerante, quando o projeto sai do Nina Rodrigues e é oferecido a outros servidores estaduais.

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