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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Contribuições do empreendedor Inácio Melo para o debate público e desenvolvimento econômico em tempos de crise

O estado que oferece segurança jurídica, política, tributária junto a uma estrutura tem tudo para atrair grandes investimentos.

Inácio Melo, empreendedor (Foto: Divulgação)

Começo hoje um novo desafio. Um desafio que não é exatamente algo simples para mim, mas que será prazeroso e estimulante. Começo neste sábado, dia 08 de maio de 2021, a escrever semanalmente como colaborador de um dos mais importantes e respeitados periódicos do Maranhão. Passo a figurar como colunista do Jornal Pequeno, o que me honra e envaidece, pois por estas páginas já passaram nomes de peso estadual e nacional. Nem me atrevo a estar no panteão de tantas figuras ilustres. Irei conter minha alegria e as minhas letras, irei tentar contribuir com o debate público através das minhas experiências de vida, tanto pessoais como profissionais. Isso em um Brasil que precisa de discussão, que precisa de muitas mãos, muitas mentes e muitos corações com o intuito que nosso país possa voltar aos trilhos do desenvolvimento. De certo posso contribuir, se ainda não com projetos, mas pelo menos tencionando o debate público sobre desenvolvimento econômico. Isso, sem dúvidas, acredito que com muita humildade posso ajudar.

Antes de mais nada é importante – para usar o termo da moda – demarcar meu lugar de fala. Sou cearense, cresci no Ceará em um período de muita pujança econômica. Enquanto eu saia da adolescência, o governador da época era Tasso Jereissati, e havia uma espécie de euforia que empurrava muitos jovens para o empreendedorismo. Me recordo que o novo governo Tasso Jereissati (1995-2002) criou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que era responsável por organizar um programa para atração de investimentos empresariais externos. O estado garantia alguns incentivos fiscais e tributários, e com isso dezenas de grandes empresas foram atraídas para o Ceará. Junto com a chegada de grandes empreendimentos privados, a máquina estatal se voltou para a construção de uma infraestrutura de porto, aeroporto e vias de comunicação de qualidade em todo o estado. A cada grande obra de infraestrutura, a cada grande empreendimento instalado no parque industrial da capital Fortaleza, uma série de oportunidades surgia para quem quisesse se favorecer daqueles negócios, de pequenas lanchonetes a micro indústrias, que iriam servir às grandes empresas que estavam chegando.

Essa visão se enraizou em minha mente. Passei a entender que o estado não pode ser o único e talvez nem o principal esteio do desenvolvimento econômico. Com toda certeza, o estado que oferece segurança jurídica, política, tributária junto a uma estrutura tem tudo para atrair grandes investimentos nacionais e internacionais. Não se trata apenas do estado oferecer benefícios ou subsídios para empresários ricos, se trata do estado compreender que não existe desenvolvimento econômico com emprego e renda em níveis aceitáveis apenas com a máquina estatal como grande empregadora.

O estado pode e deve aumentar seu papel na esfera pública, o estado pode e deve investir forte em educação, saúde, segurança e infraestrutura. Isso tudo gera no empreendedor mais segurança para investir em um determinado local. Não preciso falar o que todo maranhense sabe; temos uma posição geográfica extremamente favorável para escoamento de nossa produção, no entanto, por mais que o diligente e competente governador Flávio Dino fomente o setor produtivo estadual precisamos nacionalmente cumprir alguns requisitos para que a economia volte a crescer no período pós-crise do COVID-19. Precisamos urgentemente de uma reforma tributária que simplifique e quiçá unifique alguns tributos.

Há hoje no Brasil uma miscelânea de tributos que não fazem bem ao estado e acabam ferindo de morte quem quer abrir um negócio, gerar emprego e, por conseguinte, gerar renda não deve ser trabalhoso. O estado deve incentivar, e reitero, facilitar a abertura de novos negócios. O estado deve garantir a previsibilidade jurídica, fiscal e, atualmente, política, pois é muito difícil investir no país sem você saber como será o dia de amanhã. Dessa forma compreendo que uma nação, um estado cresce quando o setor produtivo cresce, quando as pessoas passam a ter sua própria renda, quando passam a almejar algo melhor tendo as condições reais no “chão da cidade”, para que o sonho não seja só uma utopia.

Construir uma realidade diferente onde estado e iniciativa privada sejam parceiras, onde o empreendedor não seja visto como um “explorador”, mas sim alguém que vislumbra um lugar melhor para se viver. Não dá mais para aceitar uma “elite” que se veja como uma casta aristocrática, que do seu condomínio fechado se ilha do que ocorre no resto do país. O empreendedor brasileiro atual – ou pelo menos uma boa parte dele – não quer privilégios do estado, não quer benefícios gratuitos, quer poder com calma e serenidade tocar seu negócio e com isso favorecer a todos que estão ao seu redor. Uma lição que aprendi no Ceará, e vejo muitos irmãos e irmãs maranhenses falando, é que “quando se fecha uma empresa não tem nada para se comemorar”, afinal ali não foi só um “rico” empresário que faliu, mas sim vários pais e mães de família que perderam seu ganha pão e isso tenho certeza que ninguém quer.

Inácio Melo

Empreendedor

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