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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Aspa busca acabar com a fragilidade da segurança nas escolas do Maranhão

Tragédia ocorrida em uma creche na cidade de Saudade (SC) aumentou a preocupação da Associação de Pais e Alunos do Estado.

O presidente interino da Aspa, Rodrigo Guará, afirmou que é preciso transformar as escolas em fortalezas de segurança contra ataques (Foto: Gilson Ferreira)

O ataque a uma creche em Saudades (SC), ocorrido no dia 4 deste mês, trouxe uma preocupação à Associação de Pais e Alunos de Instituições de Ensino do Estado do Maranhão (Aspa-MA): como está a segurança dos colégios maranhenses? No dia seguinte do assassinato brutal de três crianças e duas professoras na Escola Municipal Infantil Pró-Infância Aquarela, a Aspa elaborou uma carta aberta que busca com as redes municipal, estadual e privada de ensino, a elaboração de um plano que assegure a integridade física dos estudantes e professores, no ambiente escolar.

Em entrevista ao Jornal Pequeno, o presidente interino da Aspa, Rodrigo Guará Nunes, informou ter feito uma pesquisa online e que nela encontrou numa matéria jornalística o mapa de dez crimes que chocaram o país, ocorridos em escolas, entre os anos de 2002 e 2019. Foram casos que aconteceram na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Piauí, Paraíba, Goiás, e no Paraná.

No somatório de todos eles, dez pessoas morreram e 11 ficaram feridas. Os autores tinham entre 17 a 25 anos, todos eram homens. No Maranhão, nenhuma chacina, mas há casos de crimes e ataques registrados em escolas.

Em 2019, Rafael Silva dos Reis, de 18 anos, foi preso em Balsas, após ter afirmado em uma rede social que iria invadir uma escola e matar a todos. Na delegacia, Rafael Reis pediu desculpas à população de Balsas e disse que foi só uma brincadeira de mau gosto.

Ainda no Maranhão, em 2016, um aluno armado disparou contra outro estudante na calçada da Unidade Integrada João Paulo II, bairro do Habitacional Turu, em São Luís.

No ano de 2015, um jovem identificado como Jabson Moura Santos, 18, que, segundo a polícia ele sofria de depressão, entrou armado na escola Estadual Inácio Passarinho, em Caxias, e atirou nele mesmo. Jobson foi socorrido, passou por uma cirurgia e sobreviveu.

Em 2012, dois homens se passaram por pais de alunos, entraram na UEB Galileu Clementino, localizada no bairro Vila Vitória, em São Luís, e tentaram roubar a arma do vigilante. Houve troca de tiros, o vigilante e um dos assaltantes foram atingidos.

Para Rodrigo, os estabelecimentos de ensino precisam se tornar fortalezas para evitar estes episódios. Segundo Rodrigo, detectores de metais, iguais aos de aeroporto, e câmeras de monitoramento estão entre as soluções sugeridas pela Aspa. Treinamento de alunos sobre como proceder em caso de um atirador invadir uma escola, também.

Para Rodrigo, a última chacina, a que aconteceu em Saudades, além de outros ataques sangrentos em ambientes escolares, devem motivar mudanças nas leis, principalmente no Maranhão.

“Eu já fui secretário de Educação na cidade de Grajaú. Este cargo me fez conhecer, de fato, a realidade que a rede educacional do Maranhão passa por conta de violência. A intenção da Aspa é provocar resoluções nos políticos, e que possamos trabalhar em conjunto com pais, instituições que representem colégios pequenos, médios e grandes, e a categoria de profissionais da educação”, destacou Rodrigo.

Em seu currículo, o presidente interino da Aspa também carrega a experiência de já ter sido vice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

De acordo com Rodrigo, a carta aberta da Aspa é um alerta e um pedido de ajuda às autoridades do Maranhão. “Queremos o controle de entrada e saída de pessoas não identificadas nas escolas; o trabalho de conscientização sobre a violência para todos no ambiente escolar; e o reforço no patrulhamento da Polícia Militar ou de guardas municipais, queremos uma política de parceria”, destacou Rodrigo Guará.

O atual presidente da Associação de Pais e Alunos de Instituições de Ensino do Estado do Maranhão informou que a carta aberta foi encaminhada para a Câmara de Vereadores de São Luís e Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão.

Em segundo plano, segundo Rodrigo, a Aspa tentará contato direto com os secretários de Educação do interior do estado, pois os pedidos da associação são para todas os colégios maranhenses. Ele disse que na próxima terça-feira (18) se reunirá com o deputado estadual Yglésio Moyses.

“Neste momento, criamos a rede de discussão, para que o plano de segurança possa ser construído”, frisou Rodrigo.

ASPA

A Aspa foi criada no dia 12 de março de 2020, quando aulas de inglês passaram a ser obrigatórias, e colégios particulares de São Luís aumentaram a carga horária no ensino da língua estrangeira, e passaram a exigir a compra exclusiva de livros da editora Pink and Blue (PBF).

Pais de estudantes matriculados nestas instituições reagiram às decisões tomadas pelas escolas, alegando terem sido feitas de forma unilateral. Naquela época, famílias acionaram o Procon e o Ministério Público, por meio da 1ª Promotoria de Defesa do Consumidor, para tomada de providências.

A associação tem cinco grupos de WhatsApp, com média de 200 pais ou responsáveis por alunos, em cada um deles.

CHACINA EM CRECHE

A tragédia são as mortes de pelo menos cinco pessoas, depois que um jovem de 18 anos invadiu a Escola Municipal Infantil Pró-Infância Aquarela e golpeou professores e crianças com uma arma branca semelhante a um facão. O episódio deixou em choque a cidade de Saudades, que tem 9.810 habitantes, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e nunca tinha testemunhado casos de violência parecidos.

Entre os mortos estão uma professora, Keli Adriane Aniecevski, 30, uma agente de educação, Mirla Amanda Renner Costa, 20, e três crianças menores de dois anos.

O jovem também se cortou com a arma, sendo encaminhado a um hospital com ferimentos no pescoço, abdômen e tórax, segundo as forças de segurança do estado.

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