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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Casal é encontrado morto em banheiro de apartamento

Para delegada que investiga caso, Mateus Correia e Nathalia Guzzardi Marques foram vítimas de um problemas no aquecedor a gás.

Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques, achados mortos em box de banheiro no Leblon (Foto: Reprodução)

Um casal foi encontrado morto, na noite dessa terça-feira, dia 22, em um apartamento no Leblon, Zona Sul do Rio. Os corpos de Mateus Correia Viana e de Nathalia Guzzardi Marques, ambos de 30 anos, estavam no box do banheiro de um imóvel na Avenida Bartolomeu Mitre. Eles podem ter sido vítimas de um vazamento de gás, pois o aquecedor de água fica dentro do cômodo. Equipes da 14ª DP (Leblon) estiveram no local, até o início da madrugada desta quarta-feira, dia 23, aguardando a chegada da equipe de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), da Polícia Civil.

De acordo com a perícia feita de madrugada, não há sinais de que a residência tenha sido arrombada ou invadida. O banheiro possui gás encanado. Segundo os peritos, um problema no exaustor do aquecedor pode ter causado as mortes. Os dois teriam inalado monóxido de carbono.

O caso é acompanhado pela 14ª DP (Leblon). Em nota, a Civil afirma que “informações preliminares indicam que a causa das mortes teria sido um vazamento de gás no banheiro onde as vítimas estavam”. O cômodo possui gás encanado. De acordo com a Polícia Militar, também por meio de nota, a equipe do 23° BPM (Leblon) encontrou o casal desacordado, e o “óbito foi constatado por uma equipe do SAMU que esteve no local, e de acordo com as primeiras informações, a causa da morte teria sido um vazamento de gás”.

Nathalia estava desaparecida desde a última segunda-feira (21). Parentes e amigos já haviam divulgado cartazes em redes sociais em busca de informações. A família se preocupou porque Nathalia, que é psicóloga, é sócia de uma clínica na Freguesia, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, e não desmarcou os pacientes agendados para esta terça-feira nem foi ao trabalho. Num cartaz que foi divulgado pela família nas redes sociais, o último contato feito por ela ocorreu por volta das 16h de segunda-feira.

Segundo amigos, a psicóloga deixou o filho de 8 anos na escola, na Freguesia, e depois almoçou com a mãe. Familiares disseram ainda que ela pediu para que a mãe buscasse a criança. Após o encontro, ela não foi mais vista e não atendeu mais o celular.

Os amigos de Nathalia chegaram a pensar que o carro dela teria sido roubado por ter passado por câmeras de radares na cidade, em pontos diferentes dos habituais, no caminho entre Jacarepaguá e o Leblon, para encontrar com Mateus, na segunda-feira. Na tarde de terça-feira, ele usou o carro da psicóloga para buscar a bateria de uma moto, o que criou mais uma rota diferente da habitual. O veículo foi localizado pelos policiais estacionado próximo ao prédio de Mateus.

Mateus era empresário e, de acordo com os amigos, o apartamento era dele. Ele deixou de falar com os amigos e familiares na manhã de ontem, terça-feira.

Amigos tinham senha da chave eletrônica

Segundo os PMs que atenderam a ocorrência, os próprios amigos de Mateus que, estranhando o desaparecimento, foram até o apartamento no Leblon. Ainda de acordo com os policiais, o imóvel possui uma fechadura eletrônica, e os colegas dele tinham a senha. Foram os amigos que alertaram os bombeiros.

De acordo com a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, o quartel da Gávea chegou a ser acionado às 22h29 por uma pessoa, que relatava haver dois jovens desacordados no imóvel. Minutos depois, no entanto, outra ligação cancelava o chamado e informava sobre a morte das vítimas.

Asfixia

Os laudos de exames de necropsia realizado em Mateus Correia Viana e Nathalia Guzzardi Marques, ambos de 30 anos, apontam que os corpos do casal apresentam “sinais gerais de asfixia, com coloração carminada dos tecidos, sugestivo de intoxicação exógena”. O documento, assinado pelo perito Claudio Amorim Simões, do Instituto Médico Legal (IML) descreve que foram solicitados exames complementares que definam se a intoxicação ocorreu por monóxido de carbono.

De acordo com a delegada Natacha Alves de Oliveira, titular da 14ª DP (Leblon), a principal suspeita até o momento é que os jovens tenham sido vítimas de um acidente doméstico, em decorrência de problemas no aquecedor a gás da água do apartamento onde estavam.

— A principal linha investigativa é no sentido de tratar-se de um acidente doméstico, decorrente da presença de aquecedor de água à gás no interior do banheiro, onde o casal foi encontrado. Segundo laudo de exame de necrópsia do IML, os corpos apresentavam sinais gerais de asfixia, sugestivos de intoxicação exógena, sendo solicitados exames laboratoriais complementares a fim de verificar se a causa da morte pode ser oriunda de asfixia por monóxido de carbono — explica a delegada.

Por volta das 15h15m, a mãe de Mateus chegou ao IML. Muito abalada, Emília Marta de Andrade Correia foi amparada por familiares e amigos que a esperavam no local. A mulher, que estava na Bahia, retornou às pressas após saber da morte do filho. A família deverá recorrer à Justiça para que o corpo do jovem seja cremado. O procedimento deverá acontecer na quinta-feira, em um dos cemitérios com complexo do Caju, na Zona Portuária do Rio.

Já o corpo de Nathalia Guzzardi Marques, também de 30, deverá ser sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. Ainda não existem horários para a cremação e para o sepultamento.

Segundo pessoas ligadas a família de Mateus, os parentes querem que o corpo seja cremado. Eles deverão pedir autorização da justiça para que a cremação aconteça em um cemitério do complexo do Caju. Será a justiça que vai autorizar ou não.

De acordo com o perito Nelson Massini, professor titular Medicina Legal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a coloração carminada dos tecidos dos corpos de Mateus e Nathalia já é indicativo da intoxicação por monóxido de carbono. Ele afirma que provavelmente havia um problema no sistema de exaustão do aquecedor, que, em vez de jogar o gás por uma chaminé para fora do apartamento, o manteve dentro do banheiro. Segundo peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), que estiveram no imóvel durante a madrugada, o cômodo possuía um basculante, que estava fechado no momento do acidente.

— Recomenda-se muita cautela em espaços com instalação de aquecedores à gás, devendo-se assegurar que o mesmo se mantenha sempre ventilado, permitindo a circulação de ar. No inverno, acidentes trágicos do tipo se tornam mais frequentes, principalmente com crianças e casais — pontua a delegada.

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