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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Susep vai lançar seguro aberto este ano para aumentar a concorrência no setor

A maioria dos diversos tipos de seguros vêm refletindo melhorias no desempenho em relação ao ano anterior

Foto: Reprodução

O setor dos seguros tem muitos desafios a enfrentar motivados pelas mudanças produzidas desde a chegada do Covid-19. É claro que nem todas as áreas têm se comportado do mesmo jeito.

Na verdade, a maioria dos diversos tipos de seguros vêm refletindo melhorias no desempenho em relação ao ano anterior. De acordo com o Relatório Conjuntura N° 47 elaborado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), a arrecadação do mercado de seguros no primeiro trimestre de 2021 foi de R $130,9 bilhões. O valor inclui as somas percebidas por contraprestações líquidas, prêmio direito de seguro, contribuições de previdência e faturamento de capitalização. A cifra significa um crescimento de 8,7% se comparado com o mesmo período do ano anterior.

Ainda com esse dado positivo, a realidade é que fazer comparações com relação ao ano 2020 não mostra um comportamento normal pelo atípico daquele período, principalmente nos primeiros meses em que as restrições e limitações de circulação vinculadas com a pandemia foram mais fortes. Um dos exemplos mais relevantes é o dos seguros de carro. Vamos tomar de exemplo o mês de abril: ainda que em relação ao mesmo mês de 2020 o crescimento na arrecadação foi de 7,8%, se a análise é focada para os períodos pré-pandemia vê-se que o setor se mantém praticamente sem crescimento desde 2018. De fato, se comparado com abril de 2019 os valores de 2021 apresentaram uma queda de 9,6%.

Com aquele cenário as autoridades e as principais companhias estão na procura de criar mais e melhores opções de produtos para o mercado, com condições e preços mais atraentes para os consumidores, levando em conta que muitas pessoas estão em épocas de limitar os gastos no orçamento por causa da crise. Para isso, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) vem desenvolvendo o sistema conhecido em inglês como open insurance ou “seguro aberto” conforme a sua tradução.

Trata-se de um sistema de procedimentos e regras que visam abrir justamente o mercado segurador, principalmente no que tem a ver com a informação. Isto não deve ser confundido com as chamadas coberturas de seguro aberto que são aquelas que podem ser modificadas pelo próprio segurado, adicionando ou excluindo proteções conforme a necessidade.

No novo sistema “open”, as empresas vão ter que disponibilizar os dados que possuem dos seus clientes, sempre com prévio consentimento deles, para as demais companhias, como já acontece com o open banking. A ideia base é que o dono da informação é o consumidor. Então, se ele quiser, os dados obtidos pela seguradora 1 poderão ser consultados pela seguradora 2 sempre que esteja autorizada para atuar no mercado.

E daí, qual seria o benefício? Em termos gerais o objetivo do programa é oferecer produtos concorrentes e mais baratos. É que contar com mais informações dos clientes, produto do compartilhamento, vai estimular a disputa pelos segurados, promovendo a concorrência e, com isso, o lançamento de novos produtos com reduções nos preços.

O procedimento vai começar por etapas. O início da primeira está previsto para o dia 15 de dezembro. Nela, as grandes empresas terão de abrir os dados gerais que possuem (a troca de dados dos clientes só está prevista para a segunda fase). Agora o principal desafio é chegar a um consenso de todos os atores para a criação de um sistema único e padronizado que simplifique a troca de dados no mercado.

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