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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Artigo: Frutas e Hortaliças, Habitue-se a Consumi-las

O Maranhão, apesar de tudo, de toda a potencialidade, não é primeiro e nem segundo lugar em nenhuma atividade agropecuária

Foto: Reprodução

No ranking da produção mundial de frutas, o Brasil olimpicamente falando é medalha de bronze, ocupando portanto a 3ª posição( 38,36 milhões de toneladas) ficando atrás apenas da China, ouro( 137,06 milhões de toneladas) e Índia, prata( 71,07 milhões de toneladas). Mas com área, sol, solo, água e fôlego para melhorar no pódio, desde que haja vontade e decisão política dos governos federal, estaduais e municipais, com programas de apoio tipo irrigação e facilitação do crédito.

Segundo a OMS, devemos consumir de 4 a 5 porções de frutas e ou hortaliças por dia, o equivalente a 400 gramas diárias, ou 100 kg/pessoa/ano, para atender as exigências nutricionais do nosso organismo, mas o consumo médio do brasileiro é de 33 kg /habitante/ano, onde apenas 24,1% consome a quantidade recomendada, com as mulheres consumindo 28,3% e os homens apenas 19,3%, sendo que nas classes A e B, o consumo é de 50kg/habitante/ano, na classe C é de 32kg/hab/ano e na classe D é de apenas 17kg/hab/ano. E com relação a idade, o percentual de consumo aumenta proporcionalmente com a maior idade, onde a maior faixa de gasto e consumo está entre os 60 e 79 anos de idade. Por região, na sul e sudeste, o consumo é maior do que nas regiões norte/nordeste e centro-oeste.

Mas a hortifruticultura, não é boa só para a saúde e segurança alimentar, ela contribui com 27% da mão de obra do setor agropecuário brasileiro(Abrafrutas), tendo uma grande importância social e econômica pois gera 5,6 milhões de empregos diretos. Segundo o BNDES, cada hectare ocupado com fruticultura emprega diretamente de 3 a 6 pessoas e indiretamente entre 2 a 3 pessoas. Atualmente o Brasil conta com 30 polos fruticultores que se estendem do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte e Amazônia, tendo como maiores produções a laranja, banana uva e maçã. Sendo que os seis maiores produtores são: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará e Ceará. Nas hortaliças, o mercado é diversificado e segmentado, com volume de produção em seis espécies: batata inglesa, tomate, melancia , alface e cenoura, sendo a agricultura familiar responsável por metade da produção, tendo a mesma capacidade de geração de emprego da fruticultura, ou seja, para cada 10 hectares, são gerados 25 postos de emprego, enquanto que para cada 10 hectares de soja, é gerado apenas um emprego.

O Maranhão, apesar de tudo, de toda a potencialidade, não é primeiro e nem segundo lugar em nenhuma atividade agropecuária, ocupa apenas o terceiro lugar na produção de Açaí, a nossa juçara, em quase a totalidade oriunda de árvores nativas, com produção de 17.508 toneladas, depois do Pará com 131.836 toneladas e Amazonas com 57.572 toneladas. Em 2014, um grupo de técnicos da SAGRIMA e UEMA, participaram do Congresso Brasileiro de Fruticultura em Cuiabá, e lá pleitearam e realizaram em 2016 aqui em São Luís o XXIV Congresso, com o apoio da Sociedade Brasileira de Fruticultura, Embrapa e outas entidades.

Na oportunidade o governo do Estado, através da SAGRIMA, prometeu elaborar o Plano Estadual de Fruticultura, como uma política de Estado, para um horizonte temporal de 20 anos. A Câmara Setorial de Fruticultura, Coordenado pela SAGRIMA e composta por entidades afins, elaborou um Plano de Trabalho, para que em oficina com várias mãos, elaborassem o referido Plano, onde seis hortifrutas (abacaxi, açaí, banana, caju, coco da baia e melancia(horti), com reconhecidos potenciais produtivos e vocacionadas para determinados polos, fossem trabalhadas, inseridas e apoiadas pelo Plano Estadual, mas sem o devido apoio e empenho da SAGRIMA, não passou de promessa. E assim, o Maranhão( com tanto sol e com tanta água), em pleno “Ano Internacional das Frutas e Verduras”, continua sendo um grande importador de hortifruti, talvez não importando apenas açaí e abacaxi. E nem o abacaxi da “Indicação Geográfica do Abacaxi de Turiaçu”, só existente na cidade de Turiaçu, até o momento foi descascado.

Por: Engº Agrº Luiz Coelho Júnior
Presidente do SindRural Mirador
Câmara Setorial de Fruticultura/CNA

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