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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Doença rara matou menino de 10 anos durante brincadeira

Nicollas Rafael sofreu uma parada cardíaca devido a uma doença rara que a família desconhecia.

Nicollas faleceu na madrugada de quarta-feira (8) após passar mal enquanto brincava (Foto: Arquivo Pessoal)

Nicollas Rafael, de 10 anos, se sentiu mal durante uma brincadeira com amigos, no último dia 7 de setembro, e desmaiou, após pedir um copo de água. A família foi acionada e levou o menino às pressas para o Pronto Socorro Infantil de Cubatão-SP. Ele foi atendido na unidade de saúde pouco antes da meia-noite, Mas, a 0h50, a morte foi confirmada.

Os médicos informaram à família que a morte havia sido motivada por causas naturais, a princípio. Porém, após exames mais detalhados, a equipe médica constatou que ele teve uma insuficiência cardíaca e um edema agudo pulmonar bilateral. O problema causa acúmulo de líquido no tecido pulmonar, desencadeado pela miocardiopatia hipertrófica assimétrica.

A doença rara é denominada miocardiopatia hipertrófica assimétrica, e só foi descoberta após a morte do garoto. A família desconhecia a doença, já que a enfermidade pode se desenvolver silenciosamente, conforme expliações do cardiologista Luiz Cláudio Behrmann Martins, especialista em arritmia cardíaca da Santa Casa de Santos.

O médico frisa que a doença provoca uma significativa hipertrofia (crescimento) da região septal do coração. Em alguns casos pode ocorrer a dilatação dos ventrículos – câmaras do coração que bombeiam sangue para a circulação sistémica, no caso do ventrículo esquerdo, e para a circulação pulmonar, com relação ao ventrículo direito.

“Na verdade, afeta a região do septo, que é a parte que divide as cavidades do coração. É a região septal do músculo que cresce, e isso pode obstruir o fluxo de saída do ventrículo esquerdo, que é o que faz desenvolver os sintomas relacionados a insuficiência cardíaca no paciente”, diz o especialista.

A doença é genética, com herança autossômica dominante, ou seja, tanto o pai quanto a mãe podem ter, conforme o cardiologista. A incidência anual da doença é de 0,3 a 0,5 casos a cada 100 mil crianças, sendo considerada uma doença rara. Porém, no adulto é mais comum sua incidência. Como a doença está associada a fatores genéticos, não tem prevenção, mas a pessoa que tem caso na família deve fazer acompanhamento médico.

Entre os principais fatores que sugerem risco maior de morte estão septo acima de 30 mm, desmaio ou perda temporária e súbita de consciência de causa arrítmica nos parentes de primeiro grau com menos de 30 anos e quando tem arritmia ventricular sustentada documentada no holter de 24 horas [aparelho que monitora o batimento cardíaco], conforme explica o cardiologista.

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