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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Maranhão está entre os 13 estados com os maiores índices de pobreza menstrual

Na tentativa de mudar essa realidade, foi lançada a Campanha de Combate à Violência Menstrual no estado.

Cerimônia de lançamento da Campanha foi realizada no auditório do Fórum Desembargador Sarney Costa (Foto: Gilson Ferreira)

No Brasil, uma a cada quatro adolescentes não tem um pacote de absorventes quando menstrua, conforme dados disponíveis no relatório Livre para Menstruar. Já outro relatório, elaborado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apontou o Maranhão como 13º estado com os maiores índices de pobreza menstrual no país.

Pensando em mudar essa realidade, nessa terça-feira (14), o Movimento de Mulheres de Axé do Brasil, em parceria com a Defensoria Pública do Estado (DPE), Tribunal de Justiça, além de mais 13 instituições públicas e entidades da sociedade civil, realizou, no auditório do Fórum Desembargador Sarney Costa, no bairro do Calhau, em São Luís, o lançamento da Campanha de Combate à Violência Menstrual no Maranhão.

O objetivo, além da sensibilização da população com relação ao tema, é arrecadar absorventes e coletores menstruais para serem distribuídos às mulheres privadas de liberdade e meninas de axé.

“A menstruação é um momento sagrado e esse momento não pode existir com essa violência, sem esse item tão importante que é o absorvente. Não será apenas fazer uma arrecadação, mas, também, alertar para esse problema de saúde pública e garantir que ocorra uma distribuição contínua através de um projeto de lei”, destacou a coordenadora nacional das Mulheres de Axé no Brasil (MAB), Iyalasé Jussara Lopes.

Já a coordenadora da MAB no Maranhão, Ana Rosa Silva, explicou que o tema requer atenção e cuidado, visto que o problema da falta de absorventes ultrapassa o âmbito de saúde e prejudica as mulheres nos mais variados setores da sociedade.

Ela exemplificou a questão ao relatar informações presentes no relatório da Unicef que indicam que estudantes do 9º ao 3º ano do ensino médio deixaram de ir à escola por não possuírem absorventes.

“A pessoa acaba sendo retirada da sociedade e fica invisível. É amparar, não somente com a arrecadação, mas, com políticas públicas de fato”, pontuou.

Para a ouvidora-geral da Defensoria Pública, Fabíola Diniz, é um privilégio fazer parte de uma causa tão importante e que com certeza irá promover a mudança de realidade para muitas mulheres em situação de vulnerabilidade.

A instituição iniciou a divulgação da campanha ainda no mês de julho e já conta com muitas arrecadações feitas por defensores, servidores, estagiários e colaboradores. “A campanha não vai finalizar em 20 de novembro, esse é só o pontapé inicial. Queremos concretizar mais direitos, a médio e longo prazo, e que a causa entre em debate para virar lei”.

LOCAIS PARA RECEBIMENTO DAS DOAÇÕES

Até o dia 20 de novembro, os absorventes podem ser doados em vários pontos da Grande Ilha e nos demais municípios maranhenses. A seguir, os locais:

  • Defensoria Pública do Estado, na capital e em todos os núcleos do interior;
  • Centro de Tambores de Mina Ilê Ashé Ogum Sogbô, no bairro da Liberdade, em São Luís;
  • Secretarias municipais de Paço do Lumiar;
  • Fórum Desembargador Sarney Costa, no bairro do Calhau;
  • Secretaria de Estado da Mulher, no Palácio Henrique de La Rocque, no Calhau.
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