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Maranhão se despede de Luiz Phelipe Andrés, que foi cremado em Paço do Lumiar

Engenheiro foi um dos grandes responsáveis pelo título de São Luís como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Corpo do engenheiro foi cremado no Cemitério Pax União (Foto: Francisco Silva e Divulgação)

Nessa segunda-feira (6), o Maranhão se despediu do engenheiro Luiz Phelipe Andrés, considerado um dos grandes responsáveis pelo título concedido a São Luís de Patrimônio Cultural da Humanindade. Ainda nas primeiras horas da manhã, o corpo dele permanecia sendo velado no Estaleiro Escola (Alto da Esperança), e depois foi levado de barco até o Cais da Praia Grande, na Avenida Vitorino Freire, de onde seguiu para o Cemitério Pax União, em Paço do Lumiar, onde foi cremado.

A primeira parte do velório foi realizada no domingo (5), a partir das 10h, na Academia Maranhense de Letras, no centro de São Luís. À tarde seguiu para o  Estaleiro Escola.

Phelipe Andrés, que tinha 72 anos, faleceu vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), motivado pelas complicações de uma leucemia. O engenheiro era mineiro, porém radicado no Maranhão desde 1977. Foi criador do Estaleiro Escola do Sítio Tamancão, no bairro Alto da Esperança. Era Membro Efetivo da Academia Maranhense de Letras (AML), ocupando a Cadeira 23, patroneada por Graça Aranha. Ele era também coordenador do Programa de Preservação e Revitalização do Centro Histórico de São Luís.

Phelipe foi um dos responsáveis pelo “Projeto Reviver”, quando ainda se chamava Projeto Praia Grande, que restaurou parte do centro histórico de São Luís, o que lhe valeu o reconhecimento pela Unesco de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.

Luiz Phelipe foi secretário de Estado da Cultura do Maranhão nos anos de 1993 a 1995 e era, desde 2010, conselheiro do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ele foi, idealizador e coordenador do Projeto de Restauração e Transcrição Paleográfica de 166 exemplares remanescentes da Coleção Livros da Câmara de São Luís dos séculos XVII, XVIII e XIX.

PERFIL 

Natural de Juiz de Fora (MG), Phelipe era graduado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestre em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco. Estudante de artes plástica no Rio de Janeiro, artista gráfico, estagiário do Centre d’Etudes Superieures d’Histoire et Conservation des Monuments Anciens de Paris. Foi coordenador da Unidade Executora Estadual do Programa BID/Prodetur do Maranhão.

Foi também coordenador Geral do Projeto São Luís – Patrimônio Mundial e responsável técnico, que assinou os originais do dossiê que se encontra arquivado nos anais do Comitê do Patrimônio Mundial na Sede da Unesco em Paris.

Vanusa Morais Ribeiro, que é presidente da Associação Comunitária Amigos do Estaleiro Escola (Acaes), disse que Phelipe fará falta. “Eu o conheci fazendo curso no Estaleiro Escola, pois eu moro na comunidade do Tamancão, que fica aqui no Alto da Esperança. A Acaes surgiu para que pudéssemos vender os produtos fabricados, por meio do Estaleiro. Aprendi muito com o Phelipe, ele deixou um legado que eu não sei explicar”, declarou.

“Sou funcionária do Estaleiro, e há 18 anos conheço o Phelipe. Ele foi um grande amigo, disponível para todas as horas, o homem mais inteligente que conheci. Tinha um coração maravilhoso. O Estaleiro Escola atende a comunidade, e tem um papel importante de promover a carpintaria naval das embarcações maranhenses. Phelipe tinha uma pesquisa iniciada em 1974, que resultou o livro Embarcações Maranhenses, de sua autoria. Hoje (ontem), nos despedimos deste grande homem”, disse Simone Lopes.

“Fui uma das primeiras alunas, de quando teve o curso de educação ambiental no Estaleiro Escola. E por meio deste curso me tornei oficineira. Luiz Phelipe deixou uma história. O Homem se foi, mas a obra ficou. Cabe a nós continuarmos mantendo a obra dele”, comentou Elza Gonçalves.

“Sou ex-aluno do Estaleiro Escola, onde fiz curso de educação ambiental. O professor Luiz Phelipe foi uma pessoa importante, ajudou a construir o pouco do que sou hoje, devo muito a ele. É uma perda gigante para o Maranhão”, disse Max Paviani.

Iema Estaleiro Escola será nomeado Luiz Phelipe Andrés

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), anunciou, por meio de suas redes sociais, no domingo (5), que o Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema) Estaleiro Escola receberá o nome do engenheiro Luiz Phelipe Andrés. O decreto teria sido assinado ontem, 6.

“Luiz Phelipe nos deixou hoje. Prestou grandes serviços ao patrimônio histórico de São Luís. O Iema EstaleiroEscola passará a ter seu nome, mediante decreto que assinarei amanhã.”, escreveu o governador.

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), também se manifestou sobre o falecimento do engenheiro. Em nota, o prefeito destacou a dedicação e o entusiasmo de Luiz Phelipe Andrés, além zelo com a cultura maranhense.

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