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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Maranhãozinho teve patrimônio turbinado em 1.652% em uma década, segundo a PF

Deputado é investigado por liberar verba do Ministério da Agricultura a Zé Doca.

Nessa sexta-feira (11), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a três deputados federais do PL, por suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares. Um dos alvos é o deputado Josimar de Maranhãozinho (PL-MA).

Também estão na mira os deputados Bosco Costa (PL-SE) e Pastor Gildenemir (PL-MA). A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski. Os três deputados estariam em um esquema de desvio, envolvendo empresas de fachada e dinheiro vivo. A operação é um desdobramento da investigação batizada de Ágio Final, deflagrada em dezembro de 2020.

De acordo com a PF, Maranhãozinho teve o patrimônio turbinado em 1.652%, no período de uma década. Em 2008, quando tentou a reeleição a prefeito de Maranhãozinho, Josimar declarou que os seus bens somavam R$ 463,9 mil. Dez anos depois, quando concorreu ao cargo de deputado federal, o patrimônio informado foi de R$ 14,5 milhões. Ou seja, uma alta de 1.652%, em valores já corrigidos no período.

Nas prestações de conta à Justiça Eleitoral, Maranhãozinho tem como costume declarar dinheiro vivo. Em 2014, quando disputou uma vaga de deputado estadual, informou ter R$ 100 mil em espécie. Em 2018, esse valor passou para R$ 1,4 milhão – além de dez consórcios que somavam R$ 254.728.

Deputado é investigado por liberar verba do Ministério da Agricultura a Zé Doca

No dia 24 de junho de 2020, o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PLMA) se encontrou em Brasília com o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Geraldo Melo Filho. A reunião foi registrada em uma foto postada nas redes sociais do parlamentar, que comemorou a “celebração de convênios que beneficiarão municípios maranhenses”.

Dois meses depois, em agosto, Maranhãozinho revelou em uma “live” qual cidade do seu estado seria agraciada: Zé Doca, comandada por sua irmã, a prefeita Josinha Cunha (PL). – Porque nós temos parceria com o governo federal, e aí vocês podem comprovar. Se formos falar de asfalto (….) vocês vão ver os inúmeros empenhos feitos para Zé Doca. Ano passado, nós empenhamos mais de R$ 40 milhões para os cofres públicos de Zé Doca – afirmou o deputado, empolgado com os repasses destinados à cidade de 50 mil habitantes, localizada a 312 quilômetros da capital, São Luís.

Devido à parceria com o governo federal, anunciada por Maranhãozinho, Zé Doca conseguiu receber dinheiro para obras de pavimentação. Os recursos foram liberados por meio de um convênio do Ministério da Agricultura, ao qual o Incra está subordinado. O acordo foi assinado no fim de 2018, mas só foi destravado quase dois anos depois.

Entre agosto de 2020 e março de 2021, a pasta realizou três transferências ao município no valor total de R$ 1,8 milhão.

Posicionamentos dos investigados

Em postagem nas redes sociais, Josimar de Maranhãozinho disse que encara a situação com serenidade, e afirma que vai seguir contribuindo com toda e qualquer explicação e solicitação da justiça. “Minha vida política, pública, é regada pelo trabalho, competência e seriedade. Minha resposta aos ataques, está no livro de Isaías 54:17”, publicou o deputado.

O deputado também publicou nota em suas redes sociais:

NOTA PÚBLICA

“O meu papel como cidadão e homem público sempre foi exercido com probidade, elevado interesse público e pautado pelos princípios cristãos.

Jamais participei de nada que ferisse a legislação, os interesses do meu querido povo ou os meus princípios.
Infelizmente, agora, isso foi colocado em cheque!

Mas confio no trabalho da Justiça e confio ainda mais em Deus. E, por isso, tenho certeza que a improcedência dos fatos últimos desta sexta-feira serão absolutamente comprovada”.

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