Fechar
Buscar no Site
O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Pelo terceiro ano consecutivo, Via Sacra do Anjo da Guarda deixa de acontecer em São Luís

Organizadores estimam que no ano de 2023 seja realizada a próxima edição do espetáculo, suspenso desde o início da pandemia.

Há três anos a Praça da Ressurreição não recebe atores e os milhares de espectadores da Via Sacra (Foto: Gilson Ferreira)

Pelo terceiro ano consecutivo, e devido à Covid-19, o espetáculo teatral Via Sacra, realizado na Semana Santa, deixa de ser realizado. De acordo com o Grupo Grita, responsável pelo evento, apenas em 2023 deverá ser feita a próxima edição da peça.

A Via Sacra costuma movimentar um público de aproximadamente 300 mil pessoas e mais de mil colaboradores contribuem com a produção do espetáculo, encenado nas ruas e praças do bairro Anjo da Guarda.

Segundo o coordenador do Grupo Grita, Wharles Lemos, a variante ômicron foi decisiva para que, ainda em 2021, a Via Sacra fosse adiada para 2023.

“Decidimos o melhor para o Grupo Grita e para a comunidade do Anjo da Guarda. A partir de junho deste ano, estudaremos a Via Sacra, pois queremos retornar à sua exibição com novos cenários e personagens, inclusive, o tema não deixaria de ser a pandemia de coronavírus”, declarou Wharles.

Wharles disse também que é preciso firmar parcerias com instituições públicas e privadas, seja por meio de leis ou contratos, para o financiamento da peça teatral.

“No mês de outubro, é dado o início para a busca de parcerias com empresas e instituições, ou nossa inscrição em editais governamentais voltados para a cultura. Há uma preocupação financeira, que é fundamental para que tudo se mova”, frisou Wharles.

“Estamos com saudade do evento, pois era um período de muita movimentação, e que gerava economia para o bairro”, disse Antônio Francisco Mota, que é comerciante e morador do Anjo da Guarda.

“O comércio informal, com a venda de bebidas e lanches aquecia nas duas noites de apresentação da Via Sacra, o evento não deixava de ser importante para aqueles que queriam levantar uma renda extra”, lembrou a dona de casa Maria Eunice Assunção, informando ter pessoas da família, que trabalham no comércio informal.

“UMA ESCOLA DE ARTE”

Enquanto a Via Sacra não acontece, segundo Wharles, o Grupo Grita tem se mantido financeiramente com outros projetos, como o “Uma Escola de Arte”. Trata-se de uma oficina para 63 jovens, entre 12 e 18 anos, com ensinamentos de teatro, canto e dança.

Wharles Lemos informou que o projeto surgiu em 2021, também devido à pandemia de Covid-19. “Estávamos querendo movimentar o Grupo Grita, tínhamos a necessidade de fazer algo, e aí surgiu a ideia da oficina, voltada para a comunidade do Anjo da Guarda e bairros adjacentes da área Itaqui-Bacanga, principalmente em função do cenário imposto pela pandemia. O projeto busca propor formação e reflexões sociais, por meio das artes”, informou.

A oficina ocorre no Teatro Itapicuraíba, tem duração de cinco meses, e as aulas ocorrem todas as terças, quartas e quintas-feiras, nos turnos da manhã e tarde.

Um pouco sobre o surgimento da
Via Sacra do Anjo da Guarda

Sexta-feira Santa, 17 de abril de 1981, o Grupo Independente de Teatro Amador (Grita) encenou, pela primeira vez ao ar livre, nas ruas do bairro Anjo da Guarda, em São Luís, a peça teatral, de criação coletiva, Via Sacra da Libertação. O espetáculo, inédito na vida dos moradores, foi resultado do amadurecimento artístico e social do grupo de jovens ligados ao teatro popular e comunitário, desenvolvido dentro da comunidade.

Nesta primeira apresentação, o espetáculo contou com a participação de 70 atores em cena. Todos os envolvidos, sem exceção, não economizaram esforços para colocar em funcionamento as oficinas de arte, onde confeccionaram, voluntariamente, figurinos, peças de cenário e adereços de cena, sob a coordenação de Zezé Lisboa (cenógrafa e atriz).

A peça foi resultado de criação coletiva do grupo Grita, dirigido por Claudio Silva e Gigi Moreira, ator e diretor, já falecido. O espetáculo foi um sucesso de público e mobilizou a atenção da comunidade que acompanhou, com interesse e paciência, a caminhada de dois quilômetros pelas ruas do bairro, reproduzindo passagens da vida de Jesus Cristo.

A iniciativa superou as expectativas. Mesmo com a pouca experiência dos atores, a limitação técnica e a falta de recurso financeiro. Tudo feito ao vivo, no peito e na raça.

Carregando