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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Trabalhadores em condições análogas às de escravos são resgatados em carvoaria no Maranhão

Operação “Sem Descanso” cumpriu mandados de busca e apreensão, na manhã desta terça-feira, 26, na cidade de Grajaú.

A operação “Sem Descanso” visa reprimir o crime de redução de trabalhadores à condição análoga à de escravo em carvoarias (Foto: Divulgação)

A Policia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão, na manhã desta terça-feira, 26, na cidade de Grajaú, distante 563 km de São Luís. A operação denominada “Sem Descanso” visa reprimir o crime de redução de trabalhadores à condição análoga à de escravo em carvoarias do Maranhão.

A investigação teve início a partir do resgate de 11 pessoas no município de Mirador/MA, em julho de 2021, pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Maranhão. Conforme apurado, as vítimas trabalhavam em uma das várias carvoarias dos suspeitos, e estavam sendo submetidas à jornada de trabalho exaustiva, especialmente os carbonizadores e as cozinheiras.

Primeiramente, os trabalhadores tinham descanso a cada 40 dias, oportunidade em que receberiam o pagamento “mensal”, obtendo cinco dias de folga, incluído o dia de ida e volta para casa. Ou seja, durante 40 dias eles trabalhavam de domingo a domingo, sem o intervalo mínimo interjornadas.

Um segundo exemplo de irregularidade encontrada, segundo a PF, refere-se à jornada de trabalho diária extremamente exaustiva. Em relação às cozinheiras, cada UPC (unidade produtora de carvão) possuía apenas uma, responsável não só pelo preparo de todas as refeições para cerca de 25 pessoas daquela unidade, como também pela higienização e limpeza de toda edificação de apoio e alojamento.

Desta forma, a jornada de trabalho começava às 04:00 horas até às 13:00, retornando ao batente às 15:00 até às 19:00.

Já os carbonizadores, que exercem trabalho reconhecidamente insalubre, tinham jornada de 24 horas de maneira intercalada, inclusive durante a madrugada.

Diante da gravidade dos fatos, após representação da Polícia Federal no Maranhão, foram expedidos mandados de busca e apreensão em desfavor dos investigados. Foram apreendidos computadores, mídias e outros materiais relacionados aos fatos em apuração.

O objetivo das buscas, segundo a PF, é qualificar outras vítimas porventura exploradas em carvoarias vinculadas aos investigados, identificar outros envolvidos no esquema criminoso e mensurar o montante ilicitamente recebido pelos patrões com a prática do delito.

Os suspeitos poderão responder pelo crime de submeter trabalhadores à condição análoga à escravidão (art.149 do Código Penal). As penas podem chegar a 08 anos de reclusão.

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