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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Saúde monitora sete casos suspeitos de “hepatite misteriosa” em crianças

Ocorrências ainda dependem do resultado de mais exames para que seja possível dizer se tratar da doença.

Surto de hepatite em crianças preocupa autoridade de saúde (Foto: Unsplash)

Sete casos de hepatite de causa desconhecida em crianças estão sendo monitorados pelo Ministério da Saúde. Até o momento, estão em investigação quatro pacientes no Rio de Janeiro e três no Paraná. A confirmação ainda depende do resultado de mais exames para que seja possível dizer se tratar da doença.

“A pasta orienta aos profissionais de saúde e da Rede Nacional de Vigilância, Alerta e Resposta às Emergências em Saúde Pública do Sistema Único de Saúde (VigiAR-SUS) que suspeitas sejam notificadas imediatamente”, informou a pasta.

A doença tem acometido menores de 16 anos ao redor do mundo e foi inicialmente identificada no Reino Unido, que registrou a primeira morte pela doença. Os casos começaram a ser reportados no início de abril.

Até a última quarta-feira, 4, a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia registrado 228 casos em todo o planeta, mas nenhum no Brasil. O número de mortes ainda é incerto, mas além do Reino Unido, outros três óbitos foram confirmados na Indonésia.

Nesta quinta-feira, a Argentina registrou o primeiro caso da doença. Uma criança de 8 anos, do sexo masculino, foi internada no Hospital Infantil da Cidade de Rosário. Trata-se da primeira notificação na América Latina.

A enfermidade decorre de uma inflamação no fígado e os sintomas relacionados a ela são icterícia (coloração amarela da pele e dos olhos), diarreia, vômitos e dores abdominais. De acordo com as informações disponíveis, cerca de 10% dos casos apresentam necessidade de realização de transplante de fígado.

Diante do alerta mundial, a orientação do Ministério da Saúde é que as secretarias de estados e municípios notifiquem imediatamente casos inesperados de hepatite aguda com etiologia desconhecida em crianças e relatem qualquer alteração no cenário sanitário relacionada a essas ocorrências.

Em entrevista na última quarta-feira, o diretor regional de Emergências da OMS na Europa, Gerald Rockenschaub, afirmou considerar o tema “muito urgente”:

“Estamos dando prioridade absoluta a isso e trabalhando muito de perto com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças na gestão e coordenação. Estamos fazendo todo o possível para identificar rapidamente o que está causando isso e depois tomar as medidas adequadas, tanto a nível nacional como internacional”, disse.

Até o momento, segundo a OMS, a suspeita é que a doença seja causada por um adenovírus, já que os vírus que causam as hepatites A, B, C, D ou E não foram encontrados nos pacientes. Por ser um Ponto Focal Nacional que atua em interface com Regulamento Sanitário Internacional, um instrumento que reúne todos países membros da OMS, o Brasil compartilha continuamente as informações sobre os casos com a organização.

A OMS descarta que a doença esteja relacionada à vacinação contra Covid-19. Segundo dados da organização, a maior parte das crianças acometidas não recebeu o imunizante. Uma das linhas de investigação entre especialistas é que a baixa exposição das crianças devido ao isolamento necessário na pandemia de Covid-19 pode ter fragilizado o sistema imunológico para outras doenças.

Entre as medidas para prevenir a doença, é recomendada a higiene das mãos, e etiqueta respiratória, como cobrir a boca e o nariz em caso de tosse ou espirro.

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