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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Unicef e instituições de ensino fazem busca ativa de crianças que se afastaram da escola

A meta é, até o fim de 2022, garantir a rematrícula de 40% dos estudantes.

Educadores, o Unicef e seus parceiros discutem como identificar crianças que deixaram a escola (Foto: Gilson Ferreira)

Nessa sexta-feira (27), o Selo Unicef reuniu 280 educadores e líderes municipais do Maranhão para assegurar efetiva retomada das atividades escolares para cada criança. O evento aconteceu, de 8h às 18h, na Escola de Governo do Maranhão (EGMA), localizada no Centro Histórico de São Luís, e reuniu representantes de cerca de 76 municípios do estado.

De acordo com a chefe do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em São Luís, Ofélia Silva, a busca ativa escolar é uma plataforma do Selo Unicef, cujo objetivo é fazer com que no município crianças no modo de evasão escolar sejam identificadas.

“A plataforma é muito inteligente, ela percebe sinais de evasão, desde a sala de aula, ainda nos primeiros momentos. Por exemplo, ‘menina grávida’, os primeiros sinais de que está acontecendo alguma coisa são identificados à priori pelo professor, e isto precisa ser registrado, para que esta menina receba a assistência que necessita. Queremos, até o fim deste ano, rematricular 40% das crianças que estão em processo de evasão”, declarou Ofélia Silva.

A chefe do escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância informou a principal razão pela qual crianças se evadam. “A justificativa dessas crianças é que a escola é muito ruim. É o relato que fazem. A escola não tem programas, a escola não acolhe. É o modelo educacional que não consegue manter a criança interessada, aprendendo. É por isso que o programa da busca ativa trabalha com professores, gestores e equipes escolares, para que utilizem recursos criativos capazes de manterem as crianças na escola”, frisou Ofélia.

Segundo o Selo Unicef, o Maranhão tem sido destaque na realização das ações previstas na atual edição da instituição, 2021-2024. Todos os municípios maranhenses aderiram ao Selo Unicef e vêm desenvolvendo as atividades que atendem aos 17 objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Um quadro que indica que as crianças e adolescentes maranhenses estão cada vez mais tendo seus direitos protegidos e acessando melhores condições de vida.

O encontro dessa sexta reuniu cerca de 280 representantes dos municípios participantes confirmados, entre eles, articuladores, mobilizadores de educação e coordenadores operacionais da estratégia Busca Ativa Escolar.

CAFÉ COM TRILHAS

No contexto de retomada das atividades presenciais, o Selo Unicef passou a adotar no Maranhão a estratégia do “Café com Trilhas”, um meio de reunir as Comissões Intersetoriais do Selo Unicef nos municípios para encontros de formação e construção de conhecimento em temas técnicos; ações requeridas; indicadores, e metodologias de trabalho que constam na atual edição do Selo.

Os encontros ocorrem tanto de forma remota quanto presencial, já tendo sido realizados 72 Cafés com Trilhas remotos e presenciais.

O Café com Trilhas: Educação de Qualidade para Todos aconteceu na quinta-feira (26) e sexta-feira (27), com a presença de 75 municípios. Foi debatida a qualidade da educação para crianças, adolescentes e jovens nos municípios maranhenses, com a análise de indicadores de reprovação, distorção idadesérie, e abandono, e o perfil das crianças e adolescentes mais vulneráveis: pretas, pardas, quilombolas e indígenas.

No momento, também foram abordados temas como programas de saúde mental para adolescentes e jovens, e a prevenção e repostas a todas as formas de violência, com especial atenção ao racismo contra crianças e adolescentes afrodescendentes.

Um dos temas centrais do encontro foi a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, iniciativa do Unicef e parceiros para o enfrentamento da cultura do fracasso escolar no Brasil.

Por meio de um site que apresenta indicadores de fluxo escolar nacionais, estaduais, municipais e de escolas obtidos por meio do Censo Escolar, a iniciativa apresenta um diagnóstico sobre a distorção idade-série (quando o estudante está com dois ou mais anos de atraso escolar) no país.

A iniciativa, oferece, inclusive, um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso, permanência e aprendizagem desses estudantes.

Além das taxas de distorção e índices de abandono e reprovação, o site disponibiliza recortes por gênero, raça e localidade, que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades sociais brasileiras.

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