A corrida e a caminhada são formas acessíveis e eficazes de exercício aeróbico, mas apresentam diferenças fisiológicas que impactam diretamente seus benefícios e a indicação para cada perfil de praticante. Enquanto a caminhada é uma atividade de menor impacto e intensidade, proporcionando uma abordagem mais segura para iniciantes e pessoas com limitações articulares, a corrida demanda maior esforço cardiovascular e muscular, tornando-se uma opção mais eficiente para aqueles que buscam emagrecimento e melhora do condicionamento físico.
A principal distinção entre essas duas práticas está na biomecânica e na sobrecarga sobre o sistema musculoesquelético. Na caminhada, pelo menos um dos pés está sempre em contato com o solo, o que reduz os impactos sobre as articulações do quadril, joelho e tornozelo. Já na corrida, há momentos em que ambos os pés estão fora do chão, o que gera impactos sucessivos e exige maior resistência muscular e articular. Essa diferença faz com que a caminhada seja mais recomendada para pessoas com sobrepeso, idosos ou indivíduos com histórico de lesões ortopédicas, enquanto a corrida é mais adequada para aqueles que já possuem um bom nível de condicionamento físico.
Outro ponto fundamental é o gasto calórico. A caminhada pode consumir entre 200 e 400 calorias por hora, dependendo da velocidade e do terreno, enquanto a corrida pode alcançar entre 600 e 1000 calorias no mesmo período. Isso ocorre porque a corrida envolve maior recrutamento muscular, exige mais do metabolismo aeróbico e anaeróbico e desencadeia um efeito chamado EPOC (Excess Post-exercise Oxygen Consumption), que mantém o metabolismo elevado mesmo após o término da atividade. Essa característica torna a corrida uma opção mais eficiente para quem deseja perder peso de forma acelerada.
No entanto, é importante ressaltar que o emagrecimento depende essencialmente do balanço energético negativo, ou seja, consumir menos calorias do que se gasta. Nesse contexto, tanto a caminhada quanto a corrida podem ser eficazes, desde que adaptadas ao nível de condicionamento do praticante e combinadas com uma alimentação equilibrada. Para aqueles que não podem ou não desejam correr, estratégias como aumentar a inclinação da esteira, caminhar em ritmo acelerado ou intercalar períodos de caminhada e corrida podem otimizar o gasto calórico sem comprometer a segurança articular.
Além dos efeitos sobre o peso, ambas as atividades trazem benefícios cardiovasculares. Tanto a corrida quanto a caminhada melhoram a capacidade cardiorrespiratória, auxiliam no controle da pressão arterial e reduzem o risco de doenças crônicas, como diabetes e obesidade. A diferença está na intensidade do estímulo: enquanto a corrida impõe um maior desafio ao coração e aos pulmões, a caminhada permite treinos mais longos e sustentáveis para aqueles que precisam de uma abordagem mais gradual.
A escolha entre corrida e caminhada deve ser feita de forma individualizada, levando em consideração o histórico clínico, os objetivos e as limitações do praticante. Para iniciantes, indivíduos com restrições ortopédicas ou pessoas que buscam uma atividade de baixo impacto, a caminhada se mostra uma opção mais segura e eficiente. Já para aqueles que desejam um maior desafio, estão em boas condições físicas e buscam maximizar o gasto energético, a corrida pode ser a melhor escolha.
Independentemente da modalidade escolhida, a regularidade é o fator mais importante para obter resultados duradouros. A orientação de um profissional de saúde ou de um educador físico pode ser fundamental para garantir uma evolução segura e eficiente, evitando lesões e maximizando os benefícios do exercício. Mais do que escolher entre caminhar ou correr, o essencial é manter o corpo em movimento, respeitando os limites individuais e buscando sempre um estilo de vida ativo e saudável.
Corrida ou Caminhada: Qual a Melhor Escolha para Cada Perfil e para o Emagrecimento?
A principal distinção entre essas duas práticas está na biomecânica e na sobrecarga sobre o sistema musculoesquelético
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