Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou na quarta-feira (19) a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual, de 13,25% para 14,25% ao ano, mesmo nível atingido durante a crise do governo de Dilma Rousseff (PT).
A taxa Selic nesse patamar tem um impacto direto nas decisões de investimento, influenciando desde a renda fixa até a bolsa de valores. Mas lembre-se: sempre vai existir vantagem e desafio para investidores e para a economia como um todo com a taxa de juros elevada (ou não).
OPORTUNIDADE X RISCO
Com a Selic nesse patamar, a renda fixa se destaca com retornos altos e seguros. É recomendável focar em renda fixa pós-fixada, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI. Muitos fogem da renda variável, mas não acredito ser uma boa decisão fazer isso. Os fundos imobiliários (FIIs), por exemplo, despencam com a Selic nesse patamar. Mas é aí que sua chance aumenta, pois, com a cota mais baixa, é a chance de adquirir ativos de qualidade a preços mais baixos. A estratégia deve equilibrar segurança e rentabilidade, sem ignorar oportunidades de longo prazo.
É por isso que sempre friso nos meus textos: não se desespere com queda ou alta da Selic. Se você tem um bom plano estratégico de investimento, você vai saber o que comprar e o que vender, independente de oscilação de mercado.
Tenha isso em mente!
OUTRAS MOEDAS
Com os juros nas alturas, é mais do que primordial fazer a diversificação dos seus investimentos, aplicando, também, em outras moedas. Isso vai ajudar a proteger seu patrimônio das oscilações do real. ETFs internacionais e ações de empresas globais trazem mais estabilidade e equilíbrio para a carteira.
ATIVOS QUE PERFORMAM MELHOR COM A ALTA DOS JUROS?
– Tesouro Direto (Selic e IPCA+) – o Tesouro Selic é ideal para reserva de emergência, enquanto o Tesouro IPCA+ protege contra a inflação;
– CDBs, LCIs e LCAs – títulos de bancos com rentabilidade superior à poupança, muitos com isenção de IR (no caso de LCIs e LCAs);
– Fundos de Renda Fixa – ativos atrelados ao CDI tendem a performar bem nesse cenário.
SELIC VAI SUBIR MAIS?
A Selic pode continuar subindo, mas em um ritmo mais moderado, podendo atingir 15% ainda este ano. Caso haja maior compromisso com a responsabilidade fiscal, o Banco Central poderá reduzir os juros em 2025. É possível, a depender do cenário que o Brasil se apresentará na próxima reunião do Copom (em maio) e do controle do governo com os gastos públicos.
O BC age de acordo com o cenário. E, no momento, o cenário exige aumento de juros, na tentativa de trazer a inflação para a meta. E foi nessa direção que o BC atuou.