Mural da Academia Ludovicense de Letras

Edição deste domingo traz textos dos acadêmicos Francisco Batalha, Roberto Franklin e Leopoldo Gil.

Fonte: Redação


As cartas nunca escritas, silêncio eterno

Por Roberto Franklin – cadeira 40 ALL

Há um peso que carrego comigo, discreto, mas constante: o das cartas que nunca escrevi. Elas não estão em gavetas, não repousam em caixas de sapato amareladas pelo tempo, nem se perderam em malas esquecidas. Essas cartas vivem em mim no espaço entre o que pensei e o que não ousei colocar no papel.

Cartas têm algo de sagrado. Elas atravessam distâncias, carregam a alma de quem escreve e pousam, um dia, nas mãos de quem as recebe. Mas as que nunca foram escritas permanecem como fantasmas. São palavras que ficaram engasgadas, sentimentos que não ganharam corpo, declarações que poderiam ter mudado caminhos, refeita uma amizade perdida.

Quantas vezes imaginei escrever ao meu pai uma carta de gratidão? Dizer-lhe, sem meias palavras, o quanto cada gesto seu me formou. Mas deixei passar. Supus que ele sabia, que os silêncios entre nós bastariam para traduzir o amor. Hoje, só me resta a lembrança das suas sandálias que encontrei guardadas na minha gaveta, como testemunhas mudas de uma conversa que nunca aconteceu.

Também houve cartas de amor que ficaram presas dentro de mim na minha juventude. Palavras que nasceram ardentes, mas que a timidez ou o orgulho sufocaram. Talvez um “eu te amo” escrito às pressas mudasse a história de um relacionamento. Talvez não. Mas nunca saberei, e esse desconhecido é a marca que o silêncio deixa.

As cartas não escritas são também pedidos de perdão. Quantos laços poderiam ter sido restaurados com uma folha simples, uma caneta, uma confissão sincera? O silêncio, ao contrário do que muitos pensam, não apaga culpas; ele as eterniza. Cada desculpa não dita se transforma em um peso que atravessa os anos.

Hoje, quando penso nessas cartas ausentes, percebo que elas carregam um paradoxo: mesmo sem existirem, são cheias de significado. Cada uma representa a escolha consciente ou não de calar. E calar, muitas vezes, custa caro.

Talvez seja por isso que envelhecer nos traz essa urgência de falar, de escrever, de registrar. O tempo nos ensina que a vida não é eterna, mas os silêncios podem ser. E que, diante da dúvida, é sempre melhor deixar a palavra fluir. Uma carta enviada pode não mudar o destino, mas uma carta nunca escrita tem o poder de nos assombrar para sempre.

Por isso, quando olho para trás e penso nesse silêncio eterno, faço um pacto comigo mesmo: não deixar que o não-dito pese mais do que a palavra. Escrevo crônicas, escrevo poemas, escrevo lembranças. Porque no fundo, escrever é a forma que encontrei de não acumular mais cartas invisíveis.

E, quem sabe, cada linha que coloco no papel agora não seja apenas literatura, mas a tentativa de responder às cartas que nunca escrevi.

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Lógico, Cacá

Por Roberto Franklin – cadeira 40 ALL

Ontem foi domingo. O sol se derramava generoso sobre nossa área, e a piscina refletia um azul tranquilo, desses que convidam a esquecer o tempo. Eu e meu neto Lucas, de apenas quatro anos, estávamos juntos, dividindo não só a água, mas a cumplicidade que só existe entre avô e neto. O riso dele se misturava com o barulho dos mergulhos, e o mundo parecia se resumir àquele instante de alegria.

Entre um mergulho e outro, quis testar a força daquele laço. Talvez por travessura, talvez por necessidade de ouvir de sua boca o que eu já sentia no coração. Perguntei:

— Lucas, amanhã é segunda-feira, você vai para o colégio. Nós só vamos nos ver de novo na sexta-feira. Eu quero saber: você vai ter saudades de mim e da vó Lulu?
Ele emergiu da água, os cabelos encaracolados colados na testa, os olhos brilhando de sinceridade nem pensou, não hesitou. Com a naturalidade de quem fala sempre a verdade, respondeu:

— Lógico, Cacá! Vocês são minha vida.

Naquele instante, o tempo parou. Não havia mais domingo, segunda ou sexta. Havia apenas a força de uma frase simples, dita com a pureza de quem ainda não aprendeu a medir palavras. “Vocês são minha vida.” Quanta coisa cabe nesse “vocês”. Eu e Lulu, avós que tantas vezes nos sentimos apenas coadjuvantes, descobrimos naquele instante que somos o centro de um universo infantil, tão sincero quanto imenso.

E eu fiquei a pensar como as crianças têm esse dom raro: o de resumir em poucas palavras verdades profundas que nós, adultos, passamos a vida tentando explicar. Lucas não disse apenas que sente saudade, ele disse que nossa presença é o que dá sentido ao mundo dele, que cada ausência é um espaço em branco, preenchido pelo desejo do reencontro.

Recordei da minha infância, de como também corria para os braços dos meus avós, encontrando neles abrigo, histórias e segurança. A vida é cíclica: um dia somos netos que correm, no outro somos avós que esperam o abraço. E nesse ciclo, o que permanece é o mesmo: o amor que atravessa gerações.

Depois da resposta de Lucas, continuei brincando, mas por dentro estava emocionado. Percebi que a felicidade não precisa de grandes feitos, viagens longas ou presentes caras. Ela cabe em uma frase curta, em um olhar molhado de piscina, em um sorriso de dentes de leite. A felicidade estava ali, clara como a água que nos envolvia, viva como a sinceridade de um menino de quatro anos.

E assim terminou o domingo, com o coração cheio e a certeza de que, mesmo quando a semana avança, mesmo quando a rotina nos separa, existe um fio invisível que nos mantém ligados: a saudade que se transforma em amor e o amor que se transforma em vida.
Porque, no fundo, é como disse Lucas simples, direto, verdadeiro:

— Lógico, Cacá! Vocês são minha vida.

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Quando a pena repousa

Por Roberto Franklin – cadeira 40 ALL

O Brasil amanheceu mais silencioso.

Na manhã em que soubemos da partida de Luís Fernando Veríssimo, parecia que até as manchetes, antes tão habituadas a carregar seu humor fino, perderam a graça. O cronista que fazia da vida miúda um espetáculo, do detalhe uma revelação, da ironia uma música, agora descansa.

Veríssimo não escrevia apenas com palavras. Escrevia com o olhar. Com aquele faro de quem sabe farejar as contradições humanas, as hipocrisias cotidianas, e transformá-las em literatura acessível, mas nunca rasa. Se a crônica é o gênero que abraça o instante, Luís Fernando foi quem a levou ao colo, deu-lhe leveza e, ao mesmo tempo, profundidade.

Nos brindou com personagens que ganharam eternidade: o Analista de Bagé, que fazia da psicanálise uma conversa de esquina; a Velhinha de Taubaté, a última otimista num país tantas vezes desiludido; o detetive Ed Mort, tão atrapalhado quanto genial, um herói às avessas que revelou mais sobre nós do que qualquer manual de psicologia.

E houve também os livros que se tornaram marcos:

O Popular: crônicas ou coisa parecida (1973), onde o cotidiano do brasileiro começou a ser retratado com aquele humor que não precisa de alarde para ser inesquecível.

A Grande Mulher Nua (1975), que não era apenas uma narrativa, mas uma metáfora viva da condição humana exposta sem máscaras.

Ed Mort e Outras Histórias (1979), que imortalizou o detetive mais improvável da literatura e arrancou gargalhadas de leitores que, ao virar cada página, se reconheciam na desordem e no absurdo da vida.

Luís Fernando nos ensinou que rir é também resistir. Que a crônica, aparentemente pequena, pode ser uma janela aberta para a alma coletiva. Que a crítica social cabe dentro de um parágrafo breve, assim como a ternura cabe em uma frase curta.

Sua obra não tinha a pretensão do eterno, mas alcançou justamente isso: a eternidade.

Hoje, sua ausência pesa. Pesa como o espaço vazio na mesa onde sempre esperávamos mais uma de suas histórias. Pesa como a página em branco que já não terá sua caligrafia. Pesa como a pausa entre duas risadas, quando o silêncio se torna mais eloquente que as palavras.

Mas se a morte nos rouba a presença, não pode roubar o que foi escrito.

Cada vez que alguém abrir um de seus livros, será como ouvir de novo a sua voz, meio irônica, meio cúmplice, sempre afetuosa.

Cada vez que a realidade brasileira se mostrar absurda e ela o faz com frequência lembraremos que Veríssimo já havia contado aquilo de forma melhor, mais engraçada, mais humana.

Luís Fernando Veríssimo partiu, mas deixou conosco o milagre de rir em meio ao caos.

De entender o peso do mundo sem deixar de acreditar na leveza.

De perceber que a grandeza da literatura pode morar em uma simples crônica de jornal, lida no café da manhã.

Hoje, todos nós somos um pouco mais órfãos. Mas também somos herdeiros de uma obra que se recusa a envelhecer.

A pena repousa, mas as palavras continuam a caminhar entre nós.

Obrigado, Veríssimo, por nos ensinar que a vida, afinal, é crônica ou coisa parecida.

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O Encontro dos Baixadeiros

João Francisco Batalha, ALL.

Memorialista/ DRT/MA 00592jp/ABI C-001399.

O mais recente Encontro dos Baixadeiros do Maranhão, realizado no dia 26 de agosto, no SEBRAE-MA, trouxe grandes perspectivas para o futuro da região.

Aberto pelo presidente do Fórum da Baixada, Expedito Moraes, o evento contou, em seguida, com a fala de Albertino Leal, presidente do Multicentro SEBRAE, que destacou o vasto potencial da Baixada Maranhense. Hildenê Maia reforçou a importância da união entre os membros do Fórum, o poder público, os empreendedores e as comunidades envolvidas, pontuando que o desenvolvimento regional é um esforço coletivo.

Um dos momentos mais emocionantes foi a apresentação Do cajariense Josias Sobrinho, que entoou a música de sua autoria, “De Cajari pra Capital”, tocando o coração dos presentes com versos como:

“Olha moço, eu vim
De p′ra lá da Ponta d’Areia
Trago no bolso um colar
E uma bola de meia…”

Mais de quarenta baixadeiros, representando vinte municípios da região, entoaram em coro a canção, num clima de forte espírito nativista e vibrantes homenagens à Baixada Maranhense.

O encontro, que se estendeu por 12 horas, foi marcado por falas e debates conduzidos por participantes de profundo conhecimento sobre a região.

Com amor à terra natal, elevado nível intelectual e propostas bem fundamentadas o evento se desenrolou em um clima de fraternidade e congraçamento interiorano. Uma celebração que já entra para a história do Fórum da Baixada e da própria São Luís.

Do início ao fim, foi um passo significativo rumo ao futuro. Foram discutidas alternativas concretas e elaboradas agendas estratégicas voltadas ao desenvolvimento humano, social e sustentável da Baixada Maranhense.

No plano pessoal, o dia foi de grande emoção. Reencontrei “velhos amigos” e companheiros de longas datas, vindos de outros tempos, encontros e instituições. Entre eles, Vavá Melo e Padilha (São Bento); Luís Moraes (Viana); Agenor Filho (Mirinzal); Prof. Manoel Barros (São João Batista); Dr. Leonardo (Arari); Carlos Ribeiro (Vitória do Mearim); Expedito Moraes (Cajari); Gracilene Pinto (São Vicente Ferrer); Joana Bitencourt, Ana Creuza e Viégas (Perimirim); Eduardo Castelo Branco (Anajatuba), entre outras figuras importantes vindas de Penalva, Olinda Nova, Pinheiro, Matinha, Itãs, Bequimão, Palmeirândia e Bacurituba.

Senti, porém, a ausência marcante de Flávio Braga.

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Ainda sobre a Sociedade Dos Poetas Esquecidos

Por Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Voz do Silêncio – (aquele que recita os poemas dos que não podem mais falar — os mortos, os censurados, os invisíveis)
Poema: “Eco de Quem Calou”

Falo por quem não teve voz no tempo, Por quem rimou em cárcere ou em dor. Sou o sussurro atrás do esquecimento, Sou o murmúrio que resiste ao horror.

Leio os poemas que ninguém ouviu, Em noites mudas, sob o céu fechado. Cada estrofe é um grito que caiu, Mas que renasce em tom desacordado.
Não tenho rosto, sou apenas fala. E cada verso que recito é chama. Sou o silêncio que jamais se cala— Sou a memória que o esquecimento inflama.
…..

Sociedade dos Poetas Esquecidos (conceito criativo) – Imagine um grupo secreto de poetas que nunca ganharam prêmios, cujos versos foram lidos apenas por vizinhos e gatos de rua. Eles escrevem com papel de pão, rimam com gírias e falam de amor, fome e esperança com a mesma intensidade.

Manifesto dos Poetas Esquecidos: Escrevemos para quem nunca foi ouvido. Celebramos o verso torto, a rima quebrada, o coração remendado. Não buscamos aplausos, mas olhos que brilhem. Somos a voz dos becos, das feiras, dos ônibus lotados. Nosso palco é o mundo, nosso público é o tempo.

Soneto dos Versos que Ninguém Leu

Escrevo à sombra, longe dos salões, Com tinta fraca e papel já rasgado. Meu verso vive em becos e porões, Jamais foi lido, mas nunca calado.

Não tenho nome em capa reluzente, Nem prêmio, nem aplauso, nem medalha. Mas cada rima pulsa, resistente, Na alma de quem sente e não se espalha.

Sou voz do tempo, sou memória viva, Sou o poema que ninguém comprou. Mas sou verdade, mesmo à margem esquiva—

E quem me ouve, nunca mais me esqueceu. Pois há beleza onde o mundo não olha, E há poesia em tudo que doeu.

Vamos dar vida à Sociedade dos Poetas Esquecidos como se fosse uma irmandade literária secreta — um refúgio para almas poéticas que resistem ao esquecimento. Aqui vai uma visão completa:

Funcionamento da Sociedade dos Poetas Esquecidos

Sede secreta – Um porão escondido atrás de uma livraria antiga, ou uma casa abandonada com estantes cheias de cadernos manuscritos. A entrada é marcada por um símbolo: uma vela desenhada com tinta preta e uma frase em latim ou tupi — algo como “Vox in tenebris” (voz na escuridão). Reuniões secretas – Acontecem nas noites de lua minguante, quando o mundo parece mais silencioso. Cada membro traz um poema esquecido — seu ou de outro autor marginalizado. Os versos são lidos em voz baixa, à luz de velas, e depois pendurados em varais de barbante com prendedores de roupa.

Rituais poéticos – Batismo do Verso: Quando um novo poema é aceito, ele é lido três vezes — uma vez com emoção, uma vez com raiva, uma vez com esperança. Cerimônia do Caderno: Cada novo membro recebe um caderno em branco, com capa de papelão e uma dedicatória escrita à mão por outro membro. Oração do Poeta Anônimo: Recitada em coro, é uma invocação à memória dos que escreveram e nunca foram lidos.

Antologias clandestinas – Chamadas de Folhas do Vento, são coletâneas mimeografadas ou digitadas em máquinas de escrever, distribuídas em cafés, praças e escolas sem assinatura. Cada exemplar tem um número de série e uma dedicatória secreta. Alguns são deixados propositalmente em ônibus, bancos de praça ou dentro de livros em bibliotecas públicas.
Hierarquia simbólica

Cargo Função

Guardião da Rima: Cuida dos cadernos antigos e da memória dos poetas esquecidos

Voz do Silêncio Responsável por ler os poemas em cada reunião

Semeador de Versos Distribui as antologias clandestinas pela cidade

Poeta Errante Viajante que coleta histórias e versos de outros lugares

Código de conduta – Nunca julgar um verso pela forma — só pela alma. Nunca revelar a identidade de outro membro sem consentimento. Sempre deixar um poema onde houver esquecimento.

Vamos dar voz aos personagens simbólicos da Sociedade dos Poetas Esquecidos, cada um com seu estilo, sua dor e sua missão. Aqui vão três peças: dois poemas e uma carta poética.

Voz do Poeta Errante – (aquele que caminha pelas cidades, recolhendo versos perdidos)

Poema: “Verso na Estrada”

Carrego um caderno e um pão embrulhado, Ando por ruas que ninguém mais vê. Coleto palavras de chão empoeirado, E rimo saudade com café.
Já dormi em praça, já chorei em ponte, Já ouvi poema em boca de criança. O mundo é vasto, mas tem seu horizonte Na rima simples de quem tem esperança.

Não tenho lar, mas tenho poesia. E onde houver silêncio, eu deixo som. Sou errante, sim — mas sou companhia De todo verso que nasceu sem dom.

Voz do Guardião da Rima – (aquele que cuida dos cadernos antigos e protege a memória dos poetas esquecidos)

Poema: “Arquivo Invisível”

Em caixas velhas guardo o que é sagrado: Sonetos tortos, bilhetes sem resposta. Cada papel, embora amarelado, É chama viva que o tempo não encosta.

Leio em silêncio, como quem reza baixo, E cada rima é como uma oração. Não há poeta que mereça o facho Do esquecimento ou da exclusão.
Sou guardião daquilo que não brilha, Mas que ilumina quem souber olhar. E se um dia a história for armadilha, Que esses poemas saibam escapar.

Carta entre membros da sociedade – (de um novo integrante para o Guardião da Rima)

Carta: “Primeira Vela”

Guardião, Hoje acendi minha primeira vela. Li meu poema diante do varal de versos e tremi. Não pelo medo — mas pela beleza de estar entre iguais. Aqui, ninguém ri da rima torta. Aqui, o silêncio escuta. Deixei meu caderno na prateleira dos iniciados. Ele tem só sete páginas, mas cada uma sangra. Obrigado por me acolher. Que a memória dos esquecidos nunca se apague. Com respeito e poesia, — O Semeador de Versos
Poeta do Trem – (aquele que escreve entre estações, observando vidas que passam e versos que ficam)
Poema: “Estação da Palavra”

Escrevo no banco duro do vagão, Com o balanço rimando meu pensar. Cada parada é uma interrogação, Cada partida, um verso a se soltar.
Vejo rostos que nunca saberei, Ouço histórias que ninguém contou. E no tinir dos trilhos, lá me dei— Sou o poeta que o tempo embarcou.
Não tenho lar, mas tenho itinerário. Meu caderno é mapa de emoção. E se um dia eu for só imaginário, Que reste ao menos rima na estação.

Menino das Rimas Perdidas – (uma criança que escreve escondido, com palavras que ninguém ensinou, mas que brotam como flor)

Poema: “Papel de Pão”

Achei um lápis no fundo da gaveta, E um papel de pão no chão da cozinha. Escrevi rima como quem faz receita— Misturei dor com sonho e farinha.

Ninguém me ensina, mas eu sei rimar. Ouço o vento e ele me dá ideia. Minha poesia é jeito de falar O que a tristeza em mim não clareia.
Sou menino, mas sou voz também. E se perderem meus versos por aí, Que o mundo saiba: fui poeta sem ninguém— Mas fui inteiro no que escrevi.
Costureira de Metáforas – (uma mulher que borda versos entre linhas e tecidos, transformando dor em beleza)

Poema: “Linha e Lamento”

Costuro estrofes com linha de saudade, E cada ponto é dor que virou flor. Na barra do vestido, há liberdade— Na manga, um verso que fala de amor.

Minhas metáforas são retalhos vivos, De panos velhos e lembranças nuas. Bordo esperança em gestos intuitivos, E deixo rima nas costuras suas.

Não sou poeta de salão bordado, Sou de agulha, de silêncio e fé. E se um dia meu nome for lembrado, Que seja por um verso em crochê.

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