
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta diante do avanço de um novo subtipo do vírus influenza, conhecido informalmente como gripe K. Segundo a entidade, houve um crescimento rápido das detecções desse subtipo desde agosto, com registros em diferentes regiões do mundo, especialmente fora da América do Sul.
De acordo com a OMS, embora o nível geral de circulação da influenza ainda esteja dentro do esperado para a estação, alguns países têm observado aumentos acima do padrão histórico e com início mais precoce da temporada, às vésperas do inverno no Hemisfério Norte. Em outros locais, a atividade da gripe está em elevação, mas ainda não atingiu o limiar considerado epidêmico.
O subtipo conhecido como gripe K é, na prática, um subclado do vírus influenza A(H3N2), identificado oficialmente como J.2.4.1. O influenza é classificado em quatro tipos — A, B, C e D — sendo os tipos A e B os principais responsáveis pelas epidemias sazonais. Dentro dessas categorias, o vírus passa por variações genéticas contínuas, o que resulta no surgimento de subclados, como o K, fenômeno considerado esperado no processo evolutivo do influenza.
Atualmente, os principais subtipos de influenza A em circulação no mundo são o H1N1 e o H3N2, mas ambos apresentam diferentes variantes genéticas. Essas mutações explicam a necessidade de atualização periódica das vacinas contra a gripe, que são reformuladas anualmente para acompanhar as cepas predominantes.
Segundo dados reunidos pela plataforma internacional GISAID, utilizada por pesquisadores de todo o mundo, o subclado K tem apresentado aumento expressivo de circulação em pelo menos 34 países nos últimos seis meses. A OMS destaca que o crescimento foi particularmente evidente a partir de agosto de 2025 na Austrália e na Nova Zelândia, com posterior disseminação para Europa, Ásia e América do Norte.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informou que o subtipo K se expandiu rapidamente na Europa e em diversos países asiáticos, onde já representa uma parcela relevante dos vírus influenza A(H3N2) analisados. Nos Estados Unidos e no Canadá, também há um aumento progressivo das detecções. Até o momento, não foi observada circulação semelhante na América do Sul.
As autoridades de saúde afirmam que, até agora, não há indícios de que a gripe K provoque quadros mais graves do que os tradicionalmente associados à influenza. Segundo a Opas, os países que registraram a circulação do subtipo não relataram mudanças significativas na gravidade clínica dos casos.
Também não foram identificados sintomas específicos associados à gripe K. Os sinais seguem os mesmos da gripe comum, incluindo febre, dor de garganta, mal-estar, secreção nasal, dores no corpo, tosse e fadiga.
Em relação à vacinação, a OMS afirma que, embora os dados sobre a eficácia específica contra o subclado K ainda sejam limitados, a imunização sazonal continua sendo uma ferramenta essencial para prevenir casos graves, sobretudo entre crianças, idosos e outros grupos de risco. Estimativas iniciais indicam que as vacinas atuais mantêm proteção relevante contra hospitalizações, com eficácia de 70% a 75% em crianças e de 30% a 40% em adultos.
A OMS reforça a importância da vacinação anual contra a gripe e da manutenção da vigilância epidemiológica para monitorar a evolução do vírus e orientar eventuais ajustes nas estratégias de saúde pública.