O Maranhão encerrou o ano de 2025 com o registro de 50 casos de feminicídio, de acordo com dados oficiais divulgados pela Casa da Mulher Brasileira. O número representa uma redução em comparação com o total contabilizado em 2024, quando foram registrados 69 casos no estado. Ainda assim, os dados mantêm o tema no centro das discussões institucionais sobre violência de gênero e segurança pública no território maranhense.
O feminicídio é definido pela legislação brasileira como o assassinato de uma mulher motivado por razões da condição do sexo feminino, geralmente associado a contextos de violência doméstica, familiar ou menosprezo à condição de mulher. As estatísticas nacionais e estaduais indicam que a maioria dos casos ocorre em ambientes de convivência próxima, com autores frequentemente identificados como parceiros ou ex-companheiros das vítimas, o que reforça a relação direta entre o crime e ciclos prolongados de violência.
No Maranhão, os registros de feminicídio são acompanhados por órgãos de segurança pública e pela rede de proteção à mulher, que reúne serviços de atendimento psicossocial, jurídico e policial. Esses dados subsidiam políticas públicas voltadas à prevenção da violência e à proteção de mulheres em situação de risco, especialmente em municípios com maior incidência de ocorrências ou menor acesso a serviços especializados.
O último caso registrado em 2025 ocorreu em 28 de dezembro, na cidade de São Luís. A vítima, Adriana Matos da Silva Souza, de 30 anos, foi atingida por disparos de arma de fogo enquanto participava de um evento esportivo amador em um bairro da capital. As investigações apontaram como suspeito o pai de um ex-companheiro da vítima, em um episódio que, segundo as autoridades, teria sido motivado por retaliação relacionada a acontecimentos anteriores envolvendo a família.
A diretora da Casa da Mulher Brasileira, Susan Lucena, destacou em declarações públicas a importância da identificação precoce de sinais de violência em relacionamentos. Segundo ela, o isolamento social e a perda gradual da autoestima são características recorrentes em situações de abuso, o que pode dificultar a busca por ajuda e o rompimento do ciclo de violência. A orientação institucional enfatiza a preservação de vínculos familiares e sociais como fator relevante de proteção.
A análise dos dados de 2025 ocorre em um contexto mais amplo de monitoramento da violência contra a mulher no Maranhão, onde fatores sociais, econômicos e culturais influenciam a dinâmica das ocorrências. A redução no número de registros, embora relevante do ponto de vista estatístico, não elimina a necessidade de manutenção e fortalecimento das políticas públicas de prevenção, acolhimento e responsabilização dos autores.
Os números consolidados reforçam o papel das estatísticas oficiais como instrumento de diagnóstico e planejamento. No âmbito estadual, esses dados orientam ações integradas entre governo, sistema de justiça e rede de atendimento, com foco na redução da violência de gênero e na ampliação do acesso das mulheres maranhenses a mecanismos de proteção e apoio institucional.