
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michel, de 4 anos, desaparecidos no município de Bacabal, chegaram ao 11º dia nesta quarta-feira (14) com reforço das ações em áreas de mata fechada e de difícil acesso. Desde a última sexta-feira, o 24º Batalhão de Infantaria de Selva mantém cinco equipes em operação contínua, atuando em conjunto com forças de segurança pública, Defesa Civil e voluntários, sob a coordenação da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão.

A operação mobiliza 26 militares do Exército Brasileiro, especializados em técnicas de rastreamento, sobrevivência e orientação em ambiente de selva. As equipes avançam por regiões ainda não percorridas, utilizando equipamentos de georreferenciamento que permitem mapear as áreas já vistoriadas, evitar retrabalho e ampliar a eficiência das buscas.
Para reforçar a operação, estão sendo empregados dois drones, um deles com tecnologia termal, capaz de identificar pontos de interesse mesmo em locais de difícil visualização. Nesta quarta-feira, as equipes também contaram com apoio aéreo de aeronave do Centro Tático Aéreo (CTA), evidenciando a integração entre os diferentes órgãos envolvidos no esforço conjunto.
De acordo com o Exército, a presença de lagos e cursos d’água na região, que podem servir como fonte de abastecimento, mantém a expectativa de que as crianças possam ser encontradas com vida. Entre as estratégias adotadas está o método de rastreamento conhecido como “caracol”, que promove a saturação sistemática das áreas de busca.

Criança localizada segue em recuperação
Na terça-feira (13), o governador Carlos Brandão informou que exames médicos descartaram qualquer indício de violência sexual contra Anderson Kauan, de 8 anos, criança que havia desaparecido junto com os irmãos e foi encontrada no último dia 7 de janeiro, em uma estrada próxima ao rio Mearim.
O menino foi localizado debilitado e sem roupas, passou por exames clínicos e segue internado no Hospital Geral de Bacabal, onde recebe acompanhamento multiprofissional. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele apresenta boa recuperação.
Anderson possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e passou por um episódio traumático ao permanecer cerca de três dias perdido na mata. Diante disso, ele será ouvido apenas por profissionais capacitados, respeitando protocolos específicos para esse tipo de situação.
Investigação e escuta especializada
No domingo (11), uma equipe do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) chegou a Bacabal para acompanhar o caso. O grupo multidisciplinar, composto por psicólogo e assistente social, realiza perícias psicológica e social, além de ouvir familiares das crianças desaparecidas.
A escuta especializada de Anderson será realizada conforme a Lei da Escuta Protegida (Lei nº 13.431/2017), por determinação da promotora de Justiça da Infância e Juventude, Michele Dias. A expectativa é que o procedimento ajude a esclarecer detalhes do caso e contribua com informações que auxiliem na localização de Ágatha Isabelle e Allan Michel.
As buscas seguem sem previsão de encerramento, e as autoridades reforçam que todos os esforços continuam sendo empregados até que as crianças sejam encontradas.