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Ameaças de Trump à Groenlândia travam aprovação de acordo UE-EUA

Parlamentares europeus discutem suspensão do acordo UE-EUA após novas ameaças de Trump

Fonte: Da redação com Bloomberg

A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos entrou em fase de incerteza após novas ameaças do presidente norte-americano Donald Trump relacionadas à Groenlândia. Parlamentares europeus avaliam suspender o processo de ratificação diante do anúncio de tarifas contra países que manifestaram apoio ao território autônomo ligado à Dinamarca.

O posicionamento foi explicitado neste sábado (17) por Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu (PPE), maior grupo político do Parlamento Europeu. Segundo ele, apesar de o partido defender um acordo comercial com os Estados Unidos, as declarações recentes de Trump inviabilizam, neste momento, a aprovação do texto. Weber afirmou ainda que a União Europeia deve suspender compromissos relacionados à redução de tarifas sobre produtos americanos.

O acordo foi firmado no ano passado entre Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, com o objetivo de evitar uma escalada de tensões comerciais. O texto estabeleceu uma tarifa de 15% aplicada pelos Estados Unidos à maioria dos produtos europeus, em troca da eliminação de tarifas da União Europeia sobre bens industriais americanos e parte dos produtos agrícolas. Apesar de algumas medidas já estarem em vigor, a ratificação definitiva depende do aval do Parlamento.

Setores do Legislativo europeu já vinham manifestando críticas ao acordo, considerado por alguns grupos desequilibrado em favor dos Estados Unidos. Esse cenário se agravou após Washington ampliar tarifas sobre aço e alumínio e, mais recentemente, anunciar a possibilidade de impor taxas adicionais de até 25% a países europeus que apoiem a Groenlândia diante das declarações norte-americanas sobre o futuro do território.

As ameaças motivaram reações de lideranças europeias. A Comissão Europeia alertou que novas tarifas podem prejudicar as relações transatlânticas, enquanto chefes de Estado classificaram as declarações como incompatíveis com o diálogo entre parceiros comerciais. No Parlamento, integrantes da Comissão de Comércio defendem a suspensão do processo de implementação do acordo enquanto persistirem as pressões.

Além disso, parlamentares discutem a possibilidade de acionar o Instrumento Anticoerção da União Europeia, mecanismo que permite a adoção de medidas comerciais retaliatórias em resposta a ações consideradas coercitivas por países terceiros. O instrumento, que ainda não foi utilizado, prevê desde tarifas adicionais até restrições ao acesso ao mercado europeu.

O Parlamento Europeu deve retomar o debate sobre o tema nos próximos dias. Até lá, o processo de ratificação do acordo comercial permanece indefinido, condicionado à evolução das relações políticas entre a União Europeia e os Estados Unidos.

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