
Um estudo clínico de fase 2 avaliou o uso de uma vacina terapêutica experimental no tratamento do melanoma, forma mais agressiva de câncer de pele, e apontou redução no risco de recorrência da doença ou de morte entre pacientes acompanhados ao longo de cinco anos.
A pesquisa envolveu 157 pessoas diagnosticadas com melanoma em estágio 3 ou 4, que já haviam passado por cirurgia para retirada completa do tumor. Parte dos participantes recebeu a vacina experimental, denominada intismeran, desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro, em combinação com o medicamento pembrolizumabe. O grupo de controle foi tratado apenas com o fármaco.
Os resultados indicaram que os pacientes que receberam a combinação apresentaram menor probabilidade de retorno da doença ou óbito quando comparados aos que utilizaram somente o medicamento. O estudo foi patrocinado pelas farmacêuticas Moderna e Merck, responsável pelo pembrolizumabe, comercializado no Brasil como Keytruda.
Os dados ainda não foram publicados em revista científica com revisão por pares, o que significa que os achados permanecem em fase preliminar de avaliação pela comunidade científica.
Especialistas destacam que vacinas terapêuticas contra o câncer não são uma abordagem inédita. Elas vêm sendo estudadas há décadas e têm como objetivo estimular o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e combater células tumorais, estratégia semelhante à utilizada em vacinas baseadas em mRNA aplicadas em outras doenças.
Apesar dos resultados observados, pesquisadores ressaltam que ainda não há comprovação definitiva de aumento da sobrevida global com esse tipo de imunizante no melanoma. A confirmação da eficácia dependerá dos dados de um estudo de fase 3, cujo recrutamento de pacientes, segundo as empresas envolvidas, já foi concluído.
Além do melanoma, outros ensaios clínicos estão em andamento para investigar a aplicação da vacina experimental em diferentes tipos de câncer.